Mostrar mensagens com a etiqueta Baptista Bastos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Baptista Bastos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de outubro de 2024

Perguntas / Respostas

 

Hoje, faz-nos imensa falta o sentido desempoeirado e isento da crítica lúcida de tempos passados, ainda que por vezes excessivamente rigorosa e sujeita a pequenos erros de apreciação. A existir, poupava-nos a edição mediocre de tantos "escritores" sem o mínimo de qualidade, que se vão vendendo a leitores sem o mínimo de exigência e critério sério.
Em função do que disse atrás, atente-se nesta entrevista de Baptista Bastos ao poeta Alexandre O'Neill:

"... Baptista Bastos - Vejamos, agora: e que é um escritor menor?
Alexandre O'Neill - Nuno Bragança. E, já que estamos nos Nunos, o Nuno Júdice. E já que estamos nos enes, o Namora.
B. B. - Um bom escritor pode escrever um mau livro?
A. O. - Pode. Por exemplo, o Cardoso Pires, n' O Anjo Ancorado.
B. B. - E um mau escritor pode escrever um bom livro?
A. O. - Pode. Por exemplo, o Alves Redol escreveu o Barranco de Cegos, um bom livro.
..."

in O Homem em Ponto - Entrevistas (pg. 176).

domingo, 3 de outubro de 2010

Bibliofilia 31 : B. B., Luiz Pacheco, Óscar Lopes






O livro, que ora se apresenta, não é raro. Trata-se, além disso, de uma 2ª edição de Viagem de um pai e um filho pelas ruas da amargura, de Baptista Bastos (1934), publicado em Setembro de 1986, pela editora "o jornal". Tem um posfácio de Óscar Lopes (1917), também. Mas o que faz único este meu exemplar é que pertenceu a Luiz Pacheco (1925-2008), e tem a sua marca de posse, manuscrita (15 de Novembro de 1986). Deve ter vendido o livro numa altura de aperto... Por outro lado, o posfácio de Óscar Lopes está profusamente sublinhado e comentado, a esferográfica vermelha, por Pacheco. Com as suas verrinosas e habituais diatribes de "Vailland à portuguesa" - comunal, pobrezinho, minimalista, mas profundamente lídimo e nacional. Em abono da justiça e verdade, devo dizer que foi sempre alguém que acompanhei, à distância, com grande simpatia.
Este meu exemplar comprei-o num alfarrabista (Sr. Ferreira) da Calçada do Carmo, em Fevereiro ou Março de 1988, por Esc. 350$00, ou seja, cerca de 1,75 euros. Foi dinheiro bem aplicado, no meu entender.