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domingo, 19 de agosto de 2012

A sardinha na sua época, por entre as águas que vão


Dizia o Abade de Jazente, aqui há uns bons 250 anos, que: "...vende as sardinhas o galego feio/ cinco ao vintém; e seis pela calada..." e "A trinta e cinco réis custa a pescada...", no seu singular soneto setecentista. Bem gostaria eu de saber-lhes a correspondência monetária mas, de história económica, nada sei. O que posso dizer é que hoje, no Mercado, a sardinha estava a 5,90 euros (bem merecidos), o quilo, e a pescada, a doze. Anafadas e cheirosas rechinaram as 7 sardinhas no grelhador, pingando pródigas ôlhas de gordura sobre o tabuleiro de baixo. Deu gosto vê-las e comê-las, com boroa. Há anos que não as via assim, nem de longe comparadas com as esquálidas e secas, do ano passado. É das águas, dizem...
Talvez. Porque ontem, era lindo de se ver por causa do calor, às quatro da tarde, a neblina branca de nuvens que acompanhava, e subia, a margem direita do rio. Parecia que se movia, alto, o algodão sobre o Tejo. E as nuvens, à saida da ponte, quase nos envolveram por completo. Nunca eu tinha visto nada assim, na parte da tarde. O mais parecido que observei, foi sobre o Reno, mas de manhãzinha muito cedo, em Bingen.
E destas águas quentes, que vão e vêm, se vai criando a sardinha bem nutrida, para rechinar a preceito, no grelhador, por Agosto.