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domingo, 23 de novembro de 2025

Albino e em minoria

 

É possível que ele ou ela (cágado ou tartaruga) miniatura se não dê conta de que está em minoria.
O que sabemos é que o bichinho vive em Tapabauá, no estado do Amazonas (Brasil).

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Uma fotografia, de vez em quando... 202

 

Muito viajado, o etnólogo e fotógrafo autodidacta francês Pierre Verger (1902-1996) acabou por fixar-se no Brasil, pouco depois do final da  II Grande Guerra, onde viria a falecer.



A sua colaboração profissional foi vasta, abrangendo o Daily Mirror, Life, Pais Match, O Cruzeiro, entre outros, e privilegiando o quotidiano das populações autóctones.





sábado, 3 de maio de 2025

Uma fotografia, de vez em quando... 195



Não tendo a projecção mundial de Sebastião Salgado, o baiano Evandro Teixeira (1935-2024) deixou um testemunho notável fotográfico dos acontecimentos sociais da sua época, através de uma obra que conta um acervo documental de mais de 150.000 instantâneos, que se guardam, em parte, no Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro).




Mas também no estrangeiro, nomeadamente no Centro Pompidou (Paris), e outros museus importantes, a obra fotográfica de Evandro Teixeira se encontra representada.



segunda-feira, 10 de março de 2025

Filatelia CXXIII

 

Tirando as primeiras impressões filatélicas, de alguma qualidade, que foram produzidas nos E. U. A., os países da América do Sul, pela sua dependência económica, só mais tarde vieram a fabricar os seus próprios selos. São normalmente séries estampadas em papel de fraca qualidade e com desenhos, normalmente, muito toscos e, no geral, de estética que deixava muito a desejar. Argentina, Brasil, Colombia, por exemplo, estão aí para corroborar o que afirmo.


Estas características contribuiram também para a proliferação de muitas falsificações, umas melhores que outras na sua execução, que andam no mercado filatélico.
Em tempos já muito recuados, comprei a preço em conta e modesto o que seria um exemplar do nº 7 (Yvert) da Argentina (1862-64), novo sem goma. Apresentava aparentemente um erro (71 pérolas) que o classificaria como nº 7a (e ou 7d), atribuindo-lhe o catálogo francês de 1994 um valor significativo de 17.500 francos franceses (cerca de Esc. 525.000$00 portugueses, na altura).
Nunca acreditei muito nestes valores. E, aproveitando a ida de uns amigos a Buenos Aires, pedi-lhes que colhessem uma opinião abalizada numa loja filatélica da especialidade. Realmente, o selo era falso. E o seu valor era meramente residual.                                         

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Curiosidades 109

 

Vim a saber pelo jornal Le Monde (27/12/2024) que, no Brasil, há ainda cerca de 800 "terres indigénes" de povos autóctones, que ocupam 14% do território do país, onde qualquer forma de exploração económica é proibida. Aí habitam 28 comunidades nativas "não contactadas" e cuja línguagem, cultura, organização social e crenças  permanecem um mistério.
Uma avaliação recente, e à distância, permitiu constatatar, positivamente, que a comunidade Massaco (nome oriundo do rio que lhe atravessa o território) com homens "de cabelos compridos, finos bigodes, corpos musculados, mas sem tatuagens ou adereços", na Amazónia, tem aumentado e é constituída, no presente, por cerca de 250 a 600 indígenas.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Adagiário CCCLXXIV



Despesa é como cabelo, se não corta, acaba crescendo.

(Provérbio brasileiro)


domingo, 11 de agosto de 2024

Rigor quando é possível


Até já, até logo, até mais, até ver, até sempre, adeus.
Em despedidas, eu tento ser exacto nas palavras que aplico, ao tempo de separação previsto.
Por isso, também costumo ser poupado nos verbos amar e adorar, que costumam ser usados  perdulariamente, por cá. Então, no Brasil, nem se fala na generosidade de mãos rotas, daquela gente exuberante e tropical...



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Esquecidos (16)

 

Penso que a obra de João Guimarães Rosa (1908-1967), por cá, esteja relativamente esquecida e esgotada, embora já tivesse tido, em tempos, alguns fiéis leitores, daqueles que valorizam a riqueza lexical dos textos de ficção. Quero crer e espero que, no Brasil, o grande escritor de Cordisburgo continue a ser lido e estudado, como merece.



Repeguei, há dias, em Tutaméia (1967), como às vezes faço, pois é dos livros de Rosa de que mais gosto, e fui reler os "Prefácios", donde resolvi transcrever alguns pequenos excertos, para o relembrar, por aqui, e ao seu sentido de humor:

- O ar é o que não se vê, fora e dentro das pessoas.
- O avestruz é uma girafa; só o que tem é um passarinho.
- Entre Abel e Caim, pulou-se um irmão começado por B.
- Se viemos do nada, é claro que vamos para o tudo.
- O livro pode valer pelo muito que nele não deveu caber.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Contribuições

 
Parece que houve um rombo de cerca de dois milhões de euros* nos gastos do SNS. E também parece que duas gémeas e o nosso inefável e angelical PR mais o seu filho, do Brasil, ajudaram a este despesismo extravagante...
Os dois últimos bem poderiam ter recorrido ao privado, e solicitado uma ajuda da sra. Jonet, para o caso.

* Nota posterior: ao que parece, serão 4 milhões de euros o que custou o medicamento Zolgensma, para as 2 gémeas brasileiras, segundo Manuel Carvalho, no artigo do jornal Público de hoje (7/12/2023).

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Curiosidades 100

 

É conhecida a ligação do escritor Graciliano Ramos (1892-1953) ao partido comunista brasileiro de Luis Carlos Prestes (1898-1990). Informações indirectas podem encontrar-se, abundantemente, em Memórias do Cárcere, obra póstuma publicada em Setembro de 1953. Neste livro é também referido por diversas vezes o Hino do Brasileiro Pobre. Resguardada e pudicamente, o Youtube não acolhe nenhuma versão nas suas páginas de vídeos, muito embora contemple muitas burundangas pimbas e apolíticas musicais - e percebe-se porquê...
Sobre o hino, na net, também as informações são escassas a propósito da obra musical que apoiava e funcionava como cenário coral de reuniões do partido comunista brasileiro.
Consegui entretanto acesso à letra do Hino do Brasileiro Pobre, de que deixo um extracto inicial:

Do Norte, da floresta amazônica
ao Sul a coxilha a vista encanta
a terra brasileira à luz dos trópicos
é como um coração que bate e canta.

Operários, camponeses, 
estudantes, funcionários, pés-rapados
já sofremos mil revezes
já cansamos desta vida de explorados.
Punhos cerrados,
levantados,
protestemos!
...

(A música do hino foi composta por Francisco Manuel Silva e tem letra de Agildo Barata.)

domingo, 11 de junho de 2023

Curiosidades 99



Hoje em dia incorporamos, com excessiva facilidade e lassidão mental, novas palavras de outras línguas, sobretudo do inglês, sem sequer, muitas vezes, nos darmos ao trabalho de as adaptarmos ao português, ao contrário do que os criativos e expeditos brasileiros costumam fazer - honra lhes seja! 
Mas nem sempre foi assim: já demos palavras ao mundo.
Ainda há pouco tempo atrás fiquei surpreendido ao saber que as palavras mandarim e fetiche têm origem portuguesa, e que outros países (França, Inglaterra...) as vieram a adaptar. A primeira vem do verbo mandar; e o segundo termo, vem de feitiço.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Antologia 16





De Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (1900-1987), transcreva-se, a propósito de culinária brasileira: 

"Do traço importante de infiltração de cultura negra na economia e na vida doméstica do brasileiro nos resta acentuar: a culinária."
...
"No regime alimentar brasileiro, a contribuição africana afirmou-se principalmente pela introdução do azeite dendê e da pimenta malagueta, tão característicos da cozinha baiana; pela introdução do quiabo; pelo maior uso da banana; pela grande variedade na maneira de preparar a galinha e o peixe. Várias comidas portuguesas ou indígenas foram no Brasil modificadas pela condimentação ou pela técnica culinária do negro, alguns dos pratos mais característicamente brasileiros são de técnica africana: a forofa, o quibebe, o vatapá."
(pg. 431)
...
"Desses tabuleiros de pretas quituteiras, uns corriam as ruas, outros tinham  seu ponto fixo, à esquina de algum sobrado grande ou num pátio de igreja, debaixo de velhas gameleiras. Aí os tabuleiros repousavam sobre armações de pau escancaradas em X. A negra ao lado sentada num banquinho.
Por esses pátios ou esquinas, também pousaram outrora, gordas, místicas, as negras de fogareiro, preparando ali mesmo peixe frito, mugunzá, milho assado, pipoca, grude, manuê; e em S. Paulo, que nos fins do século XVIII se tornou a grande terra do café, as pretas de fogareiro deram para vender a bebida de sua cor a « dez réis a chícara acompanhada de fatias do infalível cuscuz de peixe, do pãozinho cozido, do amendoim, das pipocas, dos bolos de milho sovado ou de mandioca, ..."
(pg. 433).

sábado, 22 de abril de 2023

Máxima presidencial


A prática e a teoria. 
Ter sido sindicalista, anteriormente, pode abrir caminhos, com certeza. Professor catedrático, nem sempre. Prejudica, muitas vezes, pelos untos mentais criados.

quinta-feira, 23 de março de 2023

Curiosidades 97



A obra de Gilberto Freyre Casa Grande e Senzala é uma fonte que parece quase inesgotável sobre a etnografia brasileira, sobretudo do passado. Crendices e costumes atávicos abundam nesta recolha, tal como aqui deixamos um testemunho pitoresco e parcelar:

"... Mas o grosso das crenças e práticas da magia sexual que se desenvolveram no Brasil foram coloridas pelo intenso misticismo do negro; algumas trazidas por ele de África, outras africanas apenas na técnica, servindo-se de bichos e ervas indígenas. Nenhuma mais característica que a feitiçaria do sapo para apressar a realização de casamentos demorados. O sapo tornou-se também na magia sexual afro-brasileira, o protector da mulher infiel que, para enganar o marido, basta tomar uma agulha enfiada em retrós verde, fazer com ela uma cruz no rosto do indivíduo adormecido e coser depois os olhos do sapo. Por outro lado, para conservar o amante sob o seu jugo precisa apenas a mulher de viver com um sapo debaixo da cama, dentro de uma panela. Neste caso, um sapo vivo e alimentado a leite de vaca. ..."

Gilberto Freyre (1900-1987), in Casa Grande e Senzala (pg. 314).

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Impérios...



De Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (1900-1987), a páginas 193, cite-se:

"Foi o que sucedeu, estancadas as fontes asiáticas de opulência. Longe de conformar-se com uma viuvez honesta, de nação decaída como mais tarde a Holanda, que depois de senhora de vasto império se entregou ao fabrico do queijo e da manteiga -, continuou Portugal, após Alcácer Quibir, a supor-se o Portugal opulento de D. Sebastião vivo. A alimentar-se da fama adquirida nas conquistas do ultramar. A iludir-se de uma mística imperialista já sem base. A envenenar-se da mania de grandeza."
...

Nota pessoal: é minha convicção que a estratégia educacional estadonovista contribuiu para reforçar esta ideia epopeica, de forma manifesta.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Um ponto de vista



Admitindo porventura uma perspectiva favorável e simpatizante em relação ao português, não deixa de ser interessante e curiosa a forma como o sociólogo brasileiro Giberto Freyre vê o colonizador luso, em confronto com outros colonizadores europeus. Deste modo, e passo a citar:

"Vários pontos em que tocámos de leve no primeiro capítulo vamos neste ferir com mais força na tentativa de caracterizar a figura do colonizador português do Brasil. Figura vaga, falta-lhe o contorno ou a cor que a individualize entre os imperialistas modernos. Assemelha-se nuns pontos à do inglês; noutros à do espanhol. Um espanhol sem a flama guerreira nem a ortodoxia dramática do conquistador do México e do Perú; um inglês sem as duras linhas puritanas. O tipo do contemporizador. Nem ideais absolutos, nem preconceitos inflexíveis."

Gilberto Freyre (1900-1987), in Casa-Grande e Senzala (pg. 191).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Ideias fixas 74



Ao que parece, os western spaghetti, agora, são filmados em Brasília, embora na sua original matriz norte-americana. E com macaquinhos de imitação, como figurantes.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

De "Casa Grande e Senzala", um pequeno excerto



Muitos textos deste livro admirável dão-nos análises profundas, para não dizer saborosíssimas, e explicações originais sobre aspectos da vida e alma brasileiras. Ora atente-se neste bocadinho da página 135, da obra prima de Gilberto Freyre (1900-1987), Casa Grande e Senzala:

"... Quase toda a criança brasileira mais inventiva ou imaginosa, cria o seu macobeba, baseado nesse pavor vago mas enorme, não de nenhum bicho em particular - nem de cobra, nem de onça, nem de capivara - mas do bicho tutú, do bicho carrapatú, do zumbí: em última análise do Juruparí. Medo que nos comunica o facto de estarmos ainda tão próximos da mata viva e virgem e de sobreviver em nós, diminuido mas não destruido, o  animismo indígena.
O complexo brasileiro do bicho merece estudo à parte; é dos mais significativos para quem se interesse pelos problemas de relações e contacto entre culturas desiguais. No que há de vago no medo do bicho manifesta-se o facto de sermos ainda, em grande parte, um povo de integração incompleta no habitat tropical ou americano: mas já a fascinação por tudo o que é história de animais, mesmo assim vagamente conhecidos, o grande número de superstições a eles ligadas, indicam um processo, embora lento, de integração completa no meio; ao mesmo tempo que a sobrevivência de tendências totémicas e animistas. ..."

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Desabafo (72)


 

Eu creio que não se recomenda ter grandes mitos ou fantasias sobre a qualidade ou bondade dos povos.
A emoção irracional predomina na política, quase sempre, nas opções básicas, tal qual como no futebol. E não vale a pena missionar ou tentar convencer, dialogando, os contrários, quer seja no Brasil ou Portugal. Será apenas e só um destino genético? Não creio. A cegueira é maior no povão que, já o escrevi, é burro, habitualmente.
Creio que, talvez por um acaso da sorte, o bem relativo ganhou nas urnas do Brasil, por pouco mais de 1%, ao mal objectivo e flagrante. Ao menos isso. A Amazónia sempre vai durar um pouco mais.

sábado, 10 de setembro de 2022

Divagações 181


Qualquer acontecimento que altera o curso da História, com o tempo, normalmente, ganha uma moldura própria que lhe vai conferir um enquadramento de seriedade para lá da simplicidade ou crueza inicial dos factos. É aquilo que, em linguagem popular, se costuma denominar por: dourar a pílula...
O antropólogo australiano Patrick Wilcken (1982), autor de Império à deriva (2004), é, ao que julgo, um historiador credível e fiável, com provas dadas. É assim que ele narra, a páginas 282/3, da obra acima referida, o episódio fulcral do Grito de Ipiranga que a 7 de Setembro de 1822 deu início à independência do Brasil. Citando, pois:




"... Havia também instabilidade crescente no Brasil. Numa série de épicas jornadas a cavalo, D. Pedro penetrou nas províncias vizinhas - primeiro em Ouro Preto, em Minas Gerais e depois em S. Paulo - reunindo apoios para o seu governo. E foi no regresso a S. Paulo, depois de uma visita ao porto de Santos, que ocorreu a cena ícone do nascimento do Brasil. Sofrendo de um ataque de diarreia, D. Pedro fez uma paragem não prevista junto de uma ribeira chamada Ipiranga. Aí, enquanto abotoava as calças, recebeu um mensageiro que vinha de S. Paulo com correio urgente. Trazia-lhe uma série de cartas - uma de D. Leopoldina e outra de José Bonifácio, bem como relatórios oficiais das cortes de Lisboa. Lendo tudo, o retrato era claro. Sete ml soldados estavam a ser preparados em Lisboa para seguirem para o Brasil. Tanto D. Leopoldina que se tornara uma apoiante ardente e influente do movimento pela independência, como José Bonifácio defendiam que se tinha atingido o ponto sem retorno. A 7 de Setembro de 1822, D. Pedro arrancou as insígnias portuguesas e atirou-as ao chão. Desembainhando a espada, proclamou: «Independência ou morte! Separámo-nos de Portugal!»"