O que lhe deve ter custado ter escrito para o CM ultimamente, ele, cuja pergunta sacramental, nas entrevistas, aos interlocutores, era: Onde é que estava no 25 de Abril?... Mas, como dizia Garrett: A necessidade pode muito... E um colega, jornalista também, esclareceu, em depoimento televisivo, que a reforma dele era uma ninharia e que Baptista-Bastos (1934-2017) nunca teve fortuna pessoal, e teve que trabalhar, quase, até à morte, que ocorreu hoje, para ir sobrevivendo.
No único breve encontro em que falei com ele - erámos 4 - a uma mesa de A Velha Gruta, ao Camões, eram horas de jantar, e eu tive o azar de lhe gabar O Homem em Ponto (1984), conjunto de entrevistas, brilhantes e incisivas, a algumas personagens importantes da cena portuguesa. Ficou fulo... E terá dito qualquer coisa como: "...parece que ninguém se lembra dos meus romances e novelas..." Percebi assim, nessa altura, que esse grande jornalista português prezava, acima de tudo, os seus trabalhos de ficcionista.