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quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Pelo centenário de Eugénio de Andrade (1923-2005)

 

Passam hoje, precisamente, cem anos  sobre o nascimento de Eugénio de Andrade na Póvoa da Atalaia.
Poeta maior da nossa literatura, tive o gosto de o conhecer pessoalmente e com ele trocar correspondência. A ele devo o começar a ter lido Guimarães Rosa, romancista que ele me recomendou por volta de 1968. Mas também o facto de começar a ter mais confiança nos poemas que ia escrevendo.




Esta carta inédita, que publico hoje no Arpose, e que data de 2 de Maio de 1967, refere um pequeno poema de Eugénio de Andrade, que veio a ter um outro título (Nocturno da Água) quando publicado em livro (Ostinato Rigore), depois de ter saído inicialmente em revista. Aqui o reproduzimos na versão final.

Pergunto se não morre esta secreta
música de tanto olhar a água,
pergunto se não arde
de alegria ou mágoa
este florir do ser na noite aberta.

Deixo este meu pequeno contributo em memória de Eugénio de Andrade, pela passagem do seu centenário.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Miscelânea bibliográfica e poético-canora


Quando, em Dezembro de 1963, a Portugália fez sair, na sua prestigiada colecção Poetas de Hoje, os Poemas de Edmundo de Bettencourt (1889-1973), o poeta madeirense não seria conhecido de muitos leitores portugueses. O seu nome, um pouco a exemplo recente de Bob Dylan, era mais reconhecido como cantor, nesse particular, de fados de Coimbra. As Saudades de Coimbra, de sua autoria, e Samaritana eram gravações de êxitos que lhe estavam associados.
Mas o elogioso prefácio (Relance sobre a poesia de Edmundo de Bettencourt), de Herberto Helder, com um apologético apoio e explicação dos singulares Poemas Surdos, contribuiram para que o livro fosse procurado e se esgotasse. A insularidade de ambos os poetas talvez explique esta aproximação, à partida, pouco provável.


Afora poesias avulsas, esparsas e intermédias publicadas em revistas, Edmundo de Bettencourt fora colaborador (e, depois dissidente, com Torga e Branquinho da Fonseca) da revista Presença e publicara apenas e sob a  chancela deste movimento, 33 anos antes, um único livro de poemas intitulado O Momento e a Legenda (1930). O meu exemplar, adquirido não há muito tempo num alfarrabista de Lisboa, fora dedicado a Mário Coutinho (1899?-1984) e incluia, solto, também um poema passado à máquina, assinado, que teria sido publicado na Revista de Portugal, segundo indicação manuscrita de Edmundo de Bettencourt.


Não ficaria de bem comigo se não juntasse, a este poste, uma das gravações, antigas, do poeta-cantor de Coimbra, pese embora a deficiente gravação do fado conimbricense que, para mim, é um dos mais bonitos que conheço. Talvez valha a pena informar que o fado "Samaritana", em causa, no período do Estado Novo, era proibido, pelo tema provavelmente beliscar a moral católica. Pude, no entanto, ouvi-lo, na República Baco, clandestinamente e entre amigos, no início dos anos 60, em Coimbra. E aqui fica ele, pela voz de Edmundo de Bettencourt. Que era também poeta. Como o Bob Dylan.



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Pessoal e intransmissível


As palavras têm uma origem própria, uma semântica. Mas no plano pessoal e mais íntimo podem também possuir uma (segunda) paternidade: daquele ou daquela a quem as ouvimos pela primeira vez - se nos lembrarmos disso. Finalmente, depois de muito gastas e mecanicamente usadas, podem ressurgir ou renascer, com novo vigor, por um acontecimento fortuito.
Por vezes, acontece que uma simples palavra ganha presença, destaque e um carácter novo, pela posição que ocupa num poema. Adquire perspectiva, mais ampla, dimensão diferente e autónoma. Distancia-se do contexto e significação com que a utilizávamos no dia a dia, anteriormente. Ganha vida.
Lembrei-me, hoje, disso ao preencher, nas palavras cruzadas, os quatro rectângulos do vocábulo lume. Aqui há 50 anos atrás, em autógrafo de Eugénio de Andrade (1923-2005), ao lê-la, essa palavra ganhou uma nitidez independente e uma força nova, imprevísivel antes, para mim. E assim continua...



Nota: Eugénio de Andrade nasceu a 19 de Janeiro de 1923, na Póvoa de Atalaia (Fundão).

sábado, 13 de junho de 2015

10 anos


Eugénio de Andrade (19/1/1923 - 13/6/2005).

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Urbano, em contra-ciclo


Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013), falecido há cerca de 4 meses, celebraria 90 anos, hoje, se fosse vivo. Preocupado com as estridências do momento, o mundo cibernético dos blogues pseudo-literários já o deve ter esquecido e, com certeza, poucos o irão lembrar. Há mais mortos ilustres, e mais recentes...
Mas eu gostaria de o recordar, mesmo que fosse só pelo que lhe deve a minha juventude, através deste texto manuscrito de Mário Cláudio (1941), onde o escritor portuense fala, também, do Alentejo. Exemplarmente.

com agradecimentos cordiais a A. de A. M..

sábado, 19 de janeiro de 2013

Eugénio de Andrade faria, hoje, 90 anos


Nota pessoal: a carta manuscrita, de Eugénio de Andrade, data de 5 de Janeiro de 1967.