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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Mercearias Finas 189



Sou guloso, q. b., quanto a doces de colher. E, sobretudo, quando era novo, pelava-me por ovos moles de Aveiro. Muito embora, quanto àquelas barriquinhas de madeira pintada, sempre as considerei um grande logro para incautos. Pois continham apenas uma pequeníssima quantidade de ovos moles para o tamanho desproporcionado das ilusivas barriquinhas de madeira.
Os pasteleiros da nossa Veneza portuguesa é que a sabiam levar!...

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Em tempo


Não sendo eu grande apreciador de arte sacra ou pintura com motivos religiosos e hagiográficos, abro,  no entanto, algumas excepções. E não sou entusiasta destas temáticas, pela pouco originalidade que encerram e pelas encomendas pouco inspiradas de que foram objecto. Tal como aqueles versinhos provincianos comemorativos que se fazem e fizeram muito, sobretudo nos séculos XVII e XVIII. Ora, dessas pinturas de motivos religiosos, normalmente medíocres, estão as nossas igrejas cheias. Para isso, prefiro os ex-votos que, na sua rudeza ingénua, têm, pelo menos, uma bruta autencidade original.
Não é o caso desta Nossa Senhora da Madressilva, que se guarda no Museu de Aveiro. Que me fascinou, nesse meio caminho entre o gótico e a Renascença, vinda de Itália (Oficina de Siena) e pintada que foi, a tábua, por volta de 1500. Terá sido comprada e trazida por D. Catarina da Silva (daí a invocação: Madressilva), quando por lá andou a acompanhar a futura imperatriz D. Leonor para casar com Frederico III. Mais tarde, D. Catarina veio a professar no Convento de Jesus, e a belíssima pintura veio com o dote da fidalga. Das obras que enriquecem o Museu de Sta. Joana, é uma das que eu não podia esquecer. Pela sua quase perfeição.
Aqui fica, em preito de homenagem e admiração estética.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Pinacoteca Pessoal 128


Dele nos diz Manuel Telles da Silva, no seu Vida e Feitos de D. João II, que: "Foi de estatura um pouco elevada e de corpo delgado até à adolescência, mas depois obeso; o rosto comprido e formoso, entre o branco e o corado; os olhos negros e agradáveis, mas, quando se irava, raiavam-se de sangue e incutiam temor; o nariz de justa medida. Os cabelos eram densos e arruivados, e, embora tivessem embranquecido precocemente, não deixou arrancar as cãs."



Tiveram vida breve os dois filhos de D. Afonso V (1432-1481). Se D. João II (1455-1495) ultrapassou em pouco mais de 5 meses, os 40 anos, sua irmã mais velha, princesa Sta. Joana (1452-1490), finou-se com 38, em Aveiro. Da iconografia existente verifica-se uma parecença física notável. A boca, o rosto alongado e provavelmente a cor dos cabelos, para além dos olhos. Mas também a obstinação de carácter os irmanava. D. Joana na recusa em casar-se, D. João II na forma desapiedada e firme com que consolidou o seu poder pessoal e régio.
O retrato da Princesa, considerado da escola de Nuno Gonçalves, é um dos ex-libris do Museu de Aveiro, homónimo. Em Sevilha, na Fundação da Casa Ducal de Medinacelli, está o retrato de D. João II, cópia de um retrato perdido do Príncipe Perfeito, pintado talvez em 1490, de autor desconhecido.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Conversa fiada


Há um tremeluzir na imagem das casas, depois do rio, vistas da janela aberta à aragem caprichosa desta noite de Julho. Não se recolheram ainda as andorinhas, muito menos as gaivotas, que serão as últimas.
Alguém dos confins da Etiópia (primeiro visitante da Abissínia, a chegar ao Arpose) vem parar à imagem  de um chinês a rir - coisa pouco comum, que eles são, por tradição, discretos. Um garoto (?) de Aveiro, incessantemente, procurou, pelo Blogue, imagens de cromos de jogadores de futebol, antigos: veio já 5 ou 6 vezes, repetidamente, hoje. Um brasileiro, quiçá fetichista, anda na devassa de tranças: encontrou umas loiras, bem bonitas, por aqui, mas não se contentou... 
Ao meu lado esquerdo, no livro pousado, dizia Montale:

...A vida que dá sinais
é a única que vês.
Vais-te chegando a ela
da janela escurecida. ...