Mostrar mensagens com a etiqueta Braga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Braga. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Memória 150

 


Aqui há 54 anos atrás (Domingo), em Braga, por esta hora, estava um grande calor semelhante ao da zona outrabandista, hoje, por aqui.

sábado, 2 de maio de 2020

Uma fotografia, de vez em quando... (140)


Morreu há poucos dias (17/4/2020) este talentoso fotógrafo francês, cujas obras, justificada ou injustificadamente, me lembram quase sempre as telas de Magritte. Gilbert Garcin (1929-2020) começou contudo já tarde a fotografar, em finais do século passado, e disse que o fez por temer a monotonia e o tédio que poderia sobrevir com a sua reforma. Na sua obra e títulos surpreendemos, algumas vezes, uma nota de bom humor.


Creio que esta primeira fotografia, acima, intitulada Le charme de l'au-delà, teve um primeiro prémio, em 1995, nos Rencontres d'Arles e é daquelas que mais associo a René Magritte. Grande parte dos protagonistas da sua obra são Garcin e a esposa. E a quase totalidade das suas fotos são colagens ou fotomontagens, de algum modo, com um forte pendor surrealista. À segunda foto, acima, deu o artista o título de Ruptura...
Por curiosidade, posso informar que Gilbert Garcin esteve em Braga, em 1998, participando nos Encontros de Imagem.




terça-feira, 5 de julho de 2016

Há 46 anos...


Se eu disser que, em Braga, há 46 anos, amanheceu com céu limpo e foi um dia de calor, estou a falar verdade e com rigor. O passado, na nossa memória, regula-se e baliza-se por acontecimentos marcantes da nossa vida. Se me lembro que em 5/7/1970 esteve calor, isso é apenas um aspecto secundário de uma data importante, na minha vida. Que desencadeia um antes e um depois.
Acabei de ler, recentemente, o livro em imagem, na tradução portuguesa da Bertrand que me parece fraca e desleixada (houve, pelo menos 3 frases de que não percebi o sentido, a tradutora usou "repetidor" em vez de repetente, etc....), e cuja revisão foi descuidada, porque o livro apresenta inúmeras gralhas. Mesmo assim estas Memórias resistem, pela qualidade intrínseca do texto de Simone de Beauvoir (1908-1986).
O que me surpreendeu mais, no entanto, foi a minúcia com que S. de B. reconstruiu os tempos de infância e adolescência, numa altura em que já tinha 50 anos. Tudo me leva a crer que houve uma efabulação da realidade, consciente ou não. E que a ficção acabou por preencher os hiatos da memória, nesta autobiografia pormenorizada.  Como, muitas vezes, também a nós acontece...

terça-feira, 5 de abril de 2016

Arquiepiscopal e minhota


D. José de Bragança (1703-1756), irmão de D. João V, e que tomou posse como Arcebispo de Braga, em 1741, pouco depois de assumir funções, incompatibilizou-se com o cabido bracarense. Deixou a cidade e dirigiu-se a Guimarães, onde foi recebido apoteoticamente pelos vimaranenses, que o acolheram muito bem e com orgulho. Primeiro aboletou-se no palacete do fidalgo Tadeu Camões, próximo da Igreja da Misericórdia e, mais tarde, mandou construir a nobre casa que hoje é chamada dos Coutos. Por lá estadiou cerca de dois anos e deixou boas recordações, além do "Guimarães agradecido", antologia em 2 volumes de poesias frustes e medíocres, que o fidalgo Tadeu Camões fez editar, reconhecidamente grato, através do Colégio dos Nobres, em Coimbra.
O palacete do fidalgo vimaranense foi sede e palco de reuniões da "Academia Vimaranense", durante o séc. XVIII, a exemplo da Arcádia Lusitana e de tantas outras agremiações poéticas, que proliferaram por esse Portugal fora, no século das Luzes. 
Relha e velha era já, porém, a rivalidade entre Braga e Guimarães que, na primeira metade do século XX, tomou proporções meramente futebolísticas, na sua forma mais popular de oposição regionalista. De Braga, se dizia em Guimarães, nos anos 50, que vivia dos rendimentos e da cumplicidade com o Poder que se instalara, após o 28 de Maio de 1926, bem como dos favores da Igreja. Porque Guimarães era a cidade laica e trabalhadora: os curtumes, a cutelaria, os têxteis, o calçado... Enquanto Braga só muito tarde acordou para a indústria, com a fábrica da Grundig, que começou a dar emprego qualificado a muitos bracarenses. Até lá, era só comércio e sacristias...  
Andei ontem por Braga, e vi-a de outro modo, já sem os preconceitos regionalistas, que a idade e maturidade me foi fazendo perder. E o que mais me surpreendeu, para além do uso comum do granito, foi a natureza monumental da sua arquitectura, acachapada à terra, mas sólida e impressiva. Mas Guimarães não deixa de ter, na sua laicidade natural e orgulhosa, a elegância aérea de alguns monumentos e edifícios, que falta a Braga, de todo. Nem tudo se perdeu na minha memória das duas cidades minhotas.

sábado, 19 de julho de 2014

Relíquias...


Improvavelmente encontrado no fundo de uma gaveta, este horário escolar do ano lectivo de 1955-56, permite-me concluir que, neste preciso momento, há 58 anos atrás, se ainda houvesse aulas (pouco provável), eu estaria numa aula de Francês, orientada pelo Dr. Carvalho. Que era de Braga, e um excelente professor que usava uns óculos de aros dourados.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Émulos e rivalidades


Li recentemente um pequeno artigo que falava da rivalidade antiga e recente entre as cidades escocesas de Edimburgh e Glasgow. Os partidários chegam a dizer que, esta última, se abre para Oeste, para a modernidade e para o Novo Mundo; enquanto Edimburgh se volta para o passado do Velho Continente, para Leste. Até lhe atribuem géneros: Glasgow seria feminina, Edimburgh, masculina.
Não pude deixar de pensar na velha rivalidade entre Lisboa e Porto, sendo que a capital do Norte é a única cidade que usa o masculino, para si. Todas as outras cidades portuguesas são femininas... O facto tem sido reforçado e empolado pelos Senhores do Futebol, em seu benefício, de modo a criar um ultra-nacionalismo regional para os seus desígnios. Será que precisamos sempre de um inimigo, para ganharmos força?
Na Alemanha, a dicotomia Köln/ Düsseldorf também colhe os seus frutos e recolhe paixões irracionais e obstinadas. E até no pequeno Minho, a emulação entre Guimarães e Braga desperta sentimentos de animosidade que lograram plagiar um velho provérbio: "De Braga, nem bom vento, nem bom casamento". Que, se calhar, Braga devolve alterando as premissas...
Sinto-me sempre um pouco incomodado com estes extremismos. E dividido: o meu Pai era de Braga e a minha Mãe nasceu em Guimarães...

sábado, 16 de junho de 2012

Nortenhas e populares (quadras) 17


Seguem as três últimas quadras da selecção que tenho vindo a fazer do vol. IV da monografia "Entre Homem e Cávado", de Domingos Maria da Silva, editada em Braga, entre 1951 e 1981. Seguem:

O cuco penica a cuca,
Tira-lhe as penas da crista,
O cuco vai degredado
A cuca foi p'ra justiça.

O teu olhar desleal
Corações queima por gosto
Vou chamá-lo ao tribunal
Por crime de fogo posto.

Lavadeira tem mais brio,
Já vais na quarta paixão;
Olha que não lavas no rio
As nódoas do coração.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Adagiário XC


"Braga reza, Porto trabalha, Coimbra estuda, Lisboa dorme."

Nota: o dito talvez mais conhecido sobre Braga é: "mais velho do que a Sé de Braga". Mas o provérbio anterior foi, com certeza, imaginado por alguém do Norte.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Retro (6) : Almanaque



Não sei se hoje ainda se publica o Almanaque Bertrand, anual, que se iniciou no ano de 1899. No Minho havia, pelo menos, 2 almanaques: o de Santo António, de Braga, cuja primeira publicação datava de 1898, e o de Fafe, que era mais antigo, suponho, e se vendia muito para o Brasil, onde havia uma grande colónia de emigrantes fafenses que assim não perdiam , de todo, o contacto com a sua terra natal.
Os almanaques eram publicações instrutivas e recreativas, principalmente. Tinham palavras cruzadas, charadas, anedotas, provérbios (podem ver-se dois no rodapé das páginas) transcrições de autores de nomeada (na imagem, um texto de Aquilino Ribeiro), poemas e informações culturais, agrícolas e úteis, de vária ordem. Um manancial de leitura diversa, e de entretenimento para as famílias.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nortenhas e populares (quadras) 4


Ainda da Monografia, já referida nesta rubrica, mais 3 quadras populares (provavelmente de autoria feminina):

Meu amor por tua vida,
Ou por tua caridade,
Tira-me deste degredo,
Leva-me para a cidade.

Fui ao céu por uma linha,
Desci por um cacho d'uvas:
Ninguém se fie nos homens,
São mais falsos do que Judas.

O meu amor é de Braga,
É de Braga cidadão,
Vem afeito ao molete,
Não me quer comer o pão.

Nota pessoal: em alguns locais do Norte, a palavra molete tem o significado de carcaça ou pão pequeno.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Poeta sem abrigo


Como tudo o que é extravagante, ou insólito, Sebastião Alba provocou na altura um sobressalto, humano e literário - porque foi notícia temporária e efémera. Falou-se dele, publicaram-se-lhe uns poemas mas, hoje, passado o "susto", é apenas uma nota de rodapé na História, um nome quase desconhecido, 13 pequenas letras numa história de literatura portuguesa que seja minuciosa e inclusiva.
De seu nome natural, Dinis Carneiro Gonçalves, nasceu em Braga, a 11 de Março de 1940, mas cedo foi para Moçambique. Nos anos 70 publicou o livro de poemas "Ritmo de Presságio". Regressou a Portugal, trabalhou, casou e teve duas filhas. Mas em meados dos anos 90 abandonou o "mundo", transferindo-se para o sub-mundo dos sem abrigo. Em 1997, ainda o seu livro de poesia "Noite Dividida" (Assírio e Alvim, 1996) ganhou o Grande Prémio de Poesia ITF, em Braga.
Mas este poeta sem abrigo, que escolheu a rua para viver, morreu atropelado por um motociclista estouvado, em 15 de Abril do ano 2000. A sua voz poética é, no mínimo, singular. Recordêmo-lo:

Os Poetas

Com as polidas cintilações
das ondas eles enredam o mar
e aspam de brancura o voo das gaivotas

Sua íntima atitude
é a das estátuas por fora
Como elas amam sem noções que lhes doam

O céu foi o seu fundo das pupilas
orto da Estrela da Manhã
Mas volvidos são das paisagens rumorosas
onde nem o corpo do vento se suprime.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Curiosidades 11 : As bulas (1)


Confesso que, nos últimos quarenta anos, não tenho acompanhado, de muito perto, as actividades da fábrica da igreja católica-apostólica-romana. Não sei, por isso, se hoje ainda há bulas. Ou melhor, se, actualmente, ainda se vendem e compram bulas. Quando eu era muito jovem havia, lá por casa, umas folhinhas com cheiro de santidade que se compravam na Colegiada, e que permitiam, a quem as adquirisse, quebrar o jejum ou abstinência nalguns dos dias católicos mais flexíveis, e comer carne. Ou seja, branqueavam o pecado, ou pagavam a tolerância e absolvição. Foi por estas e por outras (indulgências) que Lutero se revoltou contra Roma. Mas, isso, são outras histórias que para aqui não são chamadas...
Rearrumando livros, muito recentemente, deparei-me com um desencadernado e pio "Almanaque de Santo António (Ilustrado) para Portugal e Brasil - 1915", de Braga (Tip. a vapor de Augusto Costa & Matos - 1914). Nota-se nele o patrocínio da Igreja Católica, até porque na segunda página se lê: "Omnia sub correctione Sanctae Matris Ecclesiae". Em relação à "Abstinência e Jejum (pgs. 35 e seguintes"), passo a transcrever o ponto "2º- Abstinência em Portugal:

" A lei geral da Igreja relativa à abstinência está muito modificada em Portugal, e muito reduzida pelos princípios que seguem:
A) Sem Bula nem Indulto
Sábados do ano - Foi dispensada a abstinência dos sábados do ano, que não são de jejum, ficando equiparados aos outros dias, podendo-se comer e misturar carne e peixe em todas as refeições.
Ovos e lacticínios - A abstinência de ovos e lacticínios durante o tempo da quaresma está anulada em algumas dioceses de Portugal por costume antigo e autorizado. Naquela diocese, porém, onde ainda for uso abster-se de ovos e lacticínios durante a quaresma ou outros dias de jejum, obriga a lei geral da abstinência deles; nas outras, porém, podem usar-se na quaresma, mesmo sem bula.
Temperos de unto e redenho de porco - Nas províncias do Minho, Trás-os-Montes e Douro, e noutras terras onde houver costume antigo e consentido de adubar em todos os dias de jejum e de abstinência com temperos de unto e pingue de redenho, a que chamam - temperos de magro, pode-se sem bula seguir tal costume.
B) Com Bula
Nas terras onde estiver em vigor o preceito da abstinência de ovos e lacticínios na quaresma ou noutros dias de jejum, podem usar-se, tendo cada indivíduo tirado a Bula da Cruzada, nas condições que indicaremos.
Os pobres estão dispensados de tomar a Bula para poder usar deles." ...

Nota: é provável que volte a este assunto.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Parabéns! Braga, 5 de Julho de 1970, 12,35hrs.



Os anjos não modificam
sua voz ou estarmos
dentro de nós para sempre.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Curiosidades do Baú


No meio dos livros infantis encontrava-se este pequeno livrinho (105 x 70 mm), com calendários para os anos de 1957 e 1958. O voluminho é mais propriamente uma pequena agenda, fornecendo, para além da publicidade própria da Casa Rendália, todo um conjunto de informações para a história local, i.e., a cidade de Braga nos idos de 1957.

Eis alguns exemplos:
- o que em Braga deve ser visto e admirado;
- horários de carreiras e comboios de Braga para:
Porto/Lisboa/Póvoa/Guimarães/Barcelos/Esposende (...);
- horários das missas em Braga (das 6.00 da manhã até às 19.00);
- telefones dos médicos que, ainda, cabiam em página e meia e com 4 dígitos apenas (o Sr. Dr. Rocha Peixoto atendia o telefone com o nº 2711);

Talvez o mais curioso é que se conservaram, no meio da agenda, pequenos desenhos de motivos infantis de que se reproduz uma imagem. Para que serviriam ? Segundo consta para decalcar em papel ou tecido. Seria também molde para bordar posteriormente ?

Post de HMJ

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O mês de Maio, os Papas e Portugal



Se excluirmos o Papa S. Dâmaso, que terá nascido em Guimarães no séc. IV e que, na cidade-berço tem direito a nome de freguesia e igreja (orago que andou em bolandas e mudou, pedra por pedra, para junto do Castelo onde se encontra); dizia eu, se pusermos de lado S. Dâmaso, que nasceu antes de Portugal ser nação, o único papa português é Pedro Julião ou Pedro Hispano que foi, em Roma, João XXI. Médico respeitado, pontificado breve, tinha nascido em Lisboa, ao que parece na freguesia de S. Julião, antes de 1226. Foi aluno de S. Alberto Magno, foi arcebispo de Braga, e condiscípulo, no estrangeiro, de S. Tomás de Aquino e S. Boaventura. O seu pontificado durou apenas 8 meses: de Setembro de 1276 a 20 de Maio de 1277. E há duas versões para o seu local de morte, mas que têm uma mesma base comum e coincidente: obras de manutenção. A versão mais difundida é que houve um desmoronamento nos aposentos em que se encontrava e que estavam a ter obras de beneficiação, provocando-lhe a morte. A segunda versão é que, tendo João XXI ido visitar e vistoriar as obras de uma igreja, na altura em que ele passava a cavalo, o telhado ruíu e o desabamento atingiu-o, mortalmente. Coincidências fastas ou nefastas papais que ocorrem em Maio. Mês habitualmente escolhido pelos Papas para visitar Portugal, por causa de Fátima aonde foram Paulo VI, João Paulo II e, recentemente, Bento XVI.

Breve nota, em forma de declaração: este poste não tem nada a ver com a "pappa col pomodoro" da Rita Pavone.