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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Miscelânea sacro-profana, ou a sabedoria de sair a tempo...


Não foi com absoluta indiferença que, hoje, soube que José Mourinho foi despedido do Manchester United, apesar do futebol não constituir, para mim, um motivo de especial atenção e interesse crucial.
Muitas batalhas se ganharam com simuladas retiradas, seguidas de contra-ofensivas - é da História. Mas, a arte de sair ou de retirar a tempo, implica um desapego e uma sabedoria de que poucos são capazes. Até Napoleão, grande estratego, nem sempre a soube exercer com frieza e inteligência.
Por isso, as atitudes de Álvaro Cunhal e de Bento XVI, que hoje relembro, merecem todo o meu respeito.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Historinha, quase uma fábula


Andam, por aí, muitos profetas da desgraça invocando os demónios mas, no antigamente, na vida, havia 3 classes no Mundo: os reis, que habitavam o Paraíso, a classe intermédia que morava no Purgatório, e os pobres que se arrastavam pelo Inferno. Então, houve alguém que, num passe de mágica e, filosoficamente, resolveu transferir estas paragens deterministas para o Além, ou para o reino do éter ou dos céus, numa outra vida, improvável. Durante séculos, este precário equilíbrio foi-se mantendo inalterável.
Até que um papa, de nome Bento, resolveu acabar com o Purgatório ou com a ideia dele. E foi assim que começou o  declínio, ou a desaparição gradual da classe média.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Pot-pourri, torres de marfim, ou a temática do dia


Às vezes, a dispersão de espírito tem a sabedoria empírica de convergir, ao começo da noite, naturalmente, para conclusões simples, talvez um pouco rudes que se aproximam do irracional aparente, mas que não deixam de ser verdade e traduzem, liminarmente, a colheita do dia. Sigamo-las:
a) O Primeiro-ministro belga, Elio di Rupo, denunciou publicamente que há emigrantes portugueses, na Bélgica, a trabalhar por 2,06 euros/hora, quase como escravos. O embaixador português, em Bruxelas, questionado, respondeu que não sabia de nada.
b) Juntando-se, fervorosamente, às salvíficas soluções do nosso PR, a ministra Cristas afirmou, há pouco tempo, que um dos nossos futuros é o Mar. O branco ministro Aguiar assinou, ontem ou hoje, a sentença de morte dos estaleiros de Viana do Castelo, entregando-os à Martifer que, depois da construção de 3 estádios portugueses para o Euro 2004 e da Torre Vasco da Gama, soma milhões de euros de prejuízos...
c) Não consegui ainda fortalecer uma opinião robusta sobre o novo Papa. Mas não tenho dúvidas em considerar o pontífice Francisco, até por ter passado incólume pelos anos de chumbo de Videla, um homem esperto. Mas também me sinto capaz de dizer que Bento XVI era um homem inteligente. O diabo não é chamado aqui, para escolher. 

domingo, 23 de junho de 2013

Divagações (muito dispersas, como convém ao Verão) 49


A dança aérea de cinco moscas importunas, no centro da sala interior, denuncia o Verão que também entrou pela janela. Bem como a luz cariciosa do mais longo dia do ano. Houve um tempo, em que esta fronteira de Junho acordava, de súbito, a minha melancolia.
Snowden continua a monte, e clandestino. Mas parece que a América do Sul o vai recolher, fraternalmente. Se bem me lembro, também houve um tempo em que os esbirros, das polícias políticas, eram chamados de moscas - e bem...
Vejo o papa Francisco, sorridente, na TV, com a sua bondade sul-americana,  a acariciar crianças deficientes, mas não me decido. Este novo Papa, como diz o povo," nem (me) aquenta, nem (me) arrefenta".
Que será feito de Bento XVI? Que ainda não chegou ao reino dos céus...
Tudo são modas efémeras, na venalidade mediática. Amanhã, há mais! - dizem eles.
O azul superior, visto da janela lisboeta, embora um pouco pálido, é seguro; o azul cobalto do rio, ainda é firme. E a noite vai demorar  ainda meia hora, pelo menos, até vencer a luz do dia. Um róseo singular instalou-se ameno, como se fosse ao começo da manhã.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Por várias razões


Tirando João XXIII, que é o papa da "minha vida", eu que sou, intimamente, um exilado do catolicismo, sempre gostei de Bento XVI. Ao contrário do seu antecessor, que sempre puxou ao populismo, ao emocional, com aspectos finais - há que dizê-lo - quase grotescos, Bento XVI, embora talvez mais conservador, sempre nos levou a pensar e manteve, quotidianamente, uma postura de dignidade, racionalidade e justiça, ao reflectir sobre o nosso tempo.
Não sei, conscientemente, se o anúncio da sua resignação me surprende, até porque é uma rara decisão na chefia da Igreja de Roma. A falta de forças, para a exigência do cargo, terá sido uma das razões para o seu abandono de funções, a 28/2/13. Esta humildade quadra bem com o sucessor moderno de Pedro e reforça a extrema qualidade espiritual do percurso de um homem religioso. Que eu muito respeito.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Quase sucintamente

Às vezes, penso que os católicos progressistas (assim chamados, por cá, nos anos 60/70), em Portugal, quase desapareceram, pelo menos, em intervenção cívica e pública. Aliás, como os intelectuais, que maioritariamente se acobertaram no conforto rendoso da neutralidade. Mas também penso que os católicos progressistas romperam noutro mundo. Sul-americano, para ser rigoroso. Embora veja que, por lá, há muita pressa, alguma desatenção - e a seara não está sazonada...
Parece que, na Europa, não se deu muita atenção à última mensagem (de Ano Novo) de Bento XVI. Eu sei que é um papa conservador, mas sabe pensar. As suas palavras vêm na sequência justa e equilibrada do magistério de Leão XIII, e das suas encíclicas sociais. Se como dizem, e muitos querem, convictamente, que a Europa seja um Continente cristão, até do ponto de vista legislativo, não consigo perceber o assobiar para o lado de muitos dos governantes europeus. Partindo do princípio que não sejam iletrados e totalmente incultos (é uma hipótese, apesar de tudo...).

terça-feira, 13 de novembro de 2012

As caves do Vaticano


A notícia não foi muito difundida, mas não deixa de ser importante: o papa Bento XVI, em Junho de 2006, autorizou a consulta dos arquivos do Vaticano, até ao papado de Pio XI, ficando ainda sob reserva o acesso à documentação referente ao controverso Pio XII. Os arquivos da Igreja católica ocupam uma espécie de bunker, com 85 quilómetros de extensão e, diz o "Obs.", sendo bem diferentes dos do filme fantasista e light "Código da Vinci", são semelhantes aos corredores do KGB, nos anos 70 do século passado.
No riquíssimo acervo, o mais antigo documento data dos finais do séc. VIII e é o "Liber Diurnus Romanorum Pontificum", com a pragmática e rituais da chancelaria pontifícia. Inúmeros escritos, explicações e segredos que se abrem para o investigador encartado. Desde as actas do processo contra Giordano Bruno (1548-1600), até ao pedido de Henrique VIII, para a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão, dirigido ao papa Clemente VII. De um manuscrito mongol do séc. XIII até uma carta de Isabel I, de Inglaterra; de Lincoln ao imperador Hirohito, de tudo isto estão os arquivos do Vaticano, bem recheados.
Os sérios historiadores, os bons escritores e, até mesmo os escrevinhadores light, tipo browns e rodrigues dos santos, aqui poderão encontrar fontes de importantes investigações ou enredos, e dos próximos best-sellers indigentes.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Citações CVIII : Bento XVI


"Ao ponto a que chegamos, tenho de confessar que, quando me acontece encontrar uma fé total, liberta da menor dúvida, me surpreendo mais do que em relação à incredulidade."

Bento XVI, em conversa com o historiador Vittorio Messori.

domingo, 15 de abril de 2012

As agendas


O titulo deste poste poderia ter sido: todos os caminhos vão dar a Roma...
Como um amor antigo ou uma casa que já foi nossa - e que, no presente, já não é -, os seus destinos nunca nos são inteiramente indiferentes. Gostamos de saber deles e, se os encontramos no nosso caminho, é com agrado que os olhamos - quase nunca com frieza ou indiferença.
Também não acredito nas excessivas coincidências: acho que, muitas vezes, são provocadas por alguém. Ou ajustadas para algum desígnio. Por isso parece-me, no mínimo curioso, que num espaço de pouco mais de 8 dias, o TLS, Die Zeit e o jornal Público, pelo menos, tenham abordado (embora por diferentes motivos) a religião católica, centrando a sua atenção e páginas na figura de Bento XVI.
Objectivamente: o que é que as centrais de informação andarão a tramar?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Heinrich Biber : para a despedida

A "Missa Bruxellensis", de Heinrich Biber, foi composta em 1692 e é portanto posterior à "Missa Salisburgensis". Não terá a frescura notável da primeira, mas é, apesar de tudo, uma agradável obra musical sacra.

Citações XXVII : Bento XVI



Joseph Alois Ratzinger (1927) disse:
"Tanto a arte como a religião partem da ferida, de uma ferida semelhante: a interrogação. Nesse sentido, acabam por iluminar-se mutuamente. Ambas são formas de demanda, formas de nomadismo."

terça-feira, 11 de maio de 2010

Heinrich Biber, a propósito


Somos um país de escassa criação musical, pelo menos no passado. Não temos, que eu saiba, uma "Missa Lisbonensis", ou quejando. A "Missa Salisburgensis" de Heinrich Ignaz Biber (1644-1704), compositor austro-boémio, é uma obra-prima da música sacra e foi terminada em 1682.
Sendo eu agnóstico, embora com raízes de infância e adolescência católicas, não me repugna dar as boas-vindas a Bento XVI, através desta obra musical de que gosto, particularmente. Tendo Biber uma obra musical laica apreciável, pensei primeiro na "Battalia" - porque este Papa tem andado debaixo de fogo -, mas acabei por optar, finalmente, por um excerto da "Missa Salisburgensis".

domingo, 9 de maio de 2010

Dietrich Buxtehude por duas razões


1. Dietrich Buxtehude faleceu a 9 de Maio de 1707, tendo nascido em 1637. É um dos grandes compositores para orgão da época barroca. Apesar de organista da Marienkirche de Lübeck, a sua obra "laica" é vasta.
2. O Papa Bento XVI visitará Portugal a partir da próxima terça-feira, 11 de Maio de 2010.

sábado, 3 de abril de 2010

Contra a corrente : Papas e Papados



Sendo agnóstico, mas tendo sido católico praticante quase até ao fim da minha adolescência, o "meu" Papa de referência é João XXIII. E nasci ainda e durante o Papado de Pio XII. Sempre achei Paulo VI excessivamente "florentino" e diplomata, para o meu gosto. João Paulo I foi apenas a promessa de um sorriso, de tão breve. João Paulo II incomodou-me, sobretudo, pela exposição da sua agonia, em público, e o seu "ronco", quase final, pela Praça de S. Pedro, quando já não conseguia falar - e o quis fazer. Era preferível, sem dúvida e no meu entender, um apagamento discreto e gradual, humildemente cristão. Evitando aquela exposição que sempre me fez lembrar os pedintes, na rua, a mostrar as suas chagas. Havia algo de exibicionista, em tudo aquilo. E o "voyeurismo" da nossa sociedade do espectáculo é o que se sabe.

Ontem li, no "Público", um artigo de opinião do ex-director do jornal, José Manuel Fernandes, intitulado "É arriscado escrever sobre estas coisas. Não estão na moda", sobre o actual Papa. Tirando um ou outro pormenor, estou de acordo no essencial. Daí, sendo eu agnóstico, avaliar o ainda curto Papado de Bento XVI, de forma positiva. É um Papa do espírito, ao contrário de João Paulo II que foi um papa do corpo e da carne. E este período pascal é uma boa altura para que um Papa que pensa e pensa, muitas vezes, connosco, seja bem acolhido ou, pelo menos, escutado. Quanto ao resto já sabemos, a Igreja é sempre lenta e morosa quanto a mudanças. Há que ter paciência e caridade...