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segunda-feira, 2 de março de 2015

Pequena história (33)


São-me gratos os arminhos, sobretudo, pelo quadro de Leonardo da Vinci, que se guarda no Museu de Cracóvia. Mas também não sou indiferente à memória de Laurence Olivier (1907-1989), que sempre considerei um grande actor. A história, um pouco cruel por sugestiva e insólita, colhi-a do livro de Alberto Manguel (Journal d'un lecteur), que ando a ler.
Terão perguntado um dia a Laurence Olivier como fazia ele para conseguir dar um grito tão impressivo, na peça de Sófocles (Édipo Rei), ao representar. Ao que ele terá respondido que tinha ouvido falar que, no Árctico, para caçar os arminhos, espalhavam sal pelo gelo, e os animais acorriam para vir lambê-lo. A sua língua gelava, então, e ficava presa ao gelo. Olivier terá pensado nisso, para expressar o lancinante grito de Édipo.