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quinta-feira, 5 de março de 2026

Bibliofilia 230

 

Alentejano de gema, António de Macedo Papança (1852-1913), que foi nomeado Conde de Monsaraz pelo rei D. Luís, publicou o seu primeiro livro de versos, Crepusculares, em Coimbra, no ano de 1876. A obra grangeou-lhe apreço e popularidade, pela sua qualidade, embora com algum tom de raiz regionalista, filiando-o como naturalista e parnasiano. O poeta teve também relações de boa amizade com Cesário Verde.



Hoje é, porém, um poeta esquecido e creio que, de há muito, não é reeditado. O meu exemplar, considerado muito raro pelo alfarrabista que mo vendeu (Esc. 780$00), em finais do século XX, está em bom estado, tendo dedicatória, do autor, a António Maria Seabra de Albuquerque (1820-1892), que foi funcionário da Imprensa da U. de Coimbra e autor de diversas obras históricas e genealógicas. As palavras da oferta estão datadas de Reguengos (de Monsaraz) a 27/8/80.



Exemplares semelhantes tiveram, em leilão, preços diversos, que foram de 40 euros (Livraria Académica) até 50 euros (Livraria Esquina, Porto).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Saber esperar

 

Ao longo da minha vida, comprei alguns livros a preços excessivos, por vezes. Isso deveu-se à urgência de eu ter determinada obra à mão, para estudo, ou à passagem de alguma data comemorativa referente ao autor, que encarecia o produto, temporariamente. Em finais do século XX, as Obras de Sá de Miranda, na sua primeira edição (1595) atingiram um pico bastante alto de preço pela passagem do 4º centenário da sua impressão por Manuel de Lyra, em Lisboa.
Outro exemplo notório de procura e alta de preço deu-se com a Mensagem (1934), de Fernando Pessoa, cuja edição terá sido de 600 exemplares,  de que damos a evolução de valores, ao longo do tempo, e que muito recentemente tinha, na leiloeira ANNO QUARTO, uma estimativa de venda de 2.000 euros. Pois os mais recentes exemplares, saíram assim:

- Leiloeira de Serralves 2011 : 2.500 euros.
- Livraria Castro & Silva : 10.000 euros.
- Bestnet : 4.800 euros.
- José Vicente Leilões, 2019 : 27.850 euros (edição escrita à máquina, com dedicatória manuscrita do poeta para a  irmã).

As variações de preços acabam por ser difíceis de explicar...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Bibliofilia 229

 

É um dicionário monumental, este de Jean-Yves Dournon (1928-2011), reputado lexicógrafo francês, que coligiu 10.000 citações de 850 autores de língua francesa, em 910 páginas de um grosso volume, editado em 1982.
Certamente que já houve melhores tempos para dicionários e enciclopédias, antes porém que a internet viesse ocupar o seu lugar, embora com menos credibilidade. Isso explica talvez que esta obra, usada, me tenha custado apenas 7,5 euros. Posso acrescentar que o livro me tem dado imenso jeito...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

De um livro rejeitado de E. de. A.

 

Em geminação com a Livraria Lumière, que se lembrou do aniversário de Eugénio de Andrade (1923-2005), hoje, aqui deixo um pequeno e singelo poema do terceiro livro (Pureza, 1945) do Poeta, menos conhecido, pois não mais foi reeditado.

Madrigal

Coisinha frágil...:
Teu corpo perdeu-se
no meu coração.

Queres encontrá-lo?
- Tenho-o fechado
na minha mão.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Bibliofilia 228

 


É um livrinho estimado, bem encadernado, e que adquiri em finais dos anos 80 do século passado, em Lisboa, por Esc. 780$00, ao sr. Tarcísio Trindade, na rua do Alecrim. Curiosamente, a obra não consta, ao que parece, dos arquivos da BNF.
O seu autor, Raphael E. M. de Noter (1857-1936), belga naturalizado francês, era um linguista, mas também biólogo e agrónomo. Esta obra, sobre o calão francês, foi editada em 1901. Desta mesma impressão, em leilão do Palácio do Correio Velho (lote 140), em 2021, constava um exemplar, com uma estimativa de venda entre 15 a 30 euros.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Bibliofilia 227

 


Não será rara nem cara esta obrinha de 48 páginas, em imagem acima, pois se trata de uma impressão  facsimilada de uma edição de 1918 (tiragem de 100 exemplares), que Edgar Prestage promoveu, tendo por base o original Craesbeekiano de 1658, dedicado à rainha D. Luisa de Gusmão (1613-1666).
Este meu exemplar é de 1940, integrado na colecção dos centenários da Restauração, que hoje se comemora, e foi organizado pelo prof. M. Lopes d'Almeida (Coimbra), mais tarde ministro da Educação.
Do texto se diz que terá sido ditado por João Rodrigues de Sá e Menezes (1619-1658), 3º conde de Penaguião, ao Padre Vicente de Guzman Soarez (1606-1675), que, por sua vez, o escreveu. E bem.



sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Ainda Eugénio

 

Por opção e exclusão pessoal não mais voltaram a editar-se as primeiras três obras de Eugénio de Andrade (1923-2005): Narciso (1940), Adolescente (1942) e Pureza (1945), sendo que a sua bibliografia canónica se inicia, na prática, com As Mãos e os Frutos, publicado em 1948. Muito embora o Poeta venha a recuperar, em 1978, 9 poemas desses livros iniciais sob o título de Primeiros Poemas, que agrupou com os dois livros já reconhecidos, numa edição conjunta da editora Limiar (Inova).
Assim, pareceu-me interessante reproduzir por imagem dois pequenos poemas de Pureza, cuja frescura juvenil deverá interessar conhecer àqueles que apreciam a poesia de Eugénio de Andrade. E que o Poeta, lá do alto, me perdoe a ousadia atrevida.


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Bibliofilia 226

 


A alguns poderá parecer quase um sacrilégio eu escrever que não aprecio, grandemente, a poesia de Antero de Quental (1842-1891), talvez por ele ter ficado a meio caminho entre pró-filósofo (a que não chegou) e poeta pouco inspirado, para o meu gosto. Fiz, no entanto, um esforço por ler toda a sua poesia.



E um dos últimos livros que li foi o póstumo (1892) Raios de Extincta Luz, que Teófilo Braga editou em Lisboa. O meu exemplar encadernado em meia francesa encontra-se em excelentes condições. Comprei-o na rua do Alecrim, nº 44, ao sr. Tarcísio Tindade, por Esc. 2.800$00, em finais do século XX. 



Esta primeira edição de Antero de Quental não aparece muito à venda, em leilões ou alfarrabistas. Os últimos exemplares foram vendidos por 50 e 140 euros, também encadernados, já no presente século.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Bibliofilia 225



Não é todos os dias que fico surpreendido com uma encadernação. Se não erro, quatro ou cinco me ficaram na memória, e duas delas tinham a marca do artesão profissional que as fez. Esta, da imagem acima e que me foi oferecida (Obrigado, H. N.), é anónima, mas uma linda obra executada.
O estudo, de Jacinto do Pado Coelho (1920-1984), sobre o poeta João Xavier de Matos (1730?-1789), é o mais extenso e completo trabalho que conheço sobre o vate, embora contenha uma ou duas imprecisões, que não desmerecem o valor do conjunto das 36 páginas integradas na miscelânea.



quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Bibliofilia 224

 

Esta obra Laura de Anfriso (1788), do licenciado Manuel da Veiga Tagarro, é um livro esquecido, de poesia, apesar das cadências suaves e harmoniosas dos seus versos. Barbosa Machado dá o autor como natural de Évora e nascido a 6 de Abril de 1597, bem como falecido na mesma cidade no dia 19 de Novembro de 1655. Outros estudiosos são mais prudentes, quanto a certezas, e há quem sinalize a sua morte no ano de 1640. O poeta terá tido, muito provavelmente, uma carreira eclesiástica. 
A primeira edição da sua única obra foi impressa em 1627 (1628) e é raríssima. A segunda, portada em imagem acima (do meu exemplar), é a rolandiana, de 1788, ainda rara. Que eu saiba Manuel da Veiga Tagarro não mais foi reeditado. Dele falaram  Maria de Lurdes Belchior, Jacinto do Prado Coelho e Aguiar e Silva. E há um extenso e importante trabalho de Helena Barbas, de 1990, sobre o poeta eborense.



A sua classificação em escolas literárias é muito desencontrada. Há quem o dê como barroco, maneirista, mas também quem lhe atribua pendores de pré-romantismo e/ou neo-clássico - com que estarei mais de acordo.
O meu exemplar da segunda impressão, em perfeitísimas condições, encadernação da época inteira de carneira, foi adquirido no leilão de Outono de 1993, dos Silva's/Pedro de Azevedo (lote 1603), por Esc. 10.053$00. Inocêncio refere o autor no tomo IV do seu Dicionário (pg. 122) e Samodães, sob o nº 3469.
Anote-se, por curiosidade, que Fernando Pessoa apreciava a obra poética de M. da V. Tagarro.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Da Holanda

 

O lado visionário e paradoxal da obra do holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972) está profusamente documentada neste livro da Taschen que teve a sua versão (2008) portuguesa, fielmente reproduzida da original, e que tem a vantagem de todas as gravuras serem acompanhadas de um texto alusivo e/ou explicativo do seu autor.



A xilogravura 7. Sonho (1935) é legendada pelas seguintes palavras de Escher: " sonha o bispo com um louva-a-deus, ou é toda a representação um sonho do artista?"


Grato reconhecimento a H. N.

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Bibliofilia 223



Já por aqui falei  de M. Moleiro Editor, sediado em Barcelona e com delegação em Madrid.
Ciclicamente, recebo encartes que dão conta, por imagem e texto, das reproduções que fazem, para venda, de livros preciosos e raros de vários países. Neste último encarte que recebi, anunciam a edição facsimilada do Atlas de Fernão Vaz Dourado (1571), que consta do acervo da Torre do Tombo.
O editor Moleiro está presente na Feira do Livro de Lisboa no pavilhão D38, até 22 de Junho de 2025. 



terça-feira, 10 de junho de 2025

Curiosidades 112

 

Em imagem, dois livros estrangeiros que vieram de longe e que têm em comum o facto de eu nunca os ter lido completamente. Acompanham-me desde 1963. Se a obra de teatro de Brecht (1898-1956) me foi oferecida, o calhamaço (1.600 páginas) do historiador e jornalista Shirer (1904-1993) comprei-o em Paris, em Setembro desse ano, por 11,35 francos  franceses. Julgo que ainda é considerado um clássico para a história do nazismo.
Por várias razões subjectivas tenho-os em particular estima.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Osmose 144



Foi um homem das arábias, este Frei António das Chagas (1631-1682), cujo nome original era António da Fonseca Soares, nascido na Vidigueira e fundador do convento de Varatojo. Soldado implacável, por alguns anos, no Brasil, por aí foi conhecido como Capitão Bonina. Quem dele, falou com propriedade de investigação literária, foi Mª. de Lourdes Belchior. Nunca foi meu poeta predilecto pelo abuso de barroquismo dos seus versos, mas acabo de sinalizar a compra das suas Cartas Espirituais ( 2ª. edição, de 1701) na Livraria Lumière (Porto).
Não tendo sido barata a aquisição, interessava-me estudar-lhe melhor a obra, para lá do volume da Sá da Costa que tenho na minha bibiblioteca. A ver vamos...



quarta-feira, 14 de maio de 2025

Bibliofilia 222

 

Houve um tempo em que foi moda a fotobiografia sobre escritores, depois acabaram por se terem esgotado os fotografáveis merecedores. Esta obra acima, com imagem de capa, de António Nobre (1867-1900), foi editada em Setembro de 2001, com orientação competente de Mário Cláudio (1941). Textos e citações do poeta apropriados, e com um aparato iconográfico notável, bem merece ser recordada aqui, pela sua qualidade.
Ou não fosse Nobre um dos meus poetas portugueses preferidos.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

A propósito de Sá de Miranda

 


Numa recente lista de novidades, o livreiro-alfarrabista Luis Gomes anuncia, no seu lote 26814, a venda de uma edição de As Obras do Doutor Francisco de SAA..., impressa em Lisboa, no ano de 1677, à custa de Antonio Leite. Esta impressão de As Obras é referida como sendo a quarta, embora o especialista e investigador Pina Martins a considere como a quinta, nesta sequência cronológica: 1595, 1614, 1632, 1651, 1677.
Rectificação que considero oportuna neste que é considerado o Dia Mundial do Livro.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Uma louvável iniciativa 66

 

Se a pequena tiragem original de 200 exemplares de O Livro de Cesário Verde, editado pelo seu amigo Silva Pinto, em 1887, justifica a rareza e preço da obra em leilões e nos alfarrarrabistas, alguns autores e obras, no século passado, ganharam o favor bibliófilo insólito de raridades, e ainda hoje são caros, sem razão aparente. Estão neste caso, alguns dos livros de Herberto Helder e de Luiz Pacheco.
O jornal Público deu a notícia agradável, ontem: um coleccionador entusiasta, embora discreto e anónimo, promoveu com o patrocínio da Livraria Buchholz, uma exposição que abrange toda a obra editada de Herberto Helder (1930-2015)., totalizando 60 títulos. A mostra pode ser visitada até 21 de Maio de 2025.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Dia Mundial da Poesia



Oportuna lembrança esta que a casa Vicente Leilões promoveu, hoje, para o Dia da Poesia, levando a leilão mais de uma centena de livros de poemas, alguns de grande raridade. Resolvi escolher quatro deles, bem como a sua estimativa de preço, para destacar, neste poste.
Acima, este primeiro livro de Raul Leal (lote 99) que tinha uma base inicial de 120 euros.



A segunda, é a única primeira emissão que eu não tenho e que foi editada em Paris, em 1892, numa tiragem de apenas 250 exemplares, por António Nobre. Mas possuo a edição facsimilada que José Augusto Seabra (1937-2004) mandou fazer pelo centenário da obra, em 1982. A edição original tem uma estimativa de 1.000 euros (lote 112), neste leilão.


Há muito na minha posse, está a edição primeira  de Clepsydra (1920), de Camilo Pessanha. Que, neste leilão (lote 123), tem uma estimativa de 500 euros. Em Outubro de 1994, um exemplar semelhante, muito bem encadernado, custou-me Esc. 20.000$00,  num alfarrabista da rua do Alecrim.



Finalmente o lote 139, de António Diniz da Cruz e Silva, O Hyssope (1802), com local de impressão em Londres mas, na realidade, impresso em Paris, na sua edição original, tem uma estimativa de venda de 50 euros iniciais.






domingo, 16 de março de 2025

Pelo bicentenário camiliano

 




Não quis deixar passar a data do bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco (1825-1890), sem registar a efeméride através da reprodução de duas das capas maneirinhas da edição* que mais aprecio, que é a da Travessa da Queimada, 35, Lisboa (ainda do séc. XIX).
E por aqui venho relembrar o originalíssimo e insólito início de Scenas Contemporâneas (1855), assim:
"Os meus amigos de certo não sabem o que é caçar coelhos na neve?
Não admira.
Imaginem-se em qualquer aldeia, nas vizinhanças do Marão. Olhem em redor de si, e contemplem o quadro que os viajantes na Suissa lhes descrevem todos os dias, supposto que nunca sahissem da sua terra.
A primeira impressão que recebem é a do assombro. Leguas em roda, nem na terra nem no céo, se descobre uma crista de rochedo, a frança de uma arvore, a dobra de uma nuvem, que não seja brança, alvissima, desde um horisonte a outro horisonte." (...)


* Esta edição, promovida pelo editor Pedro Corrêa (s. d. - 1889-1893?) é constituída por 37 títulos camilianos em 43 volumes.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Bibliofilia 221

 

Com algumas pouco consentâneas inscrições a tinta, nomeadamente a marca de posse de Manuel Bernardes Branco (1832-1900), esta segunda edição (1786) de Affonso Africano, de Vasco Mousinho de Quebedo (1560?-1620?), não deixa de ser rara. O seu anterior proprietário, professor de línguas e de liceu no Porto, foi autor da importante obra Portugal e os Estrangeiros (1879/1895), em 5 volumes.
A edição original daquele poema heróico foi editada em 1611 e é muito rara, embora esta epopeia em doze cantos, hoje em dia, não concite, provavelmente, grande interesse senão dos estudiosos e investigadores de literatura portuguesa.



Este meu exemplar tem o miolo interior em muito boas condições e custou-me Esc. 4.500$00, nos anos 80 do século passado. Em Março de 1999, a leiloeira Silva's tinha à venda um exemplar semelhante (lote 679) com uma estimativa de venda entre 12 e 18.000$00.
A terceira edição deste poema heróico, rolandiana, veio a sair em 1844. Creio que a obra não mais foi reeditada.