Mostrar mensagens com a etiqueta Baedecker. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Baedecker. Mostrar todas as mensagens

sábado, 31 de agosto de 2013

Guias de viagem : um clássico


Se o século XX foi generoso na publicação de guias de viagem, de que o melhor exemplo português é o Guia de Portugal, de cartonagens verdes, o século anterior era parco em publicações deste tipo, por toda a Europa. Por isso, quando o alemão Karl Baedeker (1801-1859), em 1828, fez publicar o seu original Rheinreise von Mainz bis Köln, a obra teve muito bom acolhimento por parte dos viajantes. Oriundo do Essen, de uma família de editores e livreiros, Baedeker, depois de uma aprendizagem em Heidelberga, veio a estabelecer-se em Coblença, onde fundou a sua editora, que viria mais tarde a publicar os famosos e clássicos Baedeker que, ainda hoje, são muito apetecidos pelos viajantes. Em sua vida, sairam praticamente todos os volumes que cobriam o território alemão, com informações minuciosas que iam dos horários ferroviários, até apreciações sobre a qualidade e preços dos hotéis; da indicação dos melhores percursos a fazer, em viagem, até à descrição pormenorizada de monumentos e catedrais germânicas.
Amante de viagens, Karl Baedeker fez publicar ainda volumes sobre a Bélgica e a Holanda, em vida. Depois da sua morte, a família (hoje, o bisneto) continuou a meritória tarefa, cobrindo todo o território europeu. O sucesso das suas obras, que foram traduzidas, pelo menos, para o francês e o inglês, é atestado pelo interesse que despertam, nas lojas dos alfarrabistas. Em Lisboa, encontram-se, usadas, com alguma frequência (embora desapareçam depressa) edições em francês, que são vendidas entre 10 e 15 euros. São de leitura agradável e, ainda, úteis para viagens.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um Baedecker moderno



Livros há que, não intencionalmente, vou lendo de forma vagarosa. Creio que para os saborear melhor ou para que não acabem muito depressa. Isto acontece, presentemente, com duas obras. Uma delas tem como autor Claudio Magris (1939) e por título "Danúbio". A tradução, de grande qualidade como sempre, foi feita por Miguel Serras Pereira. Magris faz uma espécie de descrição de percurso cultural, seguindo o rio Danúbio que passa pela Alemanha, Áustria, Hungria, Roménia, antigas Checoslováquia e Jugoslávia, e Bulgária. Grande parte das referências culturais de que Claudio Magris fala, são para mim desconhecidas. Mas os textos estão tão bem escritos e são tão sugestivos que eu tenho vindo a ler "Danúbio" como se fora um Baedecker do século passado por onde eu me preparasse para visitar um país ou região de uma Europa desconhecida. Passo a transcrever, em seguida, um pequeno excerto da obra (pg. 138):
Em 1908 Francisco Fernando, arquiduque da Áustria-Este e herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, definira a coroa dos Habsburgos como uma coroa de espinhos. Esta frase sobressai numa sala do museu que recorda o arquiduque no Castelo de Artstetten, a cerca de oitenta quilómetros de Viena, não longe do Danúbio, onde se encontra sepultado juntamente com Sofia, a consorte muito amada. Os tiros de pistola de Serajevo impediram Francisco Fernando de usar na cabeça a coroa, mas ainda que tivesse sido imperador e tivesse reinado longamente como Francisco José, não teria sido enterrado na Cripta dos Capuchinhos, como os seus avós: queria repousar ao lado da sua esposa, e esta última, Sofia Chotek von Chotkowa und Wognin, era apenas condessa, pertencente embora a uma das mais antigas famílias da nobreza checa, e como tal não tinha o direito de ser recebida na Cripta imperial dos Habsburgos, do mesmo modo que a sua linhagem demasiado modesta a impedia , depois do casamento com o herdeiro do trono, de residir em Hofburg e de ter acesso às carruagens ou aos palanques imperiais..."