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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Situar o horizonte


A paisagem subjacente. A linha paralela junto ao rio, em frente, é quase rasa. Vem do Montijo, e só pelo Barreiro se interrompe, por algumas chaminés altas, fabris, no horizonte da terra ribeirinha, que acaba pelo Seixal. Em segundo plano, ao fundo e atrás, a linha sobe em direcção ao céu, por alturas de Palmela e do seu castelo roqueiro, seguindo, depois, crescente em direcção à Arrábida, que não vejo.
É na direcção de Palmela, mais próximo de mim, embora distante ainda, que eu posso ver, por entre mansardas e telhados lisboetas, num rectângulo muito irregular, o Tejo. Que vai azul cobalto, e corre tranquilo, sem ondulação aparente. E por inteiro, se não fora um cacilheiro que lhe fendeu as águas, numa linha branca de espuma, seguindo diagonal na direcção do Barreiro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Descrição da manhã


Ainda não são 8 horas, quando o sol, ao longe, começa a ganhar corpo e luz, por trás das altas chaminés do Barreiro. Reflecte-se na inclinação oblíqua e húmida dos telhados, ainda molhados da chuva nocturna.
Mas, pouco depois, um véu diáfano de nuvens médias entre cor de laranja e cenoura tapam-lhe o brilho e absorvem-no de todo, num abraço de penumbra. Surgiu uma pomba solitária no terraço da casa defronte e duas gaivotas parecem patrulhar o rio, a meia altura.
Faz-se ouvir o ronronar de um avião, que vai alto e invisível. Em baixo, o sacolejar metálico do eléctrico, nos trilhos, arranha o silêncio matinal. Uma segunda pomba, arrepiada, faz a sua aparição, e o sol ressurge, em plenitude.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ventos


A Lua trocou-me as voltas e nasceu por trás do castelo de Palmela, como se fosse uma almenara fora de época. Esperava começar a vê-la na rectaguarda do casario ribeirinho do Barreiro. Além disso, veio tarde, embora Cheia. Ao entardecer, o Sul devolveu ao Norte as nuvens de ontem, que o vento mudou de rumo. Na véspera, elas eram tão escuros, ao fim do dia, que pareciam vir do pio cavernoso e antipático de uma gaivota irascível que andava, a meia altura, a pairar por sobre o Tejo. Mas, hoje, não a vi, quando por lá andei.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nocturno de Lisboa


O segredo é querer pouco. Mesmo  que  o alto de Palmela se apague, ao longe, na neblina.
As boas notícias até parece que vêm do rio, como lâminas nocturnas que, embora frias, trazem alegria. Chega-se a um ponto em que, da margem, o que podemos e queremos levar é unicamente o essencial. E não ficarmos sozinhos, com a memória toda a pesar na travessia. Sem ninguém que carregue um pouco dela, no seu peso mais íntimo, partilhando os desastres, as alegrias, as vergonhas e os triunfos efémeros do tempo. O Seixal, o Barreiro e o Montijo tremulam de luzes muito frágeis. O Tejo é uma mancha muito escura e, hoje, não será o Letes definitivo. Caronte afastou-se na sua barca, com o negócio perdido.
O segredo é querer muito pouco, cada vez menos. Só o essencial.

para o António, afectuosamente. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ao lusco-fusco


Primeiro, a neblina fecha de todo o que antes fora o tufo verde e alto de Palmela. Há uma linha branca, como um sulco, traçada por um barco sobre o verde-escuro do Tejo. Acendem-se as primeiras luzes no Seixal e no Barreiro: vejo-as ao longe. As andorinhas despedem-se com a aragem fresca e o declinar da luz. Ficarão, por certo, as gaivotas até mais tarde. Ou pela noite fora, altas, sobrevoando o rio, nas suas aéreas manchas esbranquiçadas.