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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Bibliofilia 167


Mesmo em bibliotecas especiosas  de consagrados e conhecidos bibliófilos podemos encontrar edições desvaliosas e vulgares que, provavelmente, também foram tratadas com desvelo pelos seus anteriores donos. O afecto aos livros não faz discriminação nem despreza exemplares porventura menos nobres...
Foi assim que encontrei, em boníssimo estado, cerca de duas dezenas de volumes, com encadernação do editor (Empreza da História de Portugal) das obras completas de Almeida Garrett, publicadas (1904) sob a orientação de Teófilo Braga. Os livros repousavam na prateleira de baixo das estantes, na loja do meu alfarrabista de referência, sítio que significava terem o preço simbólico de 1 euro, cada um.
Dos vários volumes, muitos deles de Teatro, escolhi apenas 4: um de Poesia e três sobre documentos (cartas, relatórios, projectos...) da vida pública (Parlamento, Governo e Diplomacia) de Garrett. Todos os livros tinham 2 ex-libris interessantes. Do grande bibliófilo Avila Perez e de Fernando Castelo Branco. Que aqui ficam registados por imagem. 


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Bibliofilia 154


Em observação ligeira, embora diversificada, tenho verificado que, nos lugares nobres e mais frequentados de Lisboa, os restaurantes têm vindo a aumentar os seus preços, significativamente. Penso que devido ao aumento brutal do turismo, mas também a alguma estabilização política e económica, registada no último ano, em Portugal. Bem como, por outros motivos certamente, o mercado do livro usado e antigo tem sofrido alterações de preços, no sentido ascendente. Para não falar dos preços dos livros novos...

Todos temos fraquezas. Todos temos alguns livros que, de há muito, gostaríamos de possuir na nossa biblioteca, mas o seu preço, demasiado alto, ou a sua raridade não no-lo tem permitido. Confesso que existem 4 ou 5 títulos que eu ambicionava ter, porém, já não estão, na sua maioria, ao alcance da minha limitada bolsa e disponibidades. Por outro lado, os alfarrabistas têm, também, os seus fetiches. É sabido, por exemplo, que as primeiras edições de Camilo são, normalmente, mais caras no Porto, do que em Lisboa...

Recebi, há alguns dias atrás, o Boletim Bibliográfico 57, da Livraria Luís Burnay, com um rico acervo de manuscritos (Garrett, Botto, D. Carlos, Herculano, Pascoaes, Vieira da Silva...), que integra ainda alguns outros lotes interessantes, de que destacaria:


38  - Catálogo da Biblioteca de Victor d'Avila Perez, em 6 volumes (1939-41)............... 38 euros.
116 - Menino, Pero - Livro de Falcoaria (1931).......................................................... 50 euros.
304 - Álbum do "Cavaleiro Andante" (BD), completo (1954-1963) ..............................  800 euros.

Tenho, na minha biblioteca, exemplares dos dois primeiros lotes, em bom estado, e que comprei, em finais do século passado, respectivamente, por: Esc. 4.500$00 e 2.200$00, num alfarrabista de Lisboa.


Ora, à luz desta realidade, os preços destes dois lotes referidos, no presente Boletim Bibliográfico, parecem-me relativamente desajustado ou, pelo menos, desproporcionados, entre si.
A menos que a procura se tenha grandemente invertido, nos últimos anos. O que me parece muito pouco provável...

terça-feira, 31 de maio de 2016

Bibliofilia 134


Nunca fui muito atraído por primeiras edições de Eça ou de Camilo. Muito embora me tenha apercebido, ao longo dos anos, que o autor de "Amor de Perdição" era mais bem tratado a Norte. Pelos alfarrabistas. As diferenças de preços, das obras Camilo Castelo Branco (1825-1890), entre Lisboa e Porto, são bem notórias.
Creio que do romancista de Seide tenho apenas uma primeira edição, cujo frontispício se apresenta em imagem. Custou-me, em Lisboa e há mais de trinta anos, Esc. 1.200$00. O exemplar, em razoável estado de conservação, não tem, no entanto, as capas de brochura e mostra alguns picos de humidade no papel.
Em 1939, Arnaldo Henriques de Oliveira considerava "D. Luiz de Portugal...", na sua impressão original (Porto, 1883): "...obra rara e de cuidada edição". Era o lote nº 1371 do leilão da riquíssima biblioteca de Avila Perez, que foi arrematado por Esc. 17$00.
Hoje, num breve zapping por alfarrabistas de Lisboa e Porto, encontrei 3 exemplares, para venda, da mesma primeira edição de Camilo, com preços que oscilavam entre os 30 e os 80 euros. O que, sem dúvida, revela um certo desnorte...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Bibliofilia 40 : Francisco Dias Gomes



Creio que já o disse, aqui, no Arpose: o interesse e a fortuna bibliófila de um livro não acompanham, necessariamente, a sua qualidade literária. Um caso exemplar são estas Obras Poeticas de Francisco Dias Gomes..., impressas pela Academia Real de Ciências, em 1779. Este livro da "riquíssima biblioteca de Victor M. d'Avilla Perez" que integrou o leilão nº 75 (lote 2352) de Arnaldo Henriques de Oliveira, em Outubro de 1939, foi arrematado por Esc. 16$00 - que era muito dinheiro, nessa altura. O lote ostentava a indicação: "Muito apreciado e já pouco vulgar". E tinha aposto o ex-libris do conhecido bibliófilo.
A poesia de Francisco Dias Gomes (1745-1795) é, francamente, medíocre, mas as notas do autor, que a acompanham, são copiosas, eruditas e, por vezes, muito interessantes. O volume, na minha modesta opinião, salva-se por isso e, talvez, porque a tiragem não terá sido grande, tendo sido feita em bom papel, também. Comprei-o nos anos oitenta, do século passado, num leilão, em Lisboa, por Esc. 2.800$oo, ou seja, cerca de 14,00 euros.