Mostrar mensagens com a etiqueta BE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BE. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Palavras do dia (4), com breve p. s. pessoal


"...A esquerda à esquerda do PS olha Costa com uma invulgar agressividade porque receia a atracção do «voto útil» que Costa poderá representar para o seu eleitorado. O efeito «eucalipto» que Costa pode representar para a esquerda, fazendo o deserto à sua volta, preocupa BE e PCP e não só. ..."

José Vítor Malheiros, in jornal Público, de 30/9/2014.

P. S.: não só "a esquerda à esquerda do PS", mas também a direita, que o teme, começou já a atacar António Costa, embora de uma forma mansa e subtil. O que não quer dizer que ele seja um homem sozinho e isolado...

domingo, 11 de novembro de 2012

O que a direita não perdoa à esquerda


Estou à vontade para o dizer, até porque nunca fui um grande admirador do recente ex-líder do BE, embora lhe reconhecesse méritos indiscutíveis. No seu conjunto, no entanto, apreciava mais o estilo e a prática política de um Miguel Portas, prematuramente falecido. Mas ao mesmo tempo ficava, e fiquei surpreendido de, até na hora da despedida, verificar a sanha carniceira com que, alguma direita cavernícola, se atirava e atirou a F. Louçã. Sobretudo uma direita que não é ideológica, mas simplesmente emotiva, irracional.
Percebo, hoje, algumas das razões que estavam (estão) por trás disto. Louçã era inteligente, era um acutilante orador, um economista respeitado, um político preparado e coerente.
A direita ultramontana sempre preferiu um Papa-açorda a chefiar a esquerda. Um promíscuo que se adapte, um cata-vento ideológico, um fraco, de preferência, mal preparado - porque a direita sabe que, desses, não tem nada a temer. A direita sanhuda não perdoa (ou não perdoou) a um Lopes Cardoso, a Cunhal, a Melo Antunes, a Ferro Rodrigues, a Louçã. A direita sanhuda e ultramontana tem medo destes homens íntegros e coerentes. Porque eles têm princípios, não são corruptíveis, nem mudam ao sabor dos ventos. São inteligentes e não se desviam, um milímetro que seja, da sua coerência de homens de esquerda.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Esquerda caviar


Com o sugestivo título de "O último combate de Jack Lang, o inoxidável", o jornal "Le Monde" (obrigado, H. N.) de 20/1/2012, dá notícia de que um dos últimos grandes dinossauros da era miterrandista, em actividade, aos 72 anos, se prepara para concorrer à 2ª circunscrição de Vosges (Saint-Dié), região onde nasceu em 1939. A sua imagem política de parisiense e cosmopolita, concorrendo para uma zona de província, de forte implantação de operariado, faz o jornal apelidá-lo de "gauche caviar". Mas o antigo ministro da Cultura de François Mittérrand que, com Melina Mercury, é responsável pela ideia notável das Cidades Capitais Europeias da Cultura, mantém uma cota de popularidade ainda invejável.
Por cá, a classificação de esquerda caviar, mediaticamente, salpica apenas o BE. Muito embora, do meu ponto de vista, há muito boa gente do PS que, mais rural e menos cosmopolita, contudo, pudesse ter direito à classificação. Abstenho-me de citar nomes porque alguns casos são óbvios e aparecem nas revista róseas, com frequência. Por outro lado, o que me importa destacar é Jack Lang (1939), político por natureza e convicção, que, depois de ter tido cargos bem importantes, não hesita em concorrer por um círculo eleitoral de província, no norte de França, aos 72 anos. Cargo que, se vencer nas urnas, nada lhe vai acrescentar ao curriculum e prestígio pessoal.
Quando a maior parte dos políticos portugueses, depois de exercícios ministeriais, se recolhem a mordomias chorudas, ou os "Indignados" se amodorram, de Inverno, nas aquecidas casas dos pais, à espera de tempo mais quente, para vir acampar nas praças principais das cidades, sabe bem, como exemplo, ver Jack Lang regressar à luta política, no inverno da idade, mesmo que seja pela conquista de um lugar de província e quase obscuro. É isto, no fundo, que faz a diferença nos homens. Entretanto, Mário Soares dá, hoje, na RTP2 e programa Câmara Clara, uma entrevista, cerca das 22,30 hrs., a propósito da recente saída de um seu novo livro. Não vou perder.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Democracia, política e liberdade


Dadas as pequenas diferenças, por vezes, entre partidos políticos que são contíguos, penso que, cada vez mais, se vota em função dos elencos que são propostos à eleição e, menos, pelas siglas partidárias. Uma figura ou um nome podem fazer a diferença, consoante o seu grau de credibilidade pública ou a confiança que, nessa pessoa, possamos ter. Daí também a aposta, maior ou menor, que os partidos políticos fazem em personalidades independentes e, por vezes, em nomes prestigiados fora do espectro partidário. Mas a vida desses independentes, nos grupos ou aparelhos políticos, nem sempre é fácil. Como escreve, hoje no "Público", Rui Tavares: "...Primeiro, o independente faz falta. Depois, o independente começa a não dar jeito. E, finalmente, abre-se a caça ao independente."
São óbvios e bons exemplos recentes, o caso de Teixeira dos Santos, independente integrado no governo PS, que foi vergonhosamente marginalizado, nos últimos tempos de governação, pelo Partido; e o próprio Rui Tavares que se viu obrigado, por questões de coerência e honra, a desvincular-se do BE, muito embora se mantenha no Parlamento Europeu, "duplamente" independente - justificadamente, aliás.
Do ponto de vista dos partidos políticos, a independência de um "compagnon de route" parece ser, ainda e só, um rótulo meramente formal para dar colorido ao cinzentismo habitual. No fundo, esperam que o independente alinhe sempre no pensamento único e na disciplina cega, e gregária. Pensar por si é crime, e não se recomenda.

Obsv.: a imagem foi colocada apenas em 23/6/11.