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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Bibliofilia 177


Nascido no Porto, a 4 de Agosto de 1872, Delfim Guimarães centrou a sua actividade multifacetada em Lisboa, vindo a falecer, a 6 de Julho de 1933, na Amadora. Em 1899, fundou a Guimarães Editores. Bibliófilo conceituado, estudioso e ensaísta, foi também poeta, mas está hoje esquecido.


Na sua editora publicou, de 1923 a 1928, 15 volumes do seu Arquivo Literário, repositório ainda hoje muito interessante, em que aborda vários temas de literatura portuguesa, com particular incidência nos nossos escritores quinhentistas, sobretudo Bernardim Ribeiro e Sá de Miranda. A propósito deste último, trava até uma educada polémica com Carolina Michaelis.
Comprei, em meados dos anos 80, 14 dos tomos por Esc. 3.200$00, que terão pertencido a Manuel Giraldes da Silva, anteriormente, conforme ex libris, em imagem abaixo.


Mais tarde, viria a adquirir o tomo XV, por Esc. 250$00, completando assim o conjunto.
Hoje, no seu leilão online, a Livraria Ecléctica tinha à venda o Arquivo Literário completo e encadernado. As licitações, na altura, tinham atingido os 65 euros, mas o leilão ainda não terminara.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Polas ribeiras dum rio..."


No cofre-forte, que era biblioteca, não se encontrava Bernardim nem Sá de Miranda, mas havia Camões, Torga e Botto, os dois últimos em primeiríssimas edições. E, como jóia da coroa, um pequeno fragmento iluminado do índice do "Leal Conselheiro", manuscrito, muito embora D. Duarte nunca por ali tivesse andado, que ele era mais de Leiria e do Lis, de Belas e da melancolia.
Da ampla sala, por cima dos livros, víamos do Guincho, quase até ao Cabo da Roca, que se adivinhava: todo o horizonte largo era de mar. Bernardim dissera: "Hiasse polas ribeiras...". E, realmente, antes, tinhamos passado pela ribeira de Barcarena, com nevoeiro, a da Laje, por entre chuviscos, a de Caparide, e já se viam embrulhados em neblina os píncaros de Sintra. No regresso, passaríamos ainda pela ribeira das Vinhas, que mal se via da estrada.
Vegetação acachapada e rasteira que ia crescendo, gradualmente, até se ver Lisboa, onde as ribeiras engrossavam o Tejo, para ele se entregar ao mar, no fim de tudo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Osmose (11)


Poderia chamar-se "menina dos olhos verdes", até porque trazia consigo a memória de Bernardim (na edição de Birkmann), muito embora ele nem gostasse muito da obra desse alentejano do Torrão. Mas a varanda tinha, nessa altura, o horizonte vasto, intemporal e aberto a qualquer ficção que lhe quisessem dar. Ele ficou à esquerda, ela, à direita, como manda a regra. E a quinta abandonada ficava em frente, ainda não urbanizada: com o poço, as velhas oliveiras retorcidas, os saltões, as aves livres pelo céu infinito, a casa em ruínas, lá mais para leste. Os verdes confundiam-se, pela paisagem, nesse fim de Verão.
Ambos traziam o "coração inacabado" (julgo eu).
E daí começaram oaristos intermináveis.
Dela, e desse tempo no Tempo, o homem recorda o seu corpo grácil e um tom de voz, um pouco áspero, que tanto poderia ser de ironia ( pelo sorriso do rosto) ou timidez, como de afirmação veemente que vai crescendo na vontade. E o ritmo dela, também lhe pareceu excessivamente lento para o seu gosto - mais rápido, emotivo e ousado.
Mas com o tempo, o homem veio a compreender que o amor se vai construindo devagar.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Animais de estimação literários 2






Na sequência do anterior "post" com o mesmo tema e da gentil contribuição de MR (com António Osório - gato) e HMJ (com o rouxinol de Bernardim Ribeiro), nos comentários, a quem agradeço, verifiquei um esquecimento imperdoável e injusto, da minha parte. Então não é que me esqueci do "Porquinho-da-Índia" de Manuel Bandeira?! Em desagravo do Poeta brasileiro e em agradecimento às contribuintes do "Arpose", aqui vai o poema:

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-Índia.
Que dor de coração eu tinha
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não se importava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...


- O meu porquinho-da-Índia foi a minha primeira namorada.