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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Apontamento 70: "Ausência de autoridade(s) de espírito


Das minhas leituras, de "coisas antigas", que a Escola, dificilmente, irá recuperar, mesmo em forma de antologia, re-descobri "As Farpas" de Ramalho Ortigão.

R. Ortigão, sobre o falecimento de Alexandre Herculano, a 14 de Setembro de 1877, publicou, no dia seguinte um belíssimo texto. Pela actualidade de algumas das suas observações, aqui deixo um pequeno excerto:


Post de HMJ, dedicado aos Herculanos sérios e verdadeiros

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Perenidade


"Não é verdade, leitor de bom senso, que n'este momento historico só ha logar para o humorismo? Esta decadencia tornou-se um hábito, quasi um bem-estar, para muitos uma industria. Parlamentos, ministerios, ecclesiasticos, politicos, exploradores, estão de pedra e cal na corrupção. O aspero Veillot não bastaria; Proudhon ou Vacherot seriam insufficientes. Contra este mundo é necessario resuscitar as gargalhadas historicas do tempo de Manuel Mendes Enxundia. E mais uma vez se põe a galhofa ao serviço da justiça!"

Parecem de hoje, estas palavras, mas são de Junho de 1871, tendo portanto 140 anos. Foram escritas por Eça de Queiroz (1845-1900), cujo aniversário de nascimento passa hoje.

sábado, 22 de janeiro de 2011

De "Uma Campanha Alegre"...



...um pequeno excerto, das palavras de Eça de Queiroz:
"...Portugal, não tendo principios, ou não tendo fé nos seus principios, não pode propriamente ter costumes.
Fomos outr'ora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna. Comprehendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: e fizemos muitas revoluções para sahir d'ella. Ficamos exactamente em condições identicas. O caldo da portaria não acabou. Não é já como outr'ora uma multidão pittoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, que o vae buscar alegremente, ao meio dia, cantando o Bemdito; é uma classe inteira que vive d'elle, de chapéu alto e paletot. ..."

Eça de Queiroz, in Uma Campanha Alegre (pg. 31), Aillaud & Lellos, 1933.