Mostrar mensagens com a etiqueta Bestiários. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bestiários. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de março de 2024

Releituras

 

Foram leituras gratificantes as que fiz, no passado, do francês Maurice Genevoix (1890-1980). Os bestiários, Terno (1989) e Encantado (1991) vertidos para português, na Cotovia, em boas traduções de José Dinis Fidalgo (1960). Mais tarde vim a ler, na edição original, das Éditions du Seuil, uma singular autobiografia Trente mille jours (1980), do escritor.



Aqui deixo, do primeiro destes singulares bestiários, um pequeno extracto do texto sobre a garça-real, que estive a reler:

" - La Fontaine descreve-a correctamente, «sobre os seus longos pés deslocando-se não sei para onde, a garça-real de bico comprido encabado num comprido pescoço». Porém, a garça-real sabe muito bem para onde se dirige. Mesmo se lhe acontece engolir um caracol, não foi por a pesca ter redundado num vergonhoso desaire, é que o seu apetite hereditário pela carne da carpa ou do lúcio (ainda continuo a tomar La Fontaine por referência), não a impede de modo algum de apreciar a carne untuosa do caracol. Que pensariam disto os apreciadores de caracóis?" (pg.53)

Do belo livro, eu destacaria ainda, por impressivos, os pequenos capítulos dedicados ao Castor, ao Javali e ao Matadouro, bem como os que falam do Ouriço-cacheiro e do Vairão.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Do Fabulário, de Mário de Carvalho


Com a devida vénia:
"Dizia a Louva-a-Deus: 
- Ao pé de mim todos ficam tranquilos.
E apontava com a patita o seu ninho, coberto de quedas carcaças, devoradas."

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Do "Bestiário", de Leonardo da Vinci


Muitos autores escreveram bestiários. Retenho dois, de que gosto particularmente: de Maurice Genevoix (que a propósito do Vairão, até fala de Chaim Soutine, pintor muito da minha preferência) e de Leonardo da Vinci. Na imagem do poste, o quadro de Da Vinci que mais aprecio: "Senhora com um arminho", que está no Museu de Cracóvia (Polónia). O quadro já consta do arquivo do Arpose, mas foi posto há mais de um ano, e é tempo de o recordar. Seguem-se, então, algumas transcrições do "Bestiário" de Leonardo da Vinci:
35. Moderação
O arminho pela sua moderação apenas come uma vez por dia e prefere deixar-se apanhar pelos caçadores a fugir para a sua toca se estiver enlameada, a fim de não macular a sua pureza.
95. Camaleão
Este apanha sempre a cor da coisa onde pousa; por isso, juntamente com os ramos onde pousam, muitas vezes são devorados pelos elefantes.
97. Dos Pressentimentos
O galo não canta se antes por três vezes não bater as asas.
O papagaio, ao deslocar-se pelos ramos, só põe o pé onde antes já pôs o bico.