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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Divagações 211



Tenho a enraizada convicção de que os pássaros são discretos a morrer. Sobretudo as pombas, que normalmente escolhem um canto isolado para se aconchegarem, sem piar sequer, para desfalecerem de vez.
Por outro lado, salvo as aves trucidadas pelos veículos nas estradas, é raríssimo eu ver o cadáver abandonado de um pássaro morto na natureza. Talvez escolham o mar para repouso final.
É isso que me falta saber.

domingo, 2 de março de 2025

Antologia 23



"... O primeiro poema de Nemésio que conheci foi o dos alciões*. Ouvi-o da boca de Manuela Porto, há muitos anos, juntamente com outros que esqueci. Só os alciões, que regressavam cansados da viagem, me ficaram na memória. E nunca nenhuns outros versos do autor de La Voyelle Promise me surpreenderam tanto, me abriram tanta janela para a aventura sempre nova da poesia. Muito diferente daquele sortilégio é A Águia, de Jorge de Sena, escrito em 1970 e publicado postumamente. É um poema de linguagem rigorosa, implacável, dura, a linguagem de grande prosa, mas que serve também a grande poesia:

No olhar verde e vazio de pupilas raiadas
pelo sangue a escorrer do bico para as penas sujas
pardas e grisalhas de um pó excrtementício
que as grossas patas cobre como lama sua...  "

Eugénio de Andrade (1923-2005), in Prosa (pg. 151), Ed. Modo de Ler (2011).


* para quem desconhecer o poema referido, poderá lê-lo no Arpose (20/2/2010): Favoritos IX: Vitorino Nemésio.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

domingo, 22 de maio de 2022

Aves, ainda



Se a pomba (branca, normalmente) é muitas vezes usada na liturgia católica, pela sua associação simbólica com o Espírito Santo, os outros animais voadores não gozam de tão alto estatuto, quanto eu saiba.
Havia porém uma excepção curiosa, em França, com os simples pardais. Luís XIII (1601-1648), o Justo, que era também conhecido por Passarinheiro, pelo seu grande afecto às aves, mandou soltar, aquando da sua coroação em Reims, centenas de pardais na catedral, no acto solene.
Esta tradição fez caminho, pelo menos até à coroação de Carlos X, em 1825.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Ornitologia matinal



As gaivotas, de tantas, acabam por ser irritantes, as pombas impertinentes e chegam a ser atrevidas por já não terem medo dos seres humanos - têm a cobertura sempre inefável do PAN. Os pardais já foram mais (para onde terão ido?) mas também não temem os homens. Guardo a minha simpatia para as andorinhas e para os melros, estes com os seus saltinhos divertidos e passos miúdos que fogem, nervosos, da vizinhança humana.
Agora, uma poupa, na sua beleza e crista, é que eu nunca tinha visto tão de perto, talvez a pouco mais de 1 metro, no relvado do canteiro, junto ao café, fechado para férias, quando eu ia comprar o jornal. Que se afastou ligeira, mas discreta, logo que eu me aproximei e fixei a vista. Visão matinal de beleza, que me deu alegria. Acima fica a sua classificação e  descrição, constante do Guia de Campo das Aves (1994).

terça-feira, 22 de junho de 2021

Os estorninhos



Dos pássaros que consigo identificar com mais facilidade, o estorninho terá sido das últimas aves com que travei conhecimento visual. Em bandos, sobre o Tejo, através de nuvens movimentadas e atraentes. As ilustrações coloridas de Allen W. Selby e os pequenos textos (Brian Vesey-Fitzgerald) deste Book of British Birds (1954), em 3 voluminhos, embora simplórios, dão uma ideia destes pássaros gregários, cujos grupos são mais visíveis e frequentes em finais de Setembro/Outubro. O livro dá-os como habilidosos e capazes de imitar o canto de outras aves. Mas achei curioso e estranho que a casca dos seus ovos fosse de cor azul...

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Marcadores 25


Os dois pequenos marcadores, em imagem acima, acompanhavam o pequeno encarte de 24 páginas, muito cuidado e executado no atelier Henrique Cayatte. O belo voluminho, com uma tiragem de 500 exemplares, dava conta e celebrava (2001) os trabalhos de restauro, feitos na BNP, do raro exemplar The Birds of America (1827-1838), do ornitólogo, pintor e naturalista John James Audubon (1758-1851), de que a Biblioteca possui o conjunto completo dos 4 tomos. A obra original teve apenas uma tiragem de 130 exemplares, sendo por isso muito rara e de alto preço. E é de grande beleza e rigor nas ilustrações.


em geminação temática e para MR, no seu Prosimetron.  


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Filatelia CXXIV


De entre as temáticas filatélicas, a das Aves é uma das mais apetecidas pelos coleccionadores.
Conhecedores do facto, alguns Correios estrangeiros exploraram essa fraqueza dos filatelistas. Portugal não fugiu à regra nem ao filão, mas nas ex-Colónias, sobretudo. Data de 1951, a primeira série sobre aves e foi produzida para Angola (ver Filatelia CXVII, de 24/2/2017, no Arpose), mas a sua execução foi entregue à famosa empresa Courvoisier S. A. (Suiça), que fez um belo trabalho. Ainda hoje esta série, de 24 valores, é muito cobiçada e está bem valorizada, nos catálogos nacionais e estrangeiros.



Também a Inglaterra começou pela Commonwealth (Austrália, Nova Zelândia, Colónias africanas...), até que, em 1980, emitiu, para o próprio Reino Unido a sua primeira série de Pássaros, para comemorar o centenário do World Bird Protection Act, composta por 4 selos, personificando: o Alcião*, o Tordo mergulhador, a Galinhola e a Alvéola (por esta ordem, na primeira linha da imagem). Como a série teve imenso sucesso, em 1989, repetiram a proeza. Desta emissão, damos em imagem, 2 dos 4 selos (na segunda linha). O primeiro representa o Mergulhão** e o segundo dá pelo nome inglês de Oystercatcher (Ostreiro?).

Nota pessoal e aditamento posterior:
tenho por princípio, no Arpose, evitar, sempre que possível, transcrições em línguas estrangeiras. Mas traduzir, para a nossa língua, representa sempre algum risco, e dá trabalho a quem o faz.
Amigavelmente, AVP, em diálogo cordial e construtivo, pôs-me algumas dúvidas em relação às traduções que fiz, sobre os nomes, em português, de aves, neste poste.
As discordâncias ou incertezas sobre os nomes, vão assim em asterisco:
* Alcião (Kingfisher) é, no entender de AVP, o nosso Martim-pescador ou Guarda-rios, no que estarei quase pronto a concordar.
** Mergulhão (Atlantic Puffin), na opinião do meu Amigo, seria o Papagaio-do-mar. Eu inclinar-me-ia para a hipótese alternativa de poder ser o Ganso-patola. Mas não tenho a certeza...
Seja como for, o meu agradecimento a AVP.  

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Das Aves


Diz, quem sabe, que o Corvo é das aves mais bem apetrechadas para imitar os humanos, e não destituido, de todo, de sentido de humor e originalidade própria, consoante o seu convívio, maior ou menor, com os homens. Creio que os Papagaios também os acompanham, nessas qualidades singulares, bem como os melros, embora com muito maiores limitações. E alguns periquitos, treinados, também fazem algumas pequenas habilidades...
Mas, há dias, li uma história sobre rouxinóis, que me deixou pasmado. Um Pastor do sul da Alemanha costumava levar as suas ovelhas, acompanhadas do seu cão, para um campo de pasto determinado, havia tempos. Até que para lá foi nidificar um bando de rouxinóis.
O Pastor costumava comandar o seu cão através de assobios modulados para cada uma das actividades que pretendia que ele executasse junto do rebanho. Até os rouxinóis terem aprendido a imitar esses assobios. E, de tal maneira, aperfeiçoaram os seus pios, que o cão-pastor passou a andar numa fona, tipo barata tonta, sem saber a que assobio contraditório obedecer...
Claro que o Pastor germânico teve que mudar de pastagens.
Donde se poderá talvez concluir que algumas aves são mais inteligentes do que alguns cães. E têm gosto em se divertir. Só talvez não tenham ainda aprendido a rir...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Filatelia CXVII


Com alguma frequência, sobretudo antigamente, e quando era exigido algum rigor na reprodução de imagem, os CTT de Portugal contratavam firmas estrangeiras para a produção de algumas séries de selos nacionais.
Creio que a primeira série filatélica a ser produzida fora da Casa da Moeda foi a do 5º Centenário do nascimento do Infante D. Henrique (1894), com desenhos de Veloso Salgado. As estampilhas foram trabalhadas na Giesecke & Devrient, de Leipzig (Alemanha). Também a Waterlow & Sons (Londres) produziu várias séries de selos para os Correios Portugueses.
No caso das Colónias, nomeadamente Angola, a notável e celebrada série das Aves* (1951) foi heliogravada pela Courvoisier, SA (Suiça), que já tinha produzido, para os Correios de Portugal continental, as emissões do Presidente Carmona (1945), Costumes Portugueses (1947) e Avis (1949), todas elas de grande apuro e qualidade gráfica.
O apetrechamento nacional foi-se entretanto aprimorando e, em 1953, a Litografia Maia (Porto) já foi capaz de produzir, também, a bela série de Animais de Angola, com grande perfeição gráfica. É essa série, na íntegra, que se reproduz em imagem, bem como alguns valores da série de Aves, de 1951.

* A série de Aves (Angola, 1951), completa, tem, actualmente, um valor de catálogo (Mundifil, 2015) de 660 e 100 euros, consoante for nova ou usada.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Por falar na Arrábida, as aves...


O sossego de terra deserta faz daquela ponta de areal o paraíso das aves marinhas, que no tempo primaveril vêm brincar para as praias abandonadas, principalmente do lado do rio, e ali chapinham na água, correm à desfilada pela areia dura da baixa-mar, ou aprazidamente se catam ao sol, gozando a tranquilidade dos entardeceres tão lúcidos e silenciosos. Os maçaricos andam aos bandos, correm num passinho lépido, levantam em voos súbitos; as gaivotas pairam alto, ou poisam à beira das ondas, paradas e soturnas; mas entre a bicheza que por aqui abunda, a mais cativante é decerto a garça, de uma alvura estreme, compassada e mesureira no seu andar de bicho pernalta, quedando-se às vezes estática, a remirar-se, a presumida, no espelho de alguma poça. Parece um reino encantado. O mar, o céu e a praia, o fresco hálito salino que de tudo transpira e a espaços se alterna com o respirar resinoso das matas próximas, sobretudo o sossego e isolamento, tão apetecido destas aves, suspicazes em seus modos, ao mesmo passo que serenas, tudo imprime ao lugar um sabor edénico - surpreendente e aprazível cantinho de um mundo de sonho.

Manuel Mendes (1906-1969), in A Sul do Tejo (pgs. 55/6).

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Bucólica e aérea


Altíssimo, único e pairando em círculos cada vez mais alargados, só podia ser, ao longe, o peneireiro que eu já não via há muito. Mas quando, à pressa, fui buscar os binóculos e voltei à varanda, já não o consegui mais localizar, no azul, a sudeste.
Daí a estranha ausência de pássaros, no horizonte próximo: nem gaivotas, nem pardais e os dois casais de rolas, que por aqui vejo todos os dias, devem ter-se remetido ao abrigo de alguma árvore mais entrançada, que os esconda e proteja.

sábado, 7 de setembro de 2013

Um pequeno aditamento pessoal, ornitológico e aquiliniano


Escolher é, forçosamente, também recusar ou excluir, pelo menos. Há que delimitar as opções.
Quando folheei o "Guia das Aves de Aquilino Ribeiro", de que aqui falei (22/8/13) e recomendei recentemente, uma das primeiras coisas que fiz, foi consultar-lhe a bibliografia usada. Dela constam 13 livros mas, para minha grande mágoa, "A Casa Grande de Romarigães" (1957), que eu considero a obra-prima aquiliniana, não fora objecto da antologia. Fora ignorada, simplesmente. Pus-me em campo, na perspectiva ornitológica, e comecei a reler. Do início da releitura, aqui vão algumas achegas ou aditamentos, sobre aves, aquilinianos:

Também ali perto, por uma tarde fosca de Outubro, chegou um gaio, voejando de chaparro em chaparro, a grasnar mal-humorado como é próprio da raça. (pg. 14)
...
Traziam um nebri e um esmerilhão ensinados na caça de volataria, mas ainda não houvera ensejo de largá-los. (pg. 19)
...
Ao subir pela vereda que passava meio monte, um bando de perdizes tocou os alegres tintinábulos. (pg. 20)
...
Os corvos, naquela manhã cortavam de estafeta da serra da Arga para a Labruja e viram naquela lidairada na veiga de Romarigães, crocitaram:
- Teremos outra vez guerra?!
Na mata, os picanços e rincha-cavalinhos despediram para outras paragens. Calaram-se as rolas nas corutas dos pinheiros e as poupas ficaram de sobreaviso, pentes ao alto como sevilhanas em praças de toiros. (pg. 25).

E foi esta a colheita, só até à página 25 de "A Casa Grande de Romarigães" : 9 referências a aves! E o livro ainda tem mais 414 páginas para ler...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Recomendado : quarenta - Aquilino e os pássaros


O livro é uma maravilha, quer pelos nacos de boa prosa de lei, aquiliniana, quer pelas ilustrações (de Maico) cuidadas que o acompanham. E ainda tem um CD - porque é um audiolivro - com o canto de pássaros.
É um trabalho minucioso de pesquisa de Ana Isabel Queiroz, com várias colaborações prestimosas e desinteressadas de vários especialistas, que se juntaram numa vontade colectiva e meritória. Para quem aprecie Aquilino Ribeiro, é uma obra imperdível, para quem goste de aves, irresistível.
Aqui fica um cheirinho de uma espécie de ladainha tradicional, que Aquilino integrou em O Homem da Nave
A carriça 
diz a missa;
o tuinho 
deita o vinho,
o cartaxo
bota abaixo,
e o pardal
muda o missal.
Aqui fica aviso e recomendação.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

As aves e a Vista Alegre


Sempre que entro na loja da Vista Alegre, ao Chiado, sou surpreendido, invariavelmente, por alguma nova criação da prestigiada marca de porcelanas. Por razões entendíveis, não vou lá com frequência, mas apenas quando tenho um objectivo preciso a concretizar.
Por outro lado, o conhecimento das aves é um saber difícil, sobretudo das mais pequenas, mais assustadiças que, raramente, se deixam observar com vagar e detalhe, para as reconhecermos e identificarmos correctamente. Embora o voo e o canto - se for o caso - possam ajudar.
Pois, hoje, dei-me conta de uma nova (?) criação da V. A. - Aves de Portugal - constituída por seis pássaros, com uma tiragem de apenas 250 exemplares. Muito bonitas. Trouxe um catálogo que aqui deixo em imagem, parcialmente. Há mais 2 aves, na série: o verdilhão e o priolo (dos Açores).
Se consigo reconhecer, algumas vezes, o pintassilgo e a alvéola (sobretudo pelo agitar do rabo, para cima e para baixo), já o abelharuco e o rouxinol, nem sempre os identifico, na Natureza e em liberdade. Pode ser que a observação deste catálogo da Vista Alegre, no futuro, me venha a ajudar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pessoal e único


Se eu disparar a fisga, quase adivinho que o pássaro não morre. A minha pontaria, mesmo que por humor cruel e desapiedadas palavras, ou movimento trémulo, não o atinge na alma - que será a última coisa a esvair-se, porque é inconsútil e aérea. Talvez já na infância o soubesse, mas só agora o compreendo em toda a intenção do disparo, seja da pequena pedra, ou da palavra, que nunca é a certeira.
Porque sempre gostei de aves. E algumas são únicas, ou que só veremos, uma vez, na vida. E não cantem, já.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Outono das aves


Sempre me perguntei para onde vão as aves, nestes tempos de borrasca - que as não vejo.
Das andorinhas, sei eu que já foram para Sul. Mas o que será feito dos pardais que, ainda há uma semana, chilreavam, ao fim da tarde, a aconchegar-se no interior da árvore frondosa, ali defronte? Melros, hoje, não vi nenhum, nem mesmo as gaivotas apareceram. Apenas, o crocitar de (2?) corvos invisíveis.
Mas também eu já não páro na varanda a leste, senão alguns minutos, até os pés imóveis se harmonizarem com o frio da tijoleira. Em breve, só espreitarei do interior, para saber das rosas, dos 9 limões e do loureiro juvenil, muito rijo e direito.
Talvez os estorninhos já tenham começado a sobrevoar Lisboa, nos seus voos vertiginosos e densos. No domingo tenho que os procurar com atenção. E vem-me à memória Mafra e os versos de Outono de Gastão Cruz:

Dos castanheiros a folhagem árida
já desce no ar morto que se move
dentro da palidez do céu de outono
sobre as aves imóveis...