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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Ideias fixas 98

 

Tenho sempre alguma dificuldade em escolher um vinho para acompanhar pratos em que entra pato. Se assado não duvido, será tinto, mas outras variações criam-me dúvidas, optando, quase sempre, por um vinho branco. Da última vez acamaradei o Arroz de Pato com um Encostas do Tua 2024, da Adega Cooperativa de Pinhel, lotado com Síria e Fonte da Cal (13º), e que está a um preço risível à venda numa das grandes superfícies. E é bom.
Cumulativamente, ninguém me tira da ideia que as castas de vinho têm um lugar ideal geográfico preferencial insubstituível, onde produzem de forma exemplar ou melhor. Não falo sequer da Baga, na Bairrada, do Alvarinho e do seu Monção e redondezas naturais, embora haja alguns produtores e enólogos novos ricos de cabeça que o plantem no Alentejo (com resultados mediocres, aliás, quanto a mim).
O Arinto alcança o seu pleno em Bucelas, insisto. Tenho só algumas dúvidas quanto ao Roupeiro que assim se chama no Alentejo e, nas Beiras, é Síria, mais mineral nestas bandas do que a Sul, onde madura de forma mais suave, normalmente. E em qualquer dos terroirs, embora diferenciado, dá vinhos de muito boa qualidade.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

2 regionalismos avulsos


Estes (regionalismos?) não vieram de livros, mas de terem sido ouvidos, em conversa. Por alguém (A. de A. M.) que costuma deles tomar nota, e que mos transmitiu, depois. Assim:
1. De provável origem minhota: indejar, com o significado de agitar, abanar. Por exemplo: "Não indejes a garrafa de Vinho do Porto!"
2. De proveniência beirã: condesilhar, significando tratar com cuidado ou desvêlo.

sábado, 14 de maio de 2011

Reler Saramago


Não sendo eu um incondicional de José Saramago (1922-2010), há livros, do Nobel português, que eu aprecio. O parágrafo inicial de Levantado do Chão é muito bonito. Não terá a densidade criativa  de Aquilino, no genial princípio de A Casa Grande de Romarigães, mas Saramago dá, da paisagem alentejana, um retrato impressivo e marcante que prende o leitor. E se Aquilino Ribeiro, ao falar da criação da floresta, talvez imaginasse o Minho verdejante e as Beiras, Saramago, neste romance, fala de uma terra mais lisa, mais monótona de cores e, muitas vezes, mais erma e árida, como é a do Alentejo. Seja como for, aqui partilho, o início de Levantado do Chão de José Saramago:
"O que mais há na terra, é paisagem. Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda. Será porque constantemente muda: tem épocas no ano em que o chão é verde, outras amarelo, e depois castanho, ou negro. E também vermelho, em lugares, que é cor de barro ou sangue sangrando. Mas isso depende do que no chão se plantou ou cultiva, ou ainda não, ou não já, ou do que por simples natureza nasceu, sem mão de gente, e só vem a morrer porque chegou o seu último fim. Não é tal o caso do trigo, que ainda com alguma vida é cortado. Nem do sobreiro, que vivíssimo, embora por sua gravidade o não pareça, se lhe arranca a pele. Aos gritos. ..."