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domingo, 22 de outubro de 2017

Mercearias Finas 126


Fiquei na dúvida mas, na mesa à minha esquerda, de perfil, pareceu-me ver John Le Carré percutindo afanosamente um Apple diminuto e elegante, enquanto debicava uma salada vegan bem colorida e bebendo água de Évian. Acoplado ao Hilton de Bayswater, o Aubaine serve clientes do hotel e alguns passantes que se tentem pela sua cozinha de feição gaulesa e pela carta de vinhos não muito extensa, mas bem seleccionada, ao que me pareceu. Os preços são acessíveis.
No conduto, optámos pelo Steak and Frittes, e para libação Le Montalus, branco de 2016, com 12,5º, meio seco e saboroso. Das Côtes de Thau, com duas castas que eu desconhecia: Colombard e Terret. Fizeram muito boa companhia à carne tenra dos bifes bem passados, que vinham com uns raminhos muito frescos e verdes de agriões...


E enquanto HMJ tinha por horizonte, em frente, o Kensington Park, com que ia alegrando a vista, eu ia observando a azafama interior do serviço, ao fundo. Em que pontificava um jovem chefe de mesas, ágil e dinâmico que, embora pudesse ser mourisco pelo sotaque e pela tez acobreada, também me fazia lembrar o Andy Garcia do "Padrinho III", do Coppola.
Ressalvo, em tempo, que o Aubaine, como restaurante, não tinha nada de mafioso...

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Algures a Noroeste do Hyde Park


O dominical mercado de artesanato dos anos 80 sumiu-se, reduzido a dois pintores de Domingo, com telas desinspiradas de um surrealismo ingénuo e cores berrantes. Não mais poderei comprar os unicórnios simpáticos e os crocodilos ameaçadores, que lá adquiri nos anos 70/80, a um barrista talentoso, que os expunha no murete de Bayswater Road. Saudoso, contemplei o nº 100, da extensa avenida, onde sir John Barrie (1860-1937), no início do séc. XX, imaginou a saga de Peter Pan.
Inverness Terrace continua pacífica, mas pejada de carros e cheia de sacos de lixo em volta dos candeeiros altos. E Queensway está mais barulhenta, luminosa em néons comerciais de lojas e restaurantes, de supermercados e cafés. O Royal Mail, agora privatizado, ao fundo, perto do Whiteleys (restaurado por fora, continua decadente, por dentro), com atendimento indiano (?), estava sujo e desarrumado de interiores. E muito mais caro: um postal para a Europa precisa de um selo de 1,17 libras, para seguir viagem. Que desaforo!
Só o Hyde Park é que continua um encanto. Com os seus esquilos, bandos de corvos* e patos selvagens. Haja Deus! e sua Majestade britânica, que continua a chefiar essa insólita igreja anglicana e insular.
Nem tudo se perdeu, felizmente...

* Aprendi, há dias, que a um grupo de corvos, se pode chamar a murder of crows, desde finais do séc. XV. Aqui fica, em partilha amiga, para amigos e estimadas visitas, que cá venham.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Percursos Literários : Londres e Peter Pan





Por feliz acaso adquiri, há uns tempos, o livro cuja imagem encima este poste, e que faz referência aos locais do Reino Unido por onde andaram e viveram artistas e escritores britânicos.
Por outro lado, a minha zona londrina de referência, e onde sempre me hospedei, fica num perímetro que vai de Notting Hill a Bayswater Road e Queensway. Por razões objectivas e pragmáticas: melhor conhecimento dessa área, transportes, proximidade do Hyde Park. Mas também porque nunca costumo perder a oportunidade de ir ao mercado de Portobello Road, aos sábados de manhã, nem à exposição-venda de artistas amadores, na Bayswater Road, na manhã dos domingos. Mas da leitura do livro "The Oxford Literary Guide to the British Isles" (1980) fiquei também a saber que, no nº 100 de Bayswater Road, foram escritas muitas das páginas da peça teatral "Peter Pan and Wendy", por Sir James Berrie, que lá viveu entre 1902 e 1909.
E que veio a dar origem, mais tarde, ao livro homónimo.