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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Ideias fixas 103

 

Compreendi finalmente que Noé, como refere a Bíblia no Génesis, tenha apanhado a primeira bebedeira de vinho, após o dilúvio ter acabado. Tal como agora, terá sido provocada pelo excesso e enjôo de água...

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Apontamento 184

A notícia de dois assassinatos recentes, em Portugal, um tentado e outro consumado por um adolescente de 14 anos, sobre a mãe, autarca de Vagos, enquanto o primeiro perpretado sobre um octogenário, pela filha de 40, mas falhado numa pessoa de alta craveira social, permitem-nos concluir que os desnortes mentais estão a subir na escala populacional do país. Enquanto por aí fora também os desgovernos se acentuam na chefia de nações que outrora tinham sido bem geridas e com equilíbrio sensato.
Para não falar dos descendentes de vítimas que se transformaram em carrascos de outros povos, em menos de um século, fazendo jus ao dito bíblico do Velho Testamento que estipulava "olho por olho, dente por dente".
Realmente, parece que o mundo não tem conserto e, ter esperança em melhoras, só por ingenuidade mental.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Bíblica



Há dias em que entendo, inteiramente, que Esaú tenha vendido a Jacob o direito de primogenitura, apenas  por um prato de sopa de lentilhas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A palermice do dia



E ainda há marcanos que sonham com o regresso deste homem à presidência dos E. U. A.!?...
Mas também por cá há quem ouça ou leia, religiosamente, as bacoradas de um ex-PR que, de longe a longe, ressuscita como múmia paralítica do túmulo, para proferir umas quantas banalidades e asneiras tamanhas e parvas sobre a realidade portuguesa e política...
Mas como lá diz o Evangelho: "Bem aventurados os pobres de espírito porque é deles o reino dos céus."

segunda-feira, 15 de março de 2021

Osmose 120

O bíblico filho pródigo, como metáfora, é uma fábula imensa. Mas creio que há muita gente que passa toda uma vida distraída, e feliz, sem sequer ter dado por isso. Gente que também chega mais velozmente ao reino dos céus.

sábado, 31 de outubro de 2020

Desabafo (59)

Entre o bíblico Livro de Job e a ignorância cultural da corrente dominante, há o descuido inábil de perder o precioso tempo - imperdoável quando já se tem uma certa idade - com leituras menores ou autores de fraca qualidade, normalmente os mais publicitados pelas editoras venais e de vão de escada.

Grande parte dos críticos literários vendidos e das costureiras dos blogues ditos literários, abundantes na net, come à custa deste trabalho mesquinho e dos leitores-compradores, sem qualquer espírito crítico, que se abastecem, indiscriminadamente, dos tijolos desta construção civil. E que vai ajudando à compra dos Mercedes-Benz dos patrões.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

1454


A data-título, acima, marca o ano do primeiro livro impresso no mundo - a Bíblia de Gutenberg.
Produzido em Mogúncia (Mainz - Alemanha), é conhecido, dos especialistas e bibliófilos, pela sigla B42 por a mancha tipográfica conter, em cada página, 42 linhas impressas.
A Taschen editou, recentemente, uma edição fac-similada do precioso volume, ao preço de 100 euros. Saíu também, há pouco, da autoria de Eric Marshall White, um volumoso estudo (465 páginas) sobre a história desse primeiro livro impresso da nossa civilização, com o título Editio Princeps.
Nele se referem várias curiosidades sobre a obra que terá tido uma tiragem inicial de 180 exemplares, dos quais, completos, estão referenciados e localizados 49 "sobreviventes". O ano de 1978 é considerado o annus mirabilis da Bíblia de Gutenberg, porque nessa data foram à praça, em leilão, 3 exemplares do livro, dois dos quais foram adquiridos por bibliotecas alemãs.
O preço máximo atingido pela obra foi de 5,39 milhões de dólares, em 1987. O lance final pertenceu à  universidade Keio de Tóquio que, provavelmente, é a única instituição oriental a possuir uma edição original da famosa Bíblia de Gutenberg.

Nota pessoal: consegui introduzir a imagem no poste, mas através de outro computador e de Lisboa. Será que o boiocote do inefável e marcano Google se destina só à região outrabandista?

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Do que fui lendo por aí... 30


Em 2018, Alberto Manguel (1948) foi agraciado com o Prémio Gutenberg. Recentemente saído, o Gutenberg-Jahrbuch de 2019 transcreve o discurso de aceitação do escritor argentino em que ele refere, naturalmente, Jorge Luis Borges, mas também Franz Kafka e a Bíblia. Despertaram-me a atenção algumas considerações que Manguel tece a propósito de leituras, de que vou transcrever um pequeno extracto que me pareceu curioso e mais significativo. Segue:

O ofício da leitura é misterioso. Ninguém sabe (certamente nem os próprios leitores) como é que as palavras da página, captadas pelo olhar, se transformam em experiência, reflexão, memória e, algumas vezes, até em novas criações. 

terça-feira, 9 de abril de 2019

Iconografia moderna e laica (27)


"...para que me servirá o direito de progenitura?" - interrogou-se Esaú.

Gênesis, 26 : 29



Foi com esta questão pertinente que, Esaú esfomeado, vindo do trabalho nos campos, acabou por trocar os seus direitos de filho mais velho com o irmão mais novo, Jacob, que estava a cozinhar uma sopa de lentilhas. Fazendo a transação por um prato da dita e um naco de pão - como nos conta a Bíblia.
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Tenho grandes dúvidas que a referida e bíblica sopa de Jacob, fosse mais aromática, saborosa e melhor do que a que HMJ confeccionou, recentemente, e com que nos temos vindo a deliciar nestas últimas noites frias de Abril, ao jantar.
Porque é uma sopa rica de conteúdos: lentilhas, naturalmente, carne de vitela para cozer, alho-porro (ou, se preferirem, francês), cenouras, batatas, folhas ripadas de beterraba e uns naquinhos de salpicão a rematar.
De certeza, que Esaú voltava a ceder a progenitura. Por um prato dela, fumegante...




quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Mais uma críptica, com ressonâncias bíblicas


Entre Bob Marley e o Futungo de Belas, Irmãos!, quem escolheis para vizinhos, próximo ou compadres?

domingo, 12 de novembro de 2017

Iconografia moderna e laica (26)


"E disse (Jesus) aos que vendiam pombas: «Tirai isso daqui!
 Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio.»"

João, 2, 13-25






Comentário pessoal: para lá da histeria desmedida, originada, sobretudo, em algumas redes sociais infantis e nalguns blogues mais desmiolados de virgens ofendidas, creio que valerá a pena ver este episódio com alguma frieza e aduzir as razões a montante que o permitiram: o despacho do Secretário de Estado da Cultura (Barreto Xavier) - numa altura em que o anterior Governo queria pôr tudo em patacos; a jusante, a figura eminente e insensata da Administração Pública que autorizou o ágape, no local. E talvez seja útil lembrar que o uso do Panteão Nacional, não foi inédito, para este fim. Ainda há cerca de um mês (16 de Outubro de 2017) a NAV (Navegação Aérea de Portugal) usou o espaço para os mesmos efeitos de restauração...
Por que razão essas virgens ofendidas do costume, nessa altura, não se teriam queixado e escandalizado?

segunda-feira, 29 de maio de 2017

As poucas certezas, que nos chegam de longe


Com os anos que levo, poucas certezas me assistem. Porque, se juventude é certeza (ligeira ou caprichosa, quase sempre), a velhice, na sua eventual lucidez, de experiência feita, é, sobretudo, terreno fértil de dúvidas. Humildemente humanas.
Eu teria muitas hesitações, se me perguntassem, de toda a Literatura (que conheço), qual o romance ou poema que prefiro. E considero como sendo o melhor, entre os melhores.
Mas, se me perguntassem, sobre o conto, ou pequena ficção narrativa, eu não teria dúvidas. Elegeria, categoricamente, esse pequeno (12 páginas), e enorme conto de Jorge de Sena (falei dele aqui, em 13/4/2010), sobre Camões, intitulado: Super Flumina Babylonis. Porque é toda uma vida.

para Margarida Elias que, com o seu comentário no Arpose, me suscitou estas pequenas reflexões. 

domingo, 28 de maio de 2017

Outros Domingos


A Bíblia sempre foi um dos meus Livros de referência, mesmo depois de deixar de acreditar.
Nas manhãs de Domingo, de infância e juvenis, eu gostava muito de ouvir a leitura dos Evangelhos, mesmo depois de os conhecer e ter lido. Se o padre tinha voz clara e a sua dicção fosse boa, melhor ainda. O problema dava-se, no entanto com as homilias, muitas vezes. Porque havia pastores que gostavam de se ouvir, eram monotonamente prolixos, falavam, falavam, falavam. Gastando, com frequência, na homilia, quase o dobro do tempo, do que tinham usado para ler o Evangelho. E, concretamente, não acrescentavam mesmo nada à concisão perfeita das parábolas dos textos sagrados. Eram, apenas, paupérrimas glosas gaguejantes, repetitivas e desordenadas dos motes essenciais da Bíblia.
Era, por essa altura, que eu, cansado e farto, quase adormecia, na reprise...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sobre a cristalização


Talvez esteja a ser espartano, ou não tenha tido em conta algumas, possíveis, excepções, mas permito-me constatar: a antologia faz-se entre os 20 e os 40, pouco mais ou menos. Depois, muito pouco entra, possam embora ser muitos os convidados. Ou, para citar a Bíblia: muitos são os chamados, poucos os escolhidos. Porque há uma diferença de tom, em cada geração. Ou de gosto. De parte a parte. Na música, em poesia, na pintura...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

O Livro


Isto de haver tantas celebrações - algumas supinamente ridículas - faz com que já nem cheguem os dias do ano, em singular, para deitar os foguetes. O mesmo acontece com os Santos da Igreja, que são tantos, que há dias em que se celebram aos magotes e grupinhos numerosos.
Juntar o Dia Mundial do Escutismo, na mesma data, com o do Livro, só por maldade, a menos que se queira lembrar apenas a literatura infanto-juvenil, apropriada aos escuteiros, o que seria redutor, porém.
O Livro é, na verdade, e para o mundo ocidental, a Bíblia. Como o Corão será, talvez, para o Islão, tão representativo.
E não tenho dúvidas em afirmar que os livros me deram grandes alegrias e muitos conhecimentos, ao longo da minha vida. São, para mim, objectos de estimação que muito respeito. Até sublinhá-los me custa...
Para o país que somos, alguns livros serão matriciais, mas nenhum tanto como "Os Lusíadas", de Luís de Camões, autor que, hoje em dia, pouco deve ser lido, na sua integralidade essencial. E em livro. E falo do que observo e noto, por exemplo, na grande quantidade de visitas, que quase diariamente vêm ao Arpose ler a magnífica "Carta da Índia", de Luís Vaz...Lê-la-ão por inteiro (que ela é extensa), ao menos?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Iconografia moderna e laica (23)


"E Deus disse, faça-se luz: e houve luz."

Génesis 1, 3.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Iconografia moderna e laica (22)


"Frutificai, crescei e multiplicai-vos..."
Génesis 1, 22.

Poder-se-ia dizer, sem rigor excessivo, que, se a consciência lusa é sobretudo poética e aérea (os bebés vinham de Paris e no bico de cegonhas - dizia-se...), na gaulesa predomina o sentido terrestre e agrícola, na progenitura. As meninas francesas nasciam das rosas, os meninos despontavam das couves - como se pode ver nestes postais de 1905. Talvez, por isso, a agricultura francesa é, ainda hoje, largamente subsidiada pela UE.
Nesse longínquo mês de Março de 1905, Isalina Vargas bombardeou (é o termo mais adequado) Antónia Madahil, que se encontrava hospedada no Hotel Borges (Lisboa), com estes postais sugestivos, que parecem um apelo insistente à procriação. Não sei é se terão tido resultados. Mas louve-se o esforço desenvolvido!
Assim se preocupassem os nossos governantes com o aumento da natalidade, como a Isalina, junto da Antónia...

Abraço grato e reconhecido a H. N. .

sábado, 23 de agosto de 2014

Retratos 13


Contentam-se com pouco, embora não dispensem roupa de marca e a última tecnologia. Lêem à pressa, normalmente muito mal e com extrema dificuldade e tédio. Ficam pasmados e de boca aberta, diante de uma imagem mais insólita ou espectacular (para eles...), que registam logo para sua memória (?) futura.
Correm apressados, não sabendo muito bem para onde. São obesos, se não de corpo, pelo menos de espírito. Passam a vida sentados e são devotos, inconscientemente, da fast food. Não fazem comentários nos blogues, porque mal sabem escrever, embora grunham, no feicebuque e nos linquedins, sílabas rasteiras, que os outros semelhantes vão entendendo, à superfície do nada. Não pensam muito, porque isso os cansa, excessivamente. As mães, hipocondríacas, sempre que podem, delapidam o orçamento em revistas róseas e raspadinhas. Mas eles, nem dão por isso. O seu mundo é o seu quarto. E babam-se por imagens escatológicas, que reproduzem até à exaustão (talvez porque achem moderno e de bom tom). Reúnem-se, às vezes, aos magotes, para se conhecerem, em centros comerciais, sem motivo nenhum, para conversa sem jeito, como animais selvagens, em volta de um pequeno charco ou grande lago, pela sede grande de alguma coisa distante e longínqua, de que desconhecem os contornos. Têm uma religiosidade difusa entre Fátima, superstição obscurantista rural e crendice tonitroante de seita americana. Sendo hordas silvestres, podem provocar desacatos inocentes, sem motivo justo. Perdoemos-lhes, porque não sabem o que fazem.
Quem é, quem são?

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Teorias


As teorias perdem-se no tempo. Provavelmente, a primeira foi entretecida por Eva, para seduzir Adão. A Bíblia, através da maçã, marmoreou a ingenuidade do Homem, para sempre, perante a perversidade pragmática da Mulher. A serpente foi um mero acidente de percurso, simbólico. Adiante...
A Mabília (bem raro, este nome em Portugal), brasileira, almoçou com a Sílvia, portuguesa e ligeiramente mais velha, que foi sua formadora. Como o restaurante estava quase cheio, sentaram-se ao meu lado e falaram do seu trabalho, nas grandes superfícies.
Pelo que ouvi, há duas teorias sobre a exposição, nestas catedrais de consumo:
1. Corredores, topos de gôndolas e prateleiras atafulhadas de produtos, para que o cliente tenha que esbarrar com eles, ou contorná-los, sendo que, por impulso, acabe por comprar alguns, para além daqueles que levava, na lista manuscrita trazida de casa.
2. Amplos e abertos corredores, topos de gôndola elegantes e esteticamente compostos, prateleiras sempre repostas, mas não sobrecarregadas. Assim o cliente passeará tranquilamente, sentir-se-á leve e bem, e talvez lhe apeteça comprar mais uns artigos...
O sr. Teófilo (assim tratado pela Mabília, que não pela Sílvia), chefe das duas jovens, é adepto - percebi eu pela conversa - fanático da primeira das teorias. Mas também entendi que é um sedutor e um pouco promíscuo com as suas subordinadas...
Posso dizer, que tive um almoço instrutivo, ontem, porque aprendi alguma coisa sobre as técnicas das grandes superfícies que, aliás, evito frequentar...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

David e Golias


Pouco passava das 17h00, já declinava o Sol, e uma nuvem de estorninhos entrou perdidamente, em pios estouvados e alegres, para o interior da frondosa ramaria da Ficus, ficus gigantesca que é, de longe, a árvore de maior porte que existe pelo Chiado e arredores. E nunca mais os vi, embora continuasse a ouvi-los.
De rapina, por estas bandas, só de longe a longe se avista algum peneireiro-das-torres afoito, que sobrevoa do alto o casario. E, destes, os estorninhos nada têm a temer. Até porque a águia-careca, retintamente americana, que surge na espectacular fotografia de Rob Palmer, foi no Colorado que atacou o pobre e indefeso estorninho.
E, ao contrário da Bíblia, quem venceu foi o Golias...

Um cordial obrigado a A. de A. M.