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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Evoluções

 

Hoje, sentado numa sapataria Merreli dum centro comercial gigantesco, à espera de HMJ, frente a um escaparate de ténis modernaços, a maior parte foleiros, acabei por me lembrar do sr. Pecista, industrial de calçado, que manquejava da perna direita e me fazia sapatos por medida, em meados dos anos 50, em Guimarães. Era um homem muito afável e um profissional competente que, nesse tempo, cobrava Esc. 19$00 por cada  par de sapatos.
O meu primeiro choque, quanto a preços de calçado, deu-se em Bona, no ano de 1963, quando vi numa montra de sapataria um par de sapatos de fabrico italiano ao preço de 82 marcos alemães (cerca de 574 escudos, na altura). Os preços foram subindo e, numa sapataria do largo do Carmo, lembro-me de ter dado cerca de 40 euros, há uns 12 anos, por sapatos muito bons que, hoje, ainda uso. Pois este último par da Merrell ( empresa infelizmente marcana) levou-me 71 euros, da carteira.
Bons tempos do sr. Pecista, vimaranense!

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Um CD por mês (4)


Quando eu era criança pensava que o Órgão era o instrumento musical mais próximo da voz de Deus.
O seu troar, no interior das igrejas, infundia-me, simultaneamente, prazer e respeito. Posteriormente vim a travar conhecimento com a música de Bach e Buxtehude.
Em Agosto ou Setembro de 1963, comprei em Bona (Alemanha), dois singles com Fugas de Bach, da Telefunken, interpretadas por Anton Nowakowski (1897-1969) e gravadas num órgão de uma igreja da Dinamarca. Ouvi estas gravações dezenas e dezenas de vezes, sempre com muito gosto.


Só mais tarde vim a escutar execuções de Albert Schweitzer e, pelo início dos anos 80, as magníficas interpretações do holandês Ton Koopman (1944). Talvez tenha ouvido, pelo caminho, também Karl Richter. Mas é de Koopman, meu preferido organista, hoje em dia, a gravação do Archiv Produktion que adquiri por volta de 1986 e cuja capa de CD abre, em imagem, este poste.


As obras musicais de Bach, incluídas neste CD, supõe-se que terão sido escritas por volta de 1720.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Impromptu (11)


Os nascimentos criam, entre os seres humanos, uma sequência cronológica de tempo que a morte raramente respeita. Quando alguém desaparece para sempre, e disso temos notícia, a memória, quase automaticamente, responde com um inventário sucinto de imagens e algumas legendas passadas, tudo isto em poucos segundos. E recolhe, logo a seguir, de novo ao presente.
Em anos de juventude passei cerca de um mês e meio na Alemanha. Não se tratava de emigração compulsiva, mas também não era uma viagem turística. Esta vilegiatura destinava-se simplesmente a melhor me familiarizar e a praticar a língua germânica. Foi um tempo rico em experiências, novidades e de abertura para um outro mundo. No entanto, guardo dessa altura, alguns desagrados: a falta do café nacional e bom, a água engarrafada alemã, que era sempre de picos - não se comercializava a água lisa - e as sistemáticas batatas cozidas das refeições. Que, à restante gastronomia alemã, habituei-me eu bem, e dela gostava.
Mas devo confessar, também, que havia uma alegria extrema, da minha parte, nas poucas vezes que ouvia falar o português, ocasionalmente, nas ruas. E quando ia à Embaixada do Brasil visitar um amigo português que lá trabalhava. Que me servia, com gentileza, um bónus excepcional: um cafezinho forte, na boa e saudosa tradição portuguesa.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O regresso da "madalena" de Proust


Quando saí do restaurante à beira da estrada, seriam aí umas 13h50, lembrei-me de contar tudo isto mas, na altura e para melhor me situar, teria de citar a "Toada de Portalegre", de José Régio, pareceu-me pseudo-erudito demais, e desisti da ideia de o narrar, aqui no Arpose. Até que, ao entrar em casa, disse para comigo: tens toda a tarde, para pôr isto por escrito, ó Alberto! Não te chega?!

Das memórias sensoriais, talvez a das imagens e do olhar seja a mais fiel e longeva. Da táctil, alguma coisa nos fica, de áspero ou macio, ao menos, bem como da auditiva, embora se torne bem difícil trazer à recordação uma voz de alguém que já não ouvimos há muito, porque desaparecida. Mas eu diria que a memória dos cheiros e sabores é ainda mais caprichosa, por ser imaterial e evanescente.

Quando a travessa do entrecosto grelhado me chegou à mesa, estava eu a acabar de ler, no TLS, um artigo em que se falava do "mercantilismo", palavra que, criada no século XIX por um historiador, é das poucas que a linguagem corrente, os economistas e os políticos adoptaram; até porque estes dois profissionais raramente aproveitam as lições da História - e têm-se visto os resultados...

Pois do lado direito da travessa, que me trouxeram nesse restaurante à beira da estrada, brilhavam e distinguiam-se, amarelinhas de dourado e apetitosas, as batatas fritas do acompanhamento. Assim irresistíveis, peguei em duas delas com os dedos, antes de me servir, e levei-as à boca. Crocantes e muito bem fritas, o seu sabor fez-me recuar até ao longínquo Verão de 1963.

Nesse Agosto já distante, quase diariamente, quando eu desembarcava na estação de comboios de Bona, vindo de Witterschlick, creio que por volta das 17h30, ao sair, numa esquina e em direcção à Tillmannhaus, não deixava de comprar um pequeno pacotinho de batatas, fritas na altura e à vista de quem passava. Que traziam um minúsculo garfo de plástico e que custavam, julgo eu, meio marco alemão.

Essas batatas fritas, e as de hoje, pareceram-me gémeas, na memória do sabor. Inesperadamente, se replicaram no tempo, por um feliz acaso.

domingo, 9 de outubro de 2011

Notas de Viagem 2

Numa área de 35 ha, do lado direito do Reno, em Bona, Alemanha, existem as várzeas do Reno [= Rheinaue] que, como se vê pela imagem, convidam a olhar a paisagem com as sete montanhas [=Siebengebirge] ao fundo. À semelhança de outras cidades alemãs, como este ano em Coblença, organiza-se, periodicamente, a chamada "Bundesgartenschau", ou seja, uma mostra federal de jardins. Para o efeito, procede-se à requalificação de determinados espaços públicos, deixando para o futuro belíssimos jardins como demonstra o exemplo acima, implementado, na cidade de Bona, no ano de 1979.
Contudo, a nossa visita das várzeas renanas tinha um outro objectivo. A saber, conhecer o que é considerada a maior e melhor feira da ladra [= Flohmarkt] da Renânia. O evento realiza-se, de Abril a Outubro, no terceiro Sábado do mês, espalhando-se pela várzea.


Tive a honra de ser convidada por aficcionadas e "profissionais" do evento, participando nos preparativos da visita que apenas se aconselha a pessoas de "boa" condição física. E foi assim. Levantar às 5 da madrugada, vestir roupa e calçado cómodo, tomar um rápido pequeno almoço, pôr a mochila às costas e ala. A mochila, inicialmente vazia, apenas com um pouco de café e uma sanduiche, serviria para se ir enchendo de artigos cobiçados e comprados.



De facto, a variedade e a quantidade da oferta é avassaladora. Passei o tempo a pensar na reduzida mala de viagem e, sobretudo, nos rídículos 20 kg que poderia levar no regresso a terras lusas !

P.S. As fotos foram retiradas da Internet, uma vez que me esqueci de levar máquina própria, com imensa pena minha.

Post de HMJ

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Revivalismo Ligeiro IXL : Um single perdido no tempo





Quando estive pela primeira vez na Alemanha (Ago-Set. 1963), em Bona, o grande sucesso de vendas de música ligeira era o single que se mostra na imagem, e que comprei na altura, cantado por Charlotte Marian. A canção "Casanova Baciami" teve, até, algum sucesso internacional e chegou a ser cantada pela Petula Clark. O que prova que a supremacia" estética" dos prussianos é mais cosmopolita que o barroquismo infanto-trágico-romântico dos bárvaros (da Baviera). Não consegui encontrar a versão nem da Charlotte Marian, nem da Petula Clark, e por isso vai esta versão, porventura menos boa, de Lil Malmkvist.

P. S.: para HMJ.