Em aditamento, externo, ao poste Desabafo (106), de 30 de Março de 2026, sobre o mesmo assunto, e texto do cronista António Guerreiro, na ípsilon, do jornal Público de hoje.
Não há nada como um bom luto, concorrido. Do antigamente, se fala dos funerais de Junqueiro e João de Deus: eram poetas e o povo juntou-se na homenagem e aos magotes. Mais recentes e frequentadas, as homenagens a Amália, Cunhal e Eusébio, que também compreendo. Agora, quanto a Balsemão, estou como António Guerreiro que estranhou (ler a crónica do Público) a enorme expressão de pesar das carpideiras e dos jornalistas viúvos...
A coluna semanal de António Guerreiro na ípsilon do jornal Público contém sempre, ao fundo, uma espécie de P. S., em que o cronista comenta um dito anterior de um publicista; este último, de Miguel Sousa Tavares.
Esqueceram-se ambos, provavelmente, de referir que o tema já tinha sido abordado, de forma competente e mais aprofundada, aqui há alguns anos atrás, pelo ensaísta George Steiner (1929-2020).
"... A esquerda que anda há mais de uma década convencida das suas causas fracturantes, que nos EUA tem consequências práticas, muito mais absurdas do que na Europa, acantonou-se nas elites e perdeu as suas bases sociais, a começar pelos sindicatos. Se lessem Marx, perceberiam que trocar bases sociais por bases intelectuais é derrota certa. ..."