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quarta-feira, 15 de março de 2017

Outros tempos


Os tempos são outros, evidentemente, mas a margem direita do Tejo está mais bonita, passeável e amena. Se calhar, tão agradável como Ramalho Ortigão (1836-1915) a pintava, por alturas de 1870. A gente que a frequenta, agora, é que é diferente... Mas voltemos às palavras do escritor portuense, insertas em Correio de Hoje II (pg. 17):

"O Aterro está sendo desde as duas até às cinco horas o passeio predilecto da elegância da Capital. Reunem-se ali muitas carruagens, e muitas senhoras do high-life se apeiam para respirarem a brisa do mar, saudavelmente impregnada nas exalações do alcatrão. É o prazo dado às rainhas do grande e do pequeno mundo, às pálidas estrelas da aristocracia, aos astros rutilantes da finança, e el-Rei vai ali algumas vezes guiar os cavalos da sua carruagem. A senhora condessa de Edla e o sr. D. Fernando escolhem aquele ponto para os seus passeios a pé." 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O Aterro


O Aterro, também chamado Grande Aterro ou Aterro da Boa Vista (do nome homónimo da praia fluvial ali existente), foi obra grande da engenharia portuguesa do século XIX, que teve como objectivo principal a construção do novo ou moderno porto de Lisboa, ordenando, humana e artificialmente, a margem direita do Tejo. As obras de conquista de terras ao rio, com pedras da região de Marvila, permitiram, também, a construção da Avenida 24 de Julho.
Dei-me conta, há dias, da diminuta quantidade de autores portugueses que se estudam no ensino secundário, se comparados com os escritores que eu tive de estudar, na minha juventude. Soterrados ficaram, entretanto, os Cancioneiros, medievais e Geral, Sá de Miranda, Francisco Manuel de Melo, grande parte do séc. XVIII, Nobre, Camilo... E a actualização dos nossos dias incorporou mais, e apenas, Pessoa, Sttau e Saramago.
Com esta rasura e aterro, nem sequer se construiu (em jeito de metáfora) nenhuma útil Av. 24 de Julho... E eu bem gostaria de saber porquê? Ou em nome de que alto espírito e intenção.