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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Ideias fixas 98

 

Tenho sempre alguma dificuldade em escolher um vinho para acompanhar pratos em que entra pato. Se assado não duvido, será tinto, mas outras variações criam-me dúvidas, optando, quase sempre, por um vinho branco. Da última vez acamaradei o Arroz de Pato com um Encostas do Tua 2024, da Adega Cooperativa de Pinhel, lotado com Síria e Fonte da Cal (13º), e que está a um preço risível à venda numa das grandes superfícies. E é bom.
Cumulativamente, ninguém me tira da ideia que as castas de vinho têm um lugar ideal geográfico preferencial insubstituível, onde produzem de forma exemplar ou melhor. Não falo sequer da Baga, na Bairrada, do Alvarinho e do seu Monção e redondezas naturais, embora haja alguns produtores e enólogos novos ricos de cabeça que o plantem no Alentejo (com resultados mediocres, aliás, quanto a mim).
O Arinto alcança o seu pleno em Bucelas, insisto. Tenho só algumas dúvidas quanto ao Roupeiro que assim se chama no Alentejo e, nas Beiras, é Síria, mais mineral nestas bandas do que a Sul, onde madura de forma mais suave, normalmente. E em qualquer dos terroirs, embora diferenciado, dá vinhos de muito boa qualidade.


sábado, 21 de outubro de 2023

Mercearias Finas 194


Creio que terei bebido o primeiro Chablis em finais dos anos 70, oferecido que me fora pelo meu grande amigo, na altura, Edgar S., e que teria sido talvez surripiado da adega, porventura especiosa, do seu tio materno e rico de Cascais. Monocasta de Chardonnay, mas produzido na região (terroir) que lhe dá o nome, tal como o nosso Bucelas, onde o Arinto ganha mais esplendor a ser produzido, ou o Riesling alemão que, nas margens do Reno e Mosela, desenvolve melhor o seu potencial de qualidade, o Chablis é um dos meus vinhos brancos estrangeiros preferido. Muito embora não tenha, até hoje, bebido mais do  que umas 5 ou 6 garrafas.



E, por isso, quando se anunciou um belo e fresco cantaril assado no forno, com quase um quilo de peso, logo decidi imolar a bem da comunidade, o único Chablis (do produtor Pierre Chanau) que me restava na garrafeira. De 2018 e com 12,5º, estava no ponto e pronto. Batatinhas novas e brócolos acompanharam, e tudo combinou na maravilha ao almoço.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

A propósito do espadarte

Seria canónico falar-se do anho pascal que ontem cumpriu, de facto. Mas não. Começo pelo tempo. 

Instalou-se a Primavera, com armas e bagagens. Os morangos, embora adstringentes, já estão com sabor, vi anteontem duas jovens andorinhas, lá para as bandas de Murfacém. E a banca do peixe, na Trafaria, ostentava, sobrevivente, a última posta fresca avantajada de um espadarte quase extinto. Merquei-a, de imediato, antes que se fosse para outros destinos alheios.
O bicho, em si, suscita-me múltiplas memórias associadas. Do unicórnio ao narval, de Hemingway à Mirandolina (que os pendurava em gancho, na rica banca ali para as bandas de S. Domingos de Rana). É um peixe enorme, porém, de belíssimo sabor. E, quanto a bifes do mar é, francamente, melhor que o de atum. De cebolada, ou não. Neste caso a dispensamos, e bem. Só batata e cenouras cozidas.



De Bucelas, veio um Arinto especioso, da Quinta da Romeira, colhido em 2017. Tinha estagiado em carvalho (francês?), e baptizaram-no de Reserva e Morgado de Sta. Catherina. Nobre e perfeito, nos seus 13º.

terça-feira, 27 de março de 2018

A propósito de vinhos, em geral, e o de Colares, em particular


Creio que a mais antiga referência escrita a vinho português é ao Charneco que, provavelmente, identificava o vinho de Bucelas. Shakespeare, no seu Ricardo III, perpetua a lenda (?) de o duque de Clarence (1449-1478) se ter afogado, ou ter sido afogado, num tonel de Malvasia. O que significa que, já nessa altura, o vinho da Madeira (?) era conhecido na Inglaterra.



Se, enologica e literariamente, Eça é cosmopolita e variado, referindo, nos seus romances, vinhos espanhóis e franceses, o Dão e  o Colares (abundante em Os Maias), o Bucelas e outros vinhos nacionais, Camilo é mais terrunho e limitado. O vinho Verde, nomeadamente de Basto, é muito citado, mas pouco mais aparece, para além de um vago vinho de Setúbal (?) e outro do Cartaxo, nos seus livros.



O Estado Novo optou, marcadamente e com bom gosto, é certo, pelo vinho do Dão, seguindo os seus chefes. Que Salazar produzia nas suas courelas de Santa Comba o vinho que ele consumia em S. Bento, e o venerando Thomaz tinha um fraquinho especial pelo Dão Terras Altas que, na época, era seguramente um bom vinho, lotado com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen.



Mas voltemos ao vinho de Colares, predominante da casta Ramisco, em chão de areia, que conseguiu resistir à filoxera, e que era uma referência literária até meados do século XX. Eu não sou grande apreciador da sua rudeza, apenas mastigável nos primeiros anos. Depois, escapa.
Mas que belos cartazes publicitários, e postais se fizeram dele! Aqui deixo, em imagem, alguns que têm como motivo trajes regionais portugueses.
(Pena não saber quem os fez...)


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mercearias Finas 15 : Quinta da Murta, Bucelas



O destino final era a Areia Branca, onde iamos almoçar com H. N. e Esposa, mas fizemos um ligeiro desvio, por Bucelas (a do "vinho do Charneco" de que falam crónicas antigas) para visitarmos a Quinta da Murta. Na altura, o "Quinta da Murta", branco, era o meu Bucelas preferido, feito de puro Arinto. Uns anos, limonado, outras colheitas, de sabor mais mineral, quase seco. Na região demarcada, o topo de gama continuava a ser o "Morgado de Sta. Catherina" que, no entanto, sempre achei um pouco doce demais e oleoso, para o meu gosto. Vai, porém a jeito, com uma boa "Encharcada" ou um "Pudim do Abade de Priscos" - feito como manda a lei minhota, e o dito Abade de ali para as bandas de Vila Verde.
Antes, e eu que sou um fã incondicional do Arinto, em Bucelas - quando bem feito ombreia, em pleno, com os melhores "Riesling's" renanos ou do Mosela - ,dizia eu, habituara-me ao "Prova Régia" que cumpria em qualidade e preço, e muitas vezes, em gosto e sabor. Mas quando provei o primeiro "Quinta da Murta" (de 2001), fiquei conquistado e cliente. E o rótulo, com desenhos de azulejos portugueses, era uma lindeza tamanha!
Lá chegamos à Quinta e à fala com Francisco Castelo Branco, cavalheiro simples, urbano e simpático. Na sala de venda e provas víamos o sol iluminando uns socalcos altos de vinha que lembravam o Douro vinhateiro ou o Ahr alcantilado (Pfalz, Alemanha). Castelo Branco disse-nos que começaria a vindima na segunda-feira seguinte (estavamos no primeiro sábado de Setembro desse ano). Choveu na segunda-feira seguinte e nunca soube se ele a teria iniciado, como tinha previsto. Compramos espumante e o "Quinta da Murta" normal. O produtor de Bucelas ofereceu-nos 2 garrafas do "Reserva", estagiado em casco de carvalho - bem bom.
Na Areia Branca, que estava linda embora um pouco ventosa, deixamos a H. N. duas garrafas do Bucelas, normal, para ele se deliciar, com a família. Creio que almocei nesse dia uma dourada atlântica (nada de aviários aquáticos!). Aliás, todos comemos peixe, todo ele fresco e bem grelhado. E muito saboroso. Demos uma volta à beira-mar e até conseguimos adivinhar as Berlengas, ao longe. Despedimo-nos, e lá trouxemos o "Quinta da Murta" para Lisboa. Para pousar, mas por pouco tempo...
P.S.: para H.N., com Amigo abraço, desejando rápido restabelecimento.