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domingo, 25 de dezembro de 2022

Antologia 13



Da escritora goesa Vimala Devi (1932), inserto no volume 12 (capa em imagem) da Antologia da Terra Portuguesa (Bertrand), citando, sobre o Natal em Goa, nas páginas 196/7, transcreve-se:

"O habitante de uma grande cidade, acostumado a multidões serpenteando por entre armazéns, lojas e pastelarias, na lufa-lufa de compras, de olhos arregalados para as montras repletas de brinquedos, doces e bugigangas, achará decerto o Natal de Goa muito monótono."
(...)
"Também em Goa, pobres e ricos, muito portuguêsmente, fazem presépio. Certas famílias, com alguma antecipação, semeiam nachinim, cereal que grela rapidamente em terra espalhada sobre uma pequena tábua. Quando as folhinhas começam a aparecer, formam um tapete verde, sobre o qual é armado o presépio de palha.
Ao contrário da Europa e da América, em nenhum lar goês se vê árvore de Natal. Por essa mesma razão, não há o costume de trocar presentes entre parentes e amigos. Durante toda a minha infância em Goa nunca recebi nem dei uma prenda de Natal. No entanto posso afirmar que, se alguma vez senti o verdadeiro simbolismo desse dia, foi precisamrnte aí."
(...)

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Em sequência de Simenon, e apoio iconográfico do poste anterior


Há tendência um pouco generalizada para esquecer os roman durs de Georges Simenon (1903-1989), em benefício dos extraordinariamente populares, ainda hoje, Maigret. É entendível e fácil de perceber.
Se os polar do escritor belga estão praticamente todos traduzidos na colecção Vampiro (73 volumes) e pela Bertrand (49 livros), dos durs, só uma pequena parte foi vertida para português.
Também a Bertrand publicou alguns e na colecção Miniatura se podem encontrar (hoje, só nos alfarrabistas, claro!...) quatro títulos (n.º 42, 83, 89 e 107), que aqui vão em imagem.
Agora reparem nas magníficas capas de Bernardo Marques (1898-1962) e comparem com a indigência estética que capeia grande parte dos livros que, hoje, se publicam em Portugal...


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Últimas aquisições (8)


Desta conhecida série  Antologia da Terra Portuguesa, editada como é frequente sem indicação de data - talvez  por razões obscuras e inconfessáveis - pela Bertrand, mas que julgo ter sido publicada nos anos 60, consegui adquirir por preço módico mais dois volumes (em imagem). Ficam assim a faltar-me apenas 5, dos 19 livros por que era composta a colecção.
Compreendendo textos em prosa e verso, à excepção de Lisboa, que foi desdobrada em dois (verso e prosa) livros, estas antologias têm como seleccionadores figuras de relevo e particularmente conhecedoras da região, província, cidades ou ex-colónias que são abordadas, com transcrições, por vezes, de autores menos conhecidos e locais, mas sempre interessantes no teor dos seus escritos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Há 46 anos...


Se eu disser que, em Braga, há 46 anos, amanheceu com céu limpo e foi um dia de calor, estou a falar verdade e com rigor. O passado, na nossa memória, regula-se e baliza-se por acontecimentos marcantes da nossa vida. Se me lembro que em 5/7/1970 esteve calor, isso é apenas um aspecto secundário de uma data importante, na minha vida. Que desencadeia um antes e um depois.
Acabei de ler, recentemente, o livro em imagem, na tradução portuguesa da Bertrand que me parece fraca e desleixada (houve, pelo menos 3 frases de que não percebi o sentido, a tradutora usou "repetidor" em vez de repetente, etc....), e cuja revisão foi descuidada, porque o livro apresenta inúmeras gralhas. Mesmo assim estas Memórias resistem, pela qualidade intrínseca do texto de Simone de Beauvoir (1908-1986).
O que me surpreendeu mais, no entanto, foi a minúcia com que S. de B. reconstruiu os tempos de infância e adolescência, numa altura em que já tinha 50 anos. Tudo me leva a crer que houve uma efabulação da realidade, consciente ou não. E que a ficção acabou por preencher os hiatos da memória, nesta autobiografia pormenorizada.  Como, muitas vezes, também a nós acontece...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Comprados de fresco


Cada vez mais, hoje em dia, os livros são descartáveis. Fazem montra nas livrarias, uma semana, ficam nos escaparates mais quinze dias e, passados poucos meses, vão enxamear as rimas das feiras de livros, nas estações do metro lisboeta ou nas estações da CP. Um ano depois são um peso morto para editores e livreiros. Não sei é quem paga este desperdício e voracidade...
Por várias razões, eu próprio raramente compro livros novos, tirando as obras de dois ou três escritores estrangeiros e quatro ou cinco poetas nacionais, que prezo. Ontem, foi o meu dia de "reabastecimento". Lá fui buscar o meu habitual TLS semanal e, depois, passei pelo meu alfarrabista de referência, onde vim a comprar 4 livros usados (3 vão em imagem). No total, e com o jornal inglês, gastei 13,80 euros.
O que gastaria, decerto, com apenas um daqueles "tijolos" (H. N. dixit), de capa horrível, que se oferecem, semanalmente, na montra da Bertrand, ao Chiado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Retro (6) : Almanaque



Não sei se hoje ainda se publica o Almanaque Bertrand, anual, que se iniciou no ano de 1899. No Minho havia, pelo menos, 2 almanaques: o de Santo António, de Braga, cuja primeira publicação datava de 1898, e o de Fafe, que era mais antigo, suponho, e se vendia muito para o Brasil, onde havia uma grande colónia de emigrantes fafenses que assim não perdiam , de todo, o contacto com a sua terra natal.
Os almanaques eram publicações instrutivas e recreativas, principalmente. Tinham palavras cruzadas, charadas, anedotas, provérbios (podem ver-se dois no rodapé das páginas) transcrições de autores de nomeada (na imagem, um texto de Aquilino Ribeiro), poemas e informações culturais, agrícolas e úteis, de vária ordem. Um manancial de leitura diversa, e de entretenimento para as famílias.