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terça-feira, 5 de agosto de 2025

Inventário

 

Sempre gostei, por curiosidade especializada, de saber pormenores sobre bibliotecas alheias. O TLS nº 6364 (pg. 28) satisfez-me, recentemente, essa vontade. Traduzindo, do artigo: " A biblioteca de Napoleão em Santa Helena constava de 3.488 volumes, dos quais 1.887 títulos tinham sido fornecidos pelo governo britânico."
O que para os 6 anos que passou na ilha, provavelmente, foram demais, quanto a leituras...

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Camiliana

 

Por coincidência curiosa, num pequeno período de tempo, adquiri três livros de e sobre Camilo Castelo Branco (1825-1890). Ora, para além de uma larga estante independente que alberga a colecção Vampiro, a XIS e outros livros policiais, com cerca de mil pequenos volumes, Camilo é o único autor que goza de uma confortável autonomia no arrumo da sua obra, num só armário aberto, com quatro prateleiras, de 1,05 m. de altura x 40 cm. de largura e 28 cm. de fundo, onde se encontram também estudos camilianos ou correlativos. É sem dúvida o escritor português que maior espaço ocupa na minha biblioteca. Eça, nem sequer se aproxima.
Dizia Óscar Lopes (1917-2013): "E continua a haver quem seja camiliólatra ou queirosólatra, não digamos que com a mesma paixão de um benfiquista ou sportinguista..." Não será o meu caso*, certamente, mas a superfície camiliana terá a sua importância no deve e haver bibliográfico da biblioteca. E recordo que a primeira novela que li de Camilo terá sido "O Retrato de Ricardina".

* há alguma proximidade de registos numéricos, no Arpose: Eça tem 68 entradas e Camilo 75. 

Para remate, gostaria de trazer aqui à colação uma pequena reflexão realista de João de Araújo Correia, inserta em "Uma sombra picada das bexigas" (pg. 120), assim: "No tempo de Camilo, pouca gente saberia ler. Mas se não lia mais do que hoje, lia muito melhor."

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Da leitura (53)



Como se segue:

"Não é caso único: a Octavio Paz, no fim da vida, ardeu-lhe uma biblioteca cheia de raridades bibliográficas; e o italiano Giovanni Papini perdeu os seus livros, que estavam numa cave, durante umas cheias.Todas as vidas têm um fundamento material, mas a vida de um escritor é quase só papel, um suporte duradouro mas exposto a tantos perigos e inimigos. Perder uma biblioteca é de certo modo perder tudo, o maior pesadelo para quem fez dos livros a sua vida."

Pedro Mexia (1972), in Biblioteca (pg. 236).

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Dos livros inacessíveis



A exclusão começa, habitualmente, pelas estantes mais altas, enquanto ainda flectimos os joelhos com alguma facilidade, para chegarmos às prateleiras mais rentes ao chão. As de cima acabam por ser sacrificadas porque exigem alguns peparativos e a presença de um escadote para lá chegar, além de algum equilíbrio físico pessoal.
Como a parede, do lado esquerdo superior do escritório, se inicia cronologicamente, e pela prosa, os autores menos acessíveis e sacrificados à releitura acabam por vir a ser D. Duarte, Gil Vicente, Francisco Manuel de Melo, Frei Pantaleão de Aveiro... Escapa, felizmente, Fernão Lopes, dado que a História se encontra noutra zona da casa, no corredor.
Não há dúvida que os escritores das estantes intermédias acabam por ser os mais afortunados e frequentados...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

J. R. Jiménez (1881-1958)

 


Biblioteca Mia


Que a obra a si própria não se sinta,

que não entenda sequer

sua formosura! 

                         Nem mesmo o sol se sente,

 e temos dele inveja, o imortal? -

                          Ah! os livros

assim sozinhos, quando vou p'ra longe

- o sol assim fica, lento e cego, a iluminá-los

e nós que os trazemos no olhar!



Juan Ramón Jiménez, in  Poesía (1917-1923).

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Rearrumações


Camilo mudou de sítio e a Revista de Guimarães ganhou região autónoma, na nova estante do átrio. No entretanto, não consegui descobrir os dois primeiros Lobo Antunes, que ainda li, e não mais comprei. No local certo, das antigas estantes, não os encontro. Reapareceram-me, no entanto, obras esquecidas, como uns contos de Tchekhov (1860-1904), editados pela Atlântida (Coimbra, 1962), que agora ando a ler (ou reler?) com gosto e devagar, embora sejam bem pequenas as narrativas.
As novas estantes, milagrosas, não estão ainda cheias, mas olho, com algum desconsolo, para a secretária onde repousa uma parafernália de coisas e restos soltos que tenho dificuldade em voltar a arrumar em sítios convenientes. E que também não consigo imaginar-me a pôr no lixo...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

A biblioteca de Raul Brandão


Uma biblioteca define, de algum modo, os gostos e, porventura, a maneira de ser do seu proprietário.
Foi por isso que, com alguma curiosidade, folheei o inventário da biblioteca de Raul Brandão (1867-1930), inserto na Revista de Guimarães (Volume LXXXIX, Jan--Dez. de 1979), biblioteca que, por disposição testamentária do Escritor, teria ficado à guarda da Sociedade Martins Sarmento. Só a partir de 1979,  isso aconteceu, por demora dos herdeiros em cumprirem a sua vontade, atempadamente. Uma vez que a viúva, Maria Angelina Brandão, teria falecido por volta de 1964.
O acervo é de média dimensão e, para lá dos livros portugueses, há bastantes volumes em língua francesa. Mesmo os volumes das obras de William Shakespeare (10), Dickens (8), Stevenson (6) e de Joseph Conrad (4), autores de língua inglesa, são versões em francês. Bem como as obras de Tolstoi (10), e Dostoievsky (7). Dos escritores gauleses representados, o maior número pertence a Balzac, com 25 livros, seguido de Anatole France (11), Michelet, Alexandre Dumas e Moliére, com 9 volumes, cada. Stendhal, com 8 livros e Paul Bourget, com 7.
Mas a minha grande surpresa, deu-se com os escritores portugueses. Do poeta, hoje esquecido, António Correia de Oliveira, havia 17 livros, na biblioteca de Raul Brandão - provavelmente eram amigos. Seguido por 12 livros de João Grave e 7 obras de Camilo. Junqueiro e António Sérgio (5), Pascoaes, Fialho de Almeida e Garrett, representados por 4 livros, cada. Seguia-se Aquilino Ribeiro, com apenas 3 obras. E não faltava, também, o polémico e escandaloso na altura, O Marquez de Bacalhoa, de António de Albuquerque, publicado em 1904.
Em síntese, eram estas  as leituras de Raul Brandão, na sua Casa do Alto, em Nespereira (Guimarães).

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Livros que levaram sumiço


Não terão sido mais de quatro, os livros que desapareceram misteriosamente (ou quase) da minha biblioteca, ao longo da vida. Mas tenho uma hipótese de explicação para cada um dos casos.
Dois deles, de Mário-Henrique Leiria (1923-1980), eram primeiras edições (Contos... e Novos Contos do Gin-Tonic), e creio tê-los deixado esquecidos, numa noite fria, num banco de uma paragem de autocarro outrabandista, ou no pequeno balcão de um quiosque. Distraidíssimo ou aéreo, que eu devia estar, mas já não voltei atrás, porque a noite ia alta. E já os tinha lido, com gosto.
Quanto às Cryptinas, de João de Deus (1830-1896), folheto finíssimo de 16 páginas, na sua impressão original (1881?), com poemas quase fesceninos do poeta português, depois de lido, iria jurar que o meti no grosso volume das Epanáforas, de Francisco Manuel de Melo (1608-1666). Mas deu-lhes o sumiço, às Cryptinas, porque, meses depois e folheadas uma a uma as páginas das Epanáforas, nunca mais encontrei o raro folheto.
Finalmente, o último e mais recente desaparecimento, deu-se nos primeiros meses de 1986. Eu tinha, autografado e com dedicatória, de Eugénio de Andrade (1923-2005), Os Afluentes do Silêncio (1968). Gostava tanto daquela linfa lírica de água clara que, a algumas visitas particulares que me iam a casa, eu costuma ler-lhes passagens escolhidas da obra. E, uma Senhora, de uma vez que me ausentei, deve ter-se tentado e levou-me o livro... Pagou-se assim do encontro e, como nos desencontrámos, pouco depois, nunca mais recuperei o exemplar autografado.
Comprei, anos passados, um outro exemplar, usado, esse já sem dedicatória de Eugénio de Andrade.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Cronologia e afinidades


Há muito de natural que nasce, em nós, das decisões primeiras e matriciais. E, depois, continua, porque está certo e está de acordo com o nosso sentimento ou razão mais profundos.
A ordem cronológica (e de cima para baixo) sempre presidiu à minha arrumação dos livros. Pela quantidade, a certa altura, tive necessidade de criar espaços distintos para as várias temáticas: Literatura portuguesa (subdividida em prosa e poesia), História, Ensaio e Filosofia, Literaturas estrangeiras, Monografias, etc. Com os policiais, à parte, numa pequena estante que me vem da juventude.
E, hoje, lembrei-me destes factos por causa de uma citação inserida na crónica de António Guerreiro, na revista ípsilon. Regista ele: "...Nela (Biblioteca de Warburg), os livros estavam ordenados não pelas regras da biblioteconomia mas segundo o «princípio de boa vizinhança»..." Pois eu faço o mesmo, principalmente, com os autores portugueses: Sá de Miranda, na prateleira, está entre Bernardim Ribeiro e Diogo Bernardes; Herculano com Garrett, Alberto de Oliveira fica junto de António Nobre (foram grandes amigos), Herberto Helder na companhia de O'Neill e Cesariny. Até as minhas poucas coisas ficam ao lado dos livros do meu bom amigo António...

para MR, que bem compreenderá...