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segunda-feira, 10 de junho de 2024

Citações CDLXXXVII


 

O eterno absorve todas as funções da alma.

Blaise Pascal, (1623-1662) in Pensées.

...

A eternidade ocupa aqueles que têm tempo para perder. É uma das formas do ócio.

Paul Valéry (1871-1945), in Mauvaises Pensées et Autres.





sexta-feira, 16 de julho de 2021

Mais 3 fragmentos (traduzidos) do "Bloc-notes IV" de F. Mauriac (1885-1970)

 


Samedi 17 juillet 1965
(...)
«Grandeza de alma humana", escreve Pascal no seu Memorial. Valéry prolonga até ao infinito esta grandeza.
No entanto este pensamento pesa-me: «Aquilo que vos traz arrependimento nunca existiu...» Creio que não se pode dizer nada mais triste a um sobrevivente. Não é verdade senão em relação ao amor dos corpos. Mas, enfim, será que alguma vez amamos um ser humano pela sua alma? Podemos negá-lo, é certo: concedo ao amor, o que interessa ao coração carnal, e não diz respeito às relações de espírito a espírito. (pgs. 111/2)

Samedi 21 août 1965

Um jovem confrade, vindo para me entrevistar, pergunta-me se sou feliz ao pensar que os jovens ainda me lêem e gostam de mim. Respondo-lhe que a televisão, ao menos, serve para isso, para me dar a sensação da minha própria heterogeneidade. Não é somente a avançada idade que me isola desta geração, mas a minha própria natureza. Eu não estava menos só aos vinte anos, é verdade - só que alguns amavam-me e eu amava-os: a amizade era o único terreno possível... Mas a velhice apanhou o peixe longe desta água doce. Ele nada, mas mais fundo agora, a uma profundidade onde já não há mais ninguém. (pg. 121)

Jeudi 26 août 1965

Ontem, ouvi um disco de Clara Haskil. No outro dia era Roger Vailland que ocupava o espaço do pequeno ecrã. Os mortos não estão menos mortos do que outrora: fazem de conta de estarem lá. É a imagem de um instante, é a duração que se transforma em nada. Não sei o que ressentem aqueles e aquelas que amaram com verdadeiro amor estes regressados da televisão e estes intérpretes que o disco permite escutar, enquanto que eles se transformaram nessa coisa que já não tem nome em nenhuma língua. (pg. 125)

sábado, 21 de novembro de 2020

Pascal

A quem se interesse um pouco mais além do que pela espuma dos dias, ou por um trabalho arrumado, bem executado e claro sobre filosofia, acompanhando por uma bem escolhida iconografia de bom gosto, recomendo! Saiu recentemente.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Citações CDIX


Acabei por escrever esta carta assim comprida porque não tive tempo de a fazer mais curta.

Blaise Pascal (1623-1662).

domingo, 5 de agosto de 2018

Acasos, oportunidades, gostos


Por mero acaso, ontem, tive a oportunidade, e felicidade, de ouvir, em sequência intervalada, entrevistas a 3 escritores, qualquer delas interessante, tendo em conta a bagagem de experiência pessoal, a obra e inteligência dos autores, mas também a qualidade dos entrevistadores, que acaba por ser, nestes casos, decisiva e fundamental. Foram eles, por ordem cronológica: John Le Carré, Salman Rushdie e, finalmente, Jacinto Lucas Pires.
Tenho de confessar que a entrevista que mais me agradou foi a de John Le Carré, talvez porque seja o escritor cuja obra conheço melhor, mas também porque gosto muito de o ler. Não digo adorar, porque é um verbo que não entra no meu léxico deste tipo de coisas, nem sentimento que costume experimentar.
Pus-me a divagar depois. E, se é certo, que se reflectir um pouco, eu sou capaz de explicar, em palavras simples, a razão por que aprecio Camilo e Eça, Maugham e E. M. Cioran, teria uma enorme diculdade em justificar e argumentar o meu gosto pelas obras de Simenon ou de John Le Carré. Socorro-me de Pascal, que dizia: O coração tem razões que a razão desconhece.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Curiosidades 69


De há muito que o coração é usado como imagem e símbolo maior do amor. Já os egípcios o usavam assim. Muito embora alguns filósofos gregos dele tentassem fazer a morada da alma, sem grande sucesso. Também o cristianismo, iconograficamente, o atribuiu e personificou nas figuras do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria, em definitivo. Pascal e Descartes pronunciaram-se sobre o assunto, em reflexões conhecidas. De uma forma mais terrena e concreta, poder-se-ia falar do coração de D. Pedro IV, que se conserva, embalsamado, na Igreja da Lapa, e que o monarca português doou, como prova de afecto, à cidade do Porto.
Mais interessante porém é o mito anatómico, criado pelos romanos, de ligar, através de uma fina veia (vena amoris), o coração ao dedo anelar (não sei o que a acupunctura mais séria teria a dizer sobre isto...). E, residualmente, a ideia se ter perpetuado no facto e no símbolo de se usar a aliança de casamento no dedo anelar (esquerdo, muitas vezes). Ao que parece, e até ver, também para sempre.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Citações CCXXXIX


Escrevi esta carta mais comprida do que é habitual, porque não tive tempo de torná-la mais curta.

Blaise Pascal (1623-1662), in Lettres Provinciales nº 16 (1657).

sábado, 20 de julho de 2013

Livrinhos 19 : Pascal


É uma edição de Paris, do ano de 1827, da obra de Blaise Pascal (1623-1662) , "Les Provinciales". Com as equilibradas dimensões de 6,5 por 10,1 centímetros, e encadernada. O miolo é que se encontra profusamente atingido por picos de humidade, porventura, por descuido de anteriores proprietários. A obrinha custou-me, em meados dos anos 80, Esc. 680$00, em Lisboa.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Favoritos LV : T. S. Eliot


T. S. Eliot, nascido nos Estados Unidos a 26 de Setembro de 1888, é como ser humano uma personagem curiosa. Ao inverso de W. H. Auden, trocou na idade adulta o seu país de origem pela Inglaterra. Procuraram, talvez, os dois o local de vida mais de acordo com os seus temperamentos. E Eliot era realmente mais conservador. Vindo a converter-se, depois, ao catolicismo. Foi poeta importante e crítico perspicaz e influente. Nos seus exemplares Essays, a propósito de Pascal, escreveu:
"...Pascal é um homem do mundo entre ascetas, e um asceta entre homens do mundo; tinha o conhecimento da mundanidade e a paixão do ascetismo, e nele os dois  fundem-se num todo individual.
A maioria da humanidade é intelectualmente preguiçosa, não sente curiosidade, deixa-se absorver por futilidades e é emocionalmente tíbia, e por isso incapaz quer de dúvida quer de muita fé; e quando o homem vulgar se chama a si próprio céptico ou descrente trata-se em geral de uma simples pose, que disfarce a aversão a pensar sobre qualquer coisa até chegar a uma conclusão. ..."

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Impromptu

Há músicas, há locais e cheiros que, de repente, nos incendeiam a memória com um rosto  iluminado, um delta  negro, uma frase gravada em pedra, num momento intenso, mas melancólico, que pertence ao passado.
Não saberemos explicá-lo, nunca. Porque quando aconteceu não lhe demos a importância que, depois, veio a ocupar na nossa vida, para sempre. Como disse Pascal: "O coração tem razões que a razão desconhece."