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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Ideias fixas 98

 

Tenho sempre alguma dificuldade em escolher um vinho para acompanhar pratos em que entra pato. Se assado não duvido, será tinto, mas outras variações criam-me dúvidas, optando, quase sempre, por um vinho branco. Da última vez acamaradei o Arroz de Pato com um Encostas do Tua 2024, da Adega Cooperativa de Pinhel, lotado com Síria e Fonte da Cal (13º), e que está a um preço risível à venda numa das grandes superfícies. E é bom.
Cumulativamente, ninguém me tira da ideia que as castas de vinho têm um lugar ideal geográfico preferencial insubstituível, onde produzem de forma exemplar ou melhor. Não falo sequer da Baga, na Bairrada, do Alvarinho e do seu Monção e redondezas naturais, embora haja alguns produtores e enólogos novos ricos de cabeça que o plantem no Alentejo (com resultados mediocres, aliás, quanto a mim).
O Arinto alcança o seu pleno em Bucelas, insisto. Tenho só algumas dúvidas quanto ao Roupeiro que assim se chama no Alentejo e, nas Beiras, é Síria, mais mineral nestas bandas do que a Sul, onde madura de forma mais suave, normalmente. E em qualquer dos terroirs, embora diferenciado, dá vinhos de muito boa qualidade.


terça-feira, 20 de maio de 2025

Mercearias Finas 209

 

Perguntar-se-á o que virão aqui fazer as imagens, em fotografia, de algumas preciosidades enológicas portuguesas, que passo a descrever cronológicamente:

1. Bairrada Garrafeira 1980 das Caves D. Teodósio, e que custou, na altura (anos 90), Esc. 1.055$00.
2. Barca Velha 1985, ícone dos vinhos nacionais que me foi oferecido pelo meu Amigo A. de A. Mattos.
3. Sogrape Garrafeira Bairrada 1985 que, numa mercearia da rua do Arsenal (Lisboa), me custou Esc. 890$00.

Ora, estes tintos de gabarito vieram à colação por os associar, em qualidade, a um Barolo de 2018 (oferta gentil do meu Amigo H. N.) que decidi abrir para acompanhar um rosbife de vitela maronesa excelente, há poucos dias atrás. O tinto italiano portou-se lindamente, nos seus 13,5º equilibrados. Como é costume deste Nebbiolo monocasta a que chamam o rei dos vinhos do Piemonte - com inteira propriedade.

sábado, 3 de junho de 2023

Memória (enológica) 146



Pelo Fugas, do jornal Público de hoje, me vem a notícia de que foi posta à venda a mais recente edição (de 2014) da Reserva Especial da casa Ferreirinha, com o preço recomendado de 280 euros. Ainda me lembro que a sua "irmã mais crescida" Barca Velha, em finais dos anos 70, se vendia numa charcutaria da rua Alexandre Herculano, por cerca de Esc. 600$00. Também nessa altura eu não estava disposto a esportular tal maquia...



Sempre que, nas grandes superfícies, vou escolher vinhos, constato o curto espaço nas gôndolas ocupado pelos vinhos da Bairrada, que sempre foi (injustamente) uma região mal-almada, excepto na zona pelos seus habitantes. Mas também tenho verificado que o linear dos vinhos do Dão, muito celebrados antigamente, se tem reduzido substancialmente, nos últimos tempos.



Ganharam entretanto, e muito, os vinhos do Alentejo e do Douro. E os vinhos Tejo estão também a crescer. Eu vou-me ficando pelas minhas relíquias guardadas, como um muito bom bairradino tinto Sidónio de Sousa de 1998 (garrafa nº 10.328 de 16.000), com 12,8º, que, há dias, acompanhou umas perdizes estufadas. Com o esplendor devido, na sua maturação plena da casta Baga, e com os seus 25 anos de idade.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Uma louvável iniciativa (38)


É uma boa oportunidade para se ficar com uma ideia sobre a enologia bairradina. A região demarcada da Bairrada é, porventura, a mais mal-amada das regiões portuguesas. Injustamente, aliás, bastaria lembrar os vinhos do Palácio do Buçaco, para deitar por terra essa ideia enraízada e peregrina.
Estas monografias que o jornal Público (re)começou a distribuir, aos sábados, com o periódico, custam apenas 1,00 euro. O primeiro lançamento (2012?) terá sido um fiasco, mas o preço dos livrinhos também era excessivo: 4,90 euros. As sobras terão sido muitas, provavelmente. E o Jornal reincidiu, agora, na distribuição, mas a preços de saldo...
As obrinhas, belamente ilustradas, têm uma apresentação gráfica muito cuidada e são úteis do ponto de vista informativo: história da região demarcada (desde 1866), produtores mais importantes, restaurantes, castas usadas na região...

sábado, 10 de novembro de 2012

Um Senhor do Vinho


Estas coisas só se sabem nos nichos dos especialistas ou na região próxima, que neste caso era a Bairrada. O vulgo, como eu, só temos conhecimento tardiamente. Porque apenas hoje soube que Luís Costa (1928-2012) faleceu no passado dia 4 de Outubro. Era o rosto discreto, discretíssimo, melhor dizendo, das Caves S. João. Mas era, também, um grande Senhor do Vinho, em Portugal. Profundo conhecedor, com uma riquíssima e invejável biblioteca sobre Enologia, foi o criador do bairradino "Frei João" e do "Porta dos Cavaleiros", celebrado vinho da região do Dão, cujas Garrafeiras fazem a alegria de qualquer apreciador.
José Salvador chamou-lhe, com todo o direito e propriedade, o ideólogo da Confraria dos Enófilos da Bairrada. Eu limitar-me-ei, quando abrir alguma das garrafas, que ainda tenho, de vinho produzido por ele, em bebê-lo, com a sua memória presente. E grato.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Mercearias Finas 50 : vinhos velhos e a mal-amada Baga



Tenho dois amigos que, como eu, apreciam vinhos velhos. Esta preferência tem, no entanto, os seus riscos e é um investimento a longo prazo que, sendo bem sucedido, compensa - e muito.
Duas das castas portuguesas que proporcionam, muitas vezes, longevidade aos vinhos, são a Baga, na Bairrada, e a Ramisco, que está confinada à região de Colares. Mas estas castas autóctones produzem vinhos que, nos primeiros anos, são quase intragáveis - ásperos, amargos, muito adstringentes e fechados no aroma: é preciso ter paciência, esperar e deixá-los, se a colheita foi boa, uns anos na "adega" (garrafeira) a amadurar.
Esta garrafeira magnum (Encosta dos Mouros) de 1997, da Adega Cooperativa da Mealhada (em imagem), com os seus pródigos 13º, foi-se... há dias. Monocasta de Baga, na sua melhor expressão e de um bom ano de colheita, nos seus quinze anos de idade, tinha atingido a maioridade gustativa, e não iria aprimorar mais. Foi sacrificada a um magnífico Queijo da Serra babão, num prandial convívio de 6 amigos. Honra lhe seja: acabou por bem!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Velhas Cepas e humor



É sabido que, alguns bons vinhos portugueses, são feitos de uvas provenientes de cepas antigas, como é o caso, por exemplo, dos produzidos pela casa Sidónio de Sousa, na região demarcada da Bairrada. Algumas vinhas desta casa, da casta Baga, têm mais de 80 anos. Consequentemente, a produção destas cepas é escassa, mas os vinhos obtidos são de boa complexidade e alta qualidade, normalmente. Na região do Douro, também isto acontece, com algumas marcas conhecidas.
Lembrei-me disso, ao ver citada uma frase curiosa da baronesa Philipine de Rothschild, dona do célebre Château Mouton, que dizia, com a sabedoria própria da experiência, qualquer coisa como isto:
"Fazer vinho é realmente um negócio muito simples. Difícil, só os primeiros 200 anos."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mercearias Finas 44 : Vinhos de guarda


Pode dizer-se que, de uma forma geral, os vinhos brancos têm uma vida mais curta do que os tintos e, por isso, não devem ser guardados muito tempo. E, em Portugal, pode afirmar-se que os bons vinhos tintos das regiões demarcadas do Dão, Bairrada e Douro, à partida, têm mais potencial de envelhecimento que os do Alentejo.
Para quem, como eu, goste de vinhos velhos, e os guarde na garrafeira, torna-se no entanto um problema saber se um vinho com 10, 15 anos se encontra ainda em boas condições de ser bebido e apreciado. A menos que, tendo várias garrafas da mesma marca, ano e região, vá provando, gradualmente, o vinho para poder avaliar a passagem do tempo, e a qualidade.
Ora, a casa leiloeira Christie's tem um processo simples e prático, embora não totalmente rigoroso, de estimar as condições do vinho, em garrafa. Como o vinho, com o tempo e porosidade da rolha, vai evaporando e perdendo volume, a leiloeira estabeleceu uma escala de altura do líquido, em relação ao gargalo da garrafa, como se pode ver pela imagem, que permite prever o seu estado.
Assim, segundo o esquema, a posição 1 (high fill) é um óptimo sinal para um vinho tinto velho de 10 anos. Pelo contrário, a posição 8, abaixo da curvatura da garrafa, é um indício de que o vinho já não estará em condições de ser bebido. Muito embora esta tabela seja para aplicar aos "Bordeaux", creio que também poderá ser usada em relação aos vinhos tintos portugueses, de guarda.