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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

O cêrco

 

O círculo começou a apertar: sonhos, as broas castelar e até um bolo-rei miniatura que veio da Benard e estava muito bom. Armações de sinos já esperavam nos canteiros de Lisboa, para serem erguidos e iluminados a dar cor à época natalícia e friorenta, pela noite dentro. O nosso amigo de longe também não se esqueceu já de nos mandar o seu calendário do Advento, para irmos abrindo pelos dias que se vêm aproximando. E algumas lojas ostentam antecipadamente decorações alusivas.
É difícil escapar ao cerco que nos vão montando.

domingo, 9 de novembro de 2025

Produtos nacionais (35)

 

Chegou-nos o bolo-rei, tardio para o costume, mas valeu a pena, porque de aspecto é maravilhoso e bem promete. Bons Amigos se lembraram de nós escolhendo o melhor, seguramente. Deus (se existe) lhes pague merecidamente a pré-natalícia mercê.
E nós agradecemos!

sábado, 15 de dezembro de 2018

Divagações 138


No Mercado, a dona Irene lacrimosa, soluçando a tuberculose inesperada de uma jovem parente sua, de 21 anos, tinha o pinhão a 70 euros, o quilo. Mas eu, este ano, até já o vi mais caro, e menos bonito.
Daí, algumas confeitarias, por vezes, fazerem uma vaquinha com caju e até amendoim torrado que, como vem de África, sempre fica mais barato e dá mais lucro no Bolo-rei vendido. Como já notei, aqui há dias.
Porque isto de tradições é tudo uma questão formal e de parecer. Mas também de contágio, como a tuberculose. Quem já passou Natal e Ano Novo, sozinho, alguma vez na vida, sabe que o facto pode nada ter de dramático ou infeliz. Sobretudo, se for depois de um enorme dia de trabalho...
Desde que haja uma fatia de Bolo-rei, com pinhões autênticos, e outros com casca, mesmo que não esteja ninguém à beira, com quem jogar o Rapa (,tira e põe), como a lembrar a infância de outrora.
Não farei coro com Sartre, a dizer que o Inferno são os outros, mas o Comércio é que leva à obrigação devota e clonada de afivelarmos, por uns dias, esta máscara de solidariedade e alegria, formais, sem mesmo reflectirmos, realmente, se estamos de bem com a Vida. E com os outros...


sábado, 31 de outubro de 2015

Regimes


Porque ontem iniciámos a saison do Bolo-rei, cá em casa, me dei a pensar na singularidade de, nas pastelarias antigas, ele se começar a fazer no feriado da República, 5 de Outubro. A produção intensifica-se na segunda quinzena de Dezembro, atingindo o paroxismo na noite de 23 para 24, em que os pasteleiros, muitas vezes, fazem uma directa, para que no estabelecimento não falte o bolo tradicional das festas natalícias, para todos os fregueses. Depois, e a partir de Janeiro, o fabrico vai diminuindo até cessar por alturas do Carnaval. Para recomeçar a nova época, cerca de 7 meses depois, em Outubro seguinte.
Ah! também já provámos as Broas Castelar. As que comemos, recomendam-se.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Boas Festas!


Os nossos melhores votos natalícios para os Amigos, estimados Seguidores e simples visitas de acaso ou bissextas. Sob o signo da crise, que cada vez mais aperta, aconselha-se moderação pelo Natal, daí a imagem do Bolo-rei miniatura. E, como o tempo não vai muito para sonhar, deixamos apenas 3 sonhos, na travessa de vidro. E há que fazê-los durar...
Mesmo assim, um bom Natal!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Bolo-rei miniatura


Chega-se a um ponto, na idade, em que, ou há extrema humildade, ou já não há mais pachorra... e, às vezes, paga o justo pelo pecador.
Eu já tinha visto uma menina ("...gorda, gorda, gorda...", do Ribeiro de Couto, dito pelo Villaret) obesa a comer, pelas escadas do metro, uma gordurice macdolnaldiana, de capa e batina preta para atestar  o "status". E tinha pensado: dentro de 1 ou 2 anos, em traje civil, vais para a fila dos 13% (ou 14%) dos desempregados...
Já vira, também, na Rua de Sta. Justa, 2 policiazitos, de trotinete (se calhar paga pelos munícipes lisboetas, ou será em "leasing"?), a brincar aos agentes de autoridade-miniatura. Guiando e, ao mesmo tempo, falando ao telemóvel..., será que ninguém os autua por esta infração grave?
Depois, ao entrar na pastelaria e olhando para a montra, disse para a menina: "-Queria um bolo-rei miniatura." E ela, toda engraçada: "- Queria, mas não quer!". E eu, humildademente, apesar de já ter ouvido esta graçola foleira, centenas de vezes, repeti a frase. E ela, rindo muito, voltou a dizer: "-Queria, mas não quer!"- toda satisfeita de  si.
Foi então que eu, imperturbável e sério, lhe disse: "-Pois queria, mas já não quero!", e saí porta fora. 

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domingo, 23 de outubro de 2011

Mercearias Finas 40 : Bolo-rei


Ao princípio são os lagares, onde fruta diversa (cereja, cidrão, calondro, casca de laranja, figo...) é acompanhada por pasteleiros encartados que dela tratam, adicionando-lhe água e açúcar, e a remexem profissional e semanalmente. Retirada e enxugada, esta fruta dita "escorrida" (e não cristalizada, que é um outro tipo), bem como a fruta seca laminada (amêndoas, pinhões, nozes e, às vezes, avelãs) associada às uvas passas, serão o elemento decorativo e interior, imprescindível, da massa do célebre Bolo-rei. A isto se acrescentava uma fava embrulhada, antigamente, que, dizia-se, trazia sorte a quem coubesse, na fatia de brinde, do Bolo. As pastelarias de referência fabricam-no, tradicionalmente, desde o feriado de 5 de Outubro, até ao Carnaval. Aos fins-de-semana, mas com extrema intensidade nos dias 24 e 31 de Dezembro, e no dia de Reis (6 de Janeiro).
O Bolo-rei inspira-se, dizem, na "Galette des Rois", francesa, e começou a fabricar-se em Portugal, em data incerta do séc. XIX, provavelmente, na Confeitaria Nacional, de Lisboa, propagando-se gradualmente por todo o país. É hábito respeitado, normalmente, ser o Pasteleiro-chefe com o cotovelo a fazer o buraco central, em cada Bolo-rei. Com o advento da República quiseram chamar-lhe "Bolo da República", mas a moda não pegou e, por isso, sempre manteve o nome inicial. Pelo Natal e no Ano Novo, bem como no dia de Reis, o Bolo-rei era acompanhado por Vinho Fino (Vinho do Porto particular), nas mesas onde as famílias se reuniam, festivamente.
Ora, ontem, sábado 22/10, cá em casa iniciou-se a "saison", com o primeiro Bolo-rei. Que estava muito bom. Fiz uma pequena alteração ao que é tradicional: em vez do habitual Vinho do Porto, na fotografia, dei-lhe por companheiro um Vinho de Carcavelos, dos antigos e raros, da Quinta do Barão, entre Oeiras e Carcavelos. É um vinho mais seco e data do início dos anos 70, do século passado. Posso garantir que Willy Brandt o apreciava, enormemente, porque tinha um admirador português (Miguel Cerqueira) que, todos os anos, lhe enviava uma caixa de 6 garrafas deste vinho, para Berlim, através de uma família alemã de apelido Kirchwitz, que vinha passar Agosto e Setembro, em Esposende. E Willy Brandt agradecia. Só não tinha era o Bolo-rei português para acompanhar...