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terça-feira, 10 de setembro de 2024

Mudam-se os tempos...

 

Dantes, eram as bibliotecas itinerantes da Gulbenkian, por cá, agora, por falta de vocações católicas são as igrejas móveis, a que os alemães chamam das Gottesmobil. Esta, em imagem, anda pela Floresta Negra a dizer missas, e com padres nómadas...

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Confusão de sentimentos


Por entre sentimentos contraditórios, tomei conhecimento da dispersão, através de leilão, da biblioteca de François Miterrand (1916-1996), recentemente em Paris. As heranças a distribuir, neste caso particular, são o diabo!...
Eu creio que, perante situações destas, um bibliófilo honesto e autêntico, experimenta sensações adversas, no seu íntimo. Projecta o futuro dos seus livros e é atingido por uma nostalgia ontológica; depois, encara o leilão concreto, como uma janela de oportunidades, para enriquecer a sua biblioteca.
Senghor (1906-2001), com Aimé Césaire e José Craveirinha são os poetas da negritude que eu mais estimo, sobretudo, por questões de qualidade do seu ofício.

Por isso, embora vindo de uma biblioteca que se dispersou, por força do destino, eu não quis perder este livro com dedicatória do poeta e político senegalês. Que a endereçou a uma representante de uma família guineense conceituada, que ainda tinha raízes na Serra Leoa. Porque África, por metáfora excessiva, também pode ser considerada uma pequena aldeia... E, também, porque apesar da descolonização, ainda há muita coisa que vem parar à Europa. 

sábado, 1 de julho de 2017

Bibliotecas


Se pensar em bibliotecas, para empréstimo ou leitura de livros, não me vêm à ideia, em primeiro lugar, a opulência e enormidade da Biblioteca Pública de Évora, nem a munificência rica da BNP, em Lisboa. Nem sequer a liberalidade solta de peias burocráticas da Biblioteca da Ajuda. Modestamente, retorno a Guimarães, à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento onde, teria eu 16 anos juvenis, me puseram à disposição uma primeira edição de Francisco Manuel de Melo, seiscentista e rara, que eu folheei a medo e respeitosamente.
Para ser justo, irei ainda mais atrás, até a uma associação recreativa vimaranense que dava pelo nome de Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques, na rua Gravador Molarinho. Através de um amigo fiz-me sócio, teria pouco mais de 10 anos. Que, com uma magra mensalidade, me dava direito a um café por Esc. $70 e a partidas de matraquilhos a uma coroa. Também havia pingue-pongue, televisão grátis para todos os associados, e bilhar a 1$00. Num armário envidraçado, arrumavam-se quase duas centenas de livros, sobretudo de aventuras, que podíamos levar para casa.
Daí levei Os Três Mosqueteiros, Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelone, do mestiço e grande escritor Alexandre Dumas (pai), pouco a pouco, para, empolgadamente, os ler em casa. E que foram, com mais 4 ou 5 títulos, os livros que li, na adolescência. com maior prazer, seguramente.
A associação recreativa ainda lá está, na rua Gravador Molarinho. E recomenda-se. Noutras roupagens, é certo.


Porque hoje é o Dia Mundial das Bibliotecas...

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Última hora


Por informação fidedigna, posso comunicar que foram transformadas em patacos, nas últimas três semanas, 2 grandes bibliotecas que jaziam, respectivamente, em Castelo Branco e Colares. Esta última, embora anafada ou obesa, não contém preciosidades nem clássicos. Mais, não sei.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Livros, Bibliotecas e comportamento humano


Foi há pouco a leilão (5/12/15), na Sotheby's, uma boa parte do melhor da magnífica biblioteca que pertenceu ao advogado norte-americano Robert S. Pirie (1934-2015). O seu ex-libris, ou lema "I want, I want", ilustra bem a difícil fronteira entre o bibliófilo ponderado e o guloso comprador e coleccionador de livros, dominado por um desejo imoderado de aquisição.
No mesmo registo, mas em tom distinto, o último TLS (nº 5879) traz, a propósito da recensão do livro The Meaning of the Library, de Alice Crawford, algumas considerações muito interessantes de Alberto Manguel sobre o comportamento humano, no que diz respeito a bibliotecas e aos livros. Pela qualidade do texto, resolvi traduzir o seu início. Como se segue:
"Somos, intrinsecamente, animais nostálgicos para quem o luto é um sinal de reconhecimento. O nosso tom preferido é a elegia. Enquanto alguém ou alguma coisa está presente, prestamos-lhe pouca atenção, mas quando pressentimos que vai desaparecer, sentimo-nos irresistivelmente atraídos para as suas ruínas. Os exemplos são muitos. Quando, em meados do século XX, o automóvel se tornou o principal meio de transporte humano, Bill Bowerman, um instrutor de Educação Física da Universidade de Oregon, publicou Jogging, o primeiro livro que celebrava a benéfica utilização dos nossos próprios pés e andamento. Algumas, poucas, décadas depois do cinema se ter tornado o entertenimento favorito do ser humano, o teatro, considerado moribundo, foi reactivado, reexaminado e redefinido por Stanislavski, Brecht e Artaud. E, em finais do século XV, quando a recente invenção da Imprensa parecia ameaçar a sobrevivência do manuscrito, manuais de caligrafia começaram a pulular, colecções de cartas (como as de Cícero) tornaram-se best-sellers, e os escribas produziram manuscritos inúmeros, copiando, para ávidos coleccionadores, os textos de livros recentemente publicados. ..."

domingo, 26 de julho de 2015

terça-feira, 24 de março de 2015

Das minhas bibliotecas alheias


Alberto Manguel (1948), na sua Uma História da Leitura (Presença, 1998), a páginas tantas, fala de algumas bibliotecas que, particularmente, lhe agradaram (Huntington, British Library, BNF...), e que frequentou, em alguns períodos da sua existência.
Ora, por associação, fiz eu próprio o meu trabalho de casa: recordei as bibliotecas da minha vida. E, curiosamente, lembrei-me também daquilo que me ficou (autores) do que lá li, e que a essas bibliotecas me ficou gravado, na memória. Segue pois a lista, por ordem cronológica:
1. Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento (Guimarães); onde li, principalmente, Francisco Manuel de Melo.
2. Biblioteca (nova) da Universidade de Coimbra, onde tomei contacto primeiro com os modernistas portugueses (Almada, Sá-Carneiro e Pessoa).
3. Biblioteca Municipal Palácio Galveias, ao Campo Pequeno (Lisboa), para ler Shakespeare.
4. Biblioteca Pública de Évora, onde, maravilhado, manuseei e li cartas manuscritas do poeta João Xavier de Matos, endereçadas a Fr. Manuel do Cenáculo.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Apontamento 54: É de Almanaque !



Todos os que frequentam bibliotecas, nacionais ou estrangeiras, públicas ou privadas, sem esquecer uma espécie muito especial que, por cá, se chama Arquivo Nacional, já estabeleceram, por força das circunstâncias, preferências em função dos serviços prestados aos leitores.
 Embora com procedimentos próprios de cada instituição, o balanço geral é positivo. O atendimento, presencial ou à distância, é prestado por funcionários que, normalmente, têm a noção do seu papel na divulgação do acervo. Existem, obviamente, casos de excelência que nos fornecem informações preciosas.
Por outro lado, também se gravam na memória os casos em que a instituição se fecha ao exterior, sem a mínima noção relativamente à razão da sua existência. Nestes casos, o acesso presencial é vedado. As respostas a pedidos de informação – ou confirmação sobre obras do seu acervo – são nulas.
E também há casos que são de “Almanaque”, como a resposta que recebi hoje, da Biblioteca Nacional do Brasil, ou seja, a Fundação Biblioteca Nacional, e que reza assim:

“A consulta bibliográfica é presencial.
Venha à Fundação Biblbioteca [sic] Nacional”


Pedia, apenas, a confirmação de uma determinada obra no acervo da respectiva biblioteca, fornecendo a cota, com uma mensagem electrónica identificada com a abreviatura: pt, i.e., para bom entendedor, Portugal. Bem sei, e se quisesse ou pudesse, que a consulta de obras raras é presencial.
Pergunto, no entanto, se o/a menino(a) que respondeu – e sei lá quem seja –  saberá onde fica Portugal ? Porque se ficasse ao virar da esquina da Fundação Biblioteca Nacional não teria, certamente, enviado qualquer pedido de esclarecimento.


Post de HMJ, dedicado a JAD, num dia especial

domingo, 15 de junho de 2014

A biblioteca de Alberto Manguel

Quase no início deste vídeo, e antes de passar a falar de livros (a sua biblioteca conta cerca de 40.000 obras), Alberto Manguel (1948), escritor argentino naturalizado canadiano (a viver em França, presentemente) tem uma frase fascinante:
"Uma biblioteca não é feita para nos encontrarmos, mas para nos perdermos."