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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Da leitura (54)



A ter em conta como ideia ou para expressar um contraditório: 

"... Como afirma Peter Bürger (1954) na sequência do legado de Walter Benjamin, com a invenção da fotografia não é apenas a pintura que perde a sua «função» social, mas é sobretudo o antagonismo entre arte e sociedade burguesa que paulatinamente retira à arte qualquer utilidade social, o que implica, por um lado, o esteticismo (a consagração da arte exclusivamente em função dos valores estéticos), e, por outro, a especialização do artista, a partir da progressiva divisão do trabalho."

José Carlos Pereira, in O Valor da Arte (pg. 64).

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Assim vai a arte



Vai longe o tempo em que as obras de arte se adquiriam por gosto estético, por empatia cultural e, maioritariamente, sem ter em conta a eventual valorização do objecto. Hoje, na prática, quase tudo se compra no propósito de investimento e ganhos futuros. Esta serigrafia de Andy Warhol, semelhante a uma série de mais 4 que só diferem nas cores, atingiu um recorde, neste início do século XXI. Representante icónica da Pop Art, ultrapassou o anterior valor máximo de obra de arte, em leilão, que pertencia ao quadro Les Femmmes d'Alger, de Picasso, que também a Christie´s vendera, em 2015, por 170 milhões de euros.
A obra de Warhol foi arrematada por um conhecido galerista norte-americano (Larry Gagosian) e, o único aspecto que eu, subjectivamente, considero positivo, é que o montante apurado na venda será destinado à criação de sistemas de apoio de prestação de cuidados de saúde para crianças e programas educacionais.
Valha-nos, ao menos, isso!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Lembrete 72


É o segundo número da Revista de Museus, editada pela Direcção-Geral do Património Cultural, e saído recentemente. O aparato gráfico é original, o design com alguma qualidade e recomenda-se. Os textos (teóricos) é que são um pouco repetitivos e pobrezinhos...

terça-feira, 16 de abril de 2019

A arte de rebaixar a Arte


Sabe-se que Rembrandt foi um dos pintores europeus que mais se auto-retratou.
Não conheço, nem sei da qualidade mental do sr. Taco Dibbits que, ao que diz o TLS, será o director do Rijksmuseum de Amesterdão. Onde, até 10 de Junho de 2019, estará patente uma grande exposição (All the Rembrandts) sobre a obra do pintor holandês.
Mas aquele sr. director deve ser um homem propenso a afirmações ambíguas ou infelizes, e o seu pensamento deve puxar-lhe, intrinsecamente, para o chinelo. Bombástico, afirmou tonitroante - também segundo o TLS - que Rembrandt terá sido "o primeiro Instagrammer" (sic). Qualquer dia, e se não o calam de vez, ainda é capaz de dizer que Van Gogh foi o primeiro autor de "selfies"...
Irra!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

As palavras do dia (35)


Vale a pena ler na íntegra esta crónica de António Guerreiro, na ípsilon, do jornal Público, de hoje.
E, depois, perguntarmo-nos, criticamente e caso a caso, da bondade de muitas fundações que por aí proliferam, sob a máscara da generosidade humana dos seus criadores...

domingo, 24 de março de 2019

Divagações 144


O trabalho em mármore Taddei Tondo (= Composição Circular), de Miguel Ângelo Buonarroti (1475-1564), executado entre 1504 e 1505, é a única peça escultórica do artista italiano existente na Inglaterra. Pertence ao acervo da Royal Academy (Londres).
Este museu londrino, segundo o TLS (nº 6049), tem em exposição, até 31 de Março de 2019, uma mostra intitulada Bill Viola / Michelangelo - Life, Death, Rebirth. Viola (1951) é um vídeo-artista norte-americano estimável, com notoriedade e nome feito.



Quando se começou a falar e tratar, universitariamente, a cadeira de Literatura Comparada, era talvez muito cedo para miscigenar artes plásticas e obras de artistas diversos. Mas, hoje em dia, isso tornou-se comum e frequente.
Um pouco na sequência da 3ª proposição do poste anterior (Miscelânea...), não sei se isto não será excessivamente contraproducente e forçado. A facilidade, por exemplo, com que se usa, hoje, o nome de Arte Urbana, para classificar alguns mamarrachos, nas paredes das cidades, preocupa-me...
Parece-me ser tudo isto mais uma das delicadezas da democracia: fazer descer a arte até ao povo. Em vez de o educar e fazer subir os degraus estéticos da arte, criando-lhe referências, sentido crítico e ferramentas de rigor.
Positivamente, não creio, por muito bom artista que Bill Viola seja, que se possa (já) pô-lo em paralelo com a grandeza da obra de Miguel Ângelo. Há coisas que não se podem ou não se devem, pelo menos e em nome do bom senso, comparar.


sábado, 3 de novembro de 2018

Segundas vias


Uma coisa é vocação, outra, sobrevivência.
Há, no entanto, equivalências que são mais bem aceites do que outras, pelo espírito humano. Que um professor seja também romancista ou poeta, é tacitamente entendível e considerado normal, pela comunidade. Um médico romancear (Torga, Namora, Araújo Correia...), não causa ainda a mínima estranheza.
Já um bancário ser poeta e ensaísta (T. S. Eliot) cria alguma perplexidade e, nalguns espíritos demasiado ortodoxos, causa alguns engulhos de classe ou elitistas. Mais ainda, se um contabilista ou correspondente de línguas (Fernando Pessoa) se põe a poetar, ou se um empregado de uma loja de ferragens (Cesário Verde) se dedica, em primeira instância, a escrever versos. Primorosos, aliás.
Para subsistir, ocupar a rotina com banalidades pode ser útil e saudável, sobretudo se for para deixar à solta a criatividade pessoal. Como fez, por inicial necessidade, Carlos Paredes, administrativo dos Hospitais Civis de Lisboa, que nos deixou melodias maravilhosas...
O ócio, quando existe e é bem administrado, pode vir a ser arte. É preciso  é ter vocação para algo mais, do que passear na vida, por ver andar os outros.

domingo, 5 de agosto de 2018

Divagações 132


Uma das características imprescindíveis de uma obra prima ou de um clássico, para mim, é que não pode, nem deve ter unicamente uma leitura ou interpretação linear. Mesmo que, para alguns, essa seja a única visão - a da superfície das águas. 
Um poema, uma pintura abstracta, um filme, uma peça musical, de qualidade, deve obrigar a uma descodificação da emoção que desperta, um travo longo - como de um vinho raro - que se prolonga. Uma reflexão posterior, em suma, que pergunta a Vida.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Por assim dizer


Há quem se intimide com pequenas coisas, quem faça cerimónia em dizer não. Ateus há, que nunca entraram numa igreja, da mesma forma que os analfabetos, em princípio, nunca tiveram a experiência de franquear as portas de uma livraria - o que é lógico, a menos que se trate de alguma senhora de limpeza, iletrada, que lá vá exercer a sua higiénica função.
Mas também existem pessoas que, perante objectos e factos, observam um prudente respeito, quase sagrado, e nunca se perguntem da sua qualidade, da justificação da sua criação, do valor estético (ou não) inerente. Como, inexplicavelmente, há seres humanos que, perante uma música que foi gravada, um livro que foi publicado, uma estátua, um quadro, lhes atribuam o valor incontestável de tabu. Uma indiscutível autoridade. Só por existirem, no concreto da sua realidade.
Creio ser este, para além do hipócrita respeitinho português, um dos factores responsáveis pelo atraso de mentalidades e pela falta de sentido crítico nacional.
Dixit

domingo, 10 de dezembro de 2017

Natal, livros, fadas, arte e pesadelos...


Por esta época, retrocedemos. Ao menos, de memória. Uma fuga ilusória para o virtual aconchego de uma infância retocada de lareiras, brinquedos, livros de fadas e afectos desaparecidos, em que o futuro parece ser apenas o passado do presente. E não será preciso citar T. S. Eliot para reunir os três tempos do Tempo, numa confluência desejada, mas irreal.


A artista britânica Su Blackwell (Sheffield, 1975), tirado o curso de Belas-Artes, tem-se dedicado, desde 2003, a recortar livros infanto-juvenis, usados, que compra em alfarrabistas, transformando-os em pequenas esculturas de papel, alusivas às histórias aí narradas. Evidentemente que as palavras acabam por ser canibalizadas pela imagem. Como antes, as árvores tinham sido canibalizadas pelos livros.



Será muito discutível este processo. Para alguns, esta destruição dos livros pode assemelhar-se a um pesadelo desrespeituoso; para outros, sobretudo nesta época natalícia, a fantasia que desperta, anula, de algum modo, o acto criminoso.
Seja como for, cada um destes livros artísticos é vendido a 5.000 libras inglesas...
Alguém quer atirar a primeira pedra?

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Divagações 127


Era Harold Bloom que falava da angústia da influência, querendo dizer que nenhum artista se pode libertar, inteiramente, da herança de outros, por muito original e inovador que seja. E a afirmação tanto poderá servir para escritores, poetas, como para escultores e pintores. Mesmo para outros artífices de profissão mais modesta.
O tema insólito e anódino de uma carcaça de animal abatido, para consumo, que, aparentemente, não apresenta nem desperta grandes sentimentos estéticos, foi usado por dois pintores, muito diferentes, com um intervalo de quase 300 anos. Rembrandt (1606-1666) pintou o quadro (carcaça de bovino) entre 1640 e 1645; a tela de Soutine (1893-1943) foi executada (neste caso, a carcaça de um cavalo) em 1925.


domingo, 18 de junho de 2017

Algumas considerações de Scorsese sobre o Cinema como Arte


O antepenúltimo TLS (nº 5957) dedica a sua temática semanal e as suas primeiras oito páginas ao Cinema. A razão desta escolha reside - julgo eu - na pertinência de um depoimento (Illuminations), a abrir, do realizador norte-americano Martin Scorsese (1942), escrito de propósito e a convite do director do jornal literário inglês (Stig Abell). Com o objectivo de responder a uma recensão crítica, publicada anteriormente no TLS, e não inteiramente favorável, sobre o seu último filme "Silence", baseado numa novela do escritor japonês Shusaku Endo. O texto de Scorsese pretende, sobretudo, defender a profissão do filmmaker como Arte, independentemente dos meios utilizados.



O realizador, referindo quatro imagens emblemáticas de outros tantos filmes e realizadores (o carrinho de bebé pelas escadas de Odessa, de Eisenstein; a maré de sangue jorrando, em Shining, de Kubrick...), chama a atenção para a memória redutora destas imagens, que podem fazer esquecer que há um antes e um depois, nos trabalhos de filmagem. Como se, de uma ópera, fixássemos apenas uma ária, embora cheia de beleza, em detrimento da obra no seu conjunto. E Scorsese acrescenta:
"Anos e anos, cresci habituado a ver o cinema desvalorizado como arte, por uma série de razões: ser contaminado por considerações comerciais; não poder ser arte porque, na sua realização, há demasiadas pessoas envolvidas; ser inferior a outras artes porque «não deixa nada para a imaginação» e simplesmente captura, só por algum tempo, e por feitiço (spell) o olhar do espectador (no fundo, o mesmo - nunca referido - que acontece com o teatro, a dança ou a ópera que requerem, também, intermitentes momentos da atenção interior, mais acentuados, no tempo.)..."

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Apontamento 80: Um galerista fala sobre a Arte e os Artistas


Jörg Johnen, galerista em Berlim e que iniciou a sua carreira, em 1984, em Colónia, Alemanha, deu, recentemente, uma entrevista ao jornal DIE ZEIT, tecendo considerações sobre o estado actual da Arte e dos Artistas.

A sua visão crítica, num olhar de despedida sobre a sua carreira, não engrandece a Arte, nem abona nada sobre a maioria dos Artistas.

Johnen sublinha que uma recepção intelectual da Arte foi substituída por fenómenos como a “posse”, a “auto-representação” e o “glamour”, tornando-se duvidoso o caminho dos Artistas que seguem esta “pista do capital” de coleccionadores endinheirados.

O galerista, mantendo-se fiel a alguns, poucos, artistas, confessa-se cansado de uma arte contemporânea feita de “cliques de rato”, “junções artesanais” de “corte e costura”. No fim, fala de um dos seus Artistas que ele considera pela espiritualidade, mas que não consegue ter o êxito merecido pela timidez e modéstia, características tão fora do mundo actual.


 Post de HMJ

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A tentação da máxima mínima


A arte pode ser uma actividade egoísta, sobretudo para quem a pratica, em relação aos mais próximos. Mas, para quem a vem a usufruir, depois, pode muito bem ser um partilha solidária, uma herança gratuita. E é por aí que se dá o equilíbrio, a reposição ou, melhor, a absolvição do pecado original.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Em louvor da concisão


Torna-se um penoso sacrifício tentar acompanhar, por dever cívico e de cidadania, os desenvolvimentos, diálogos e diatribes da pré-campanha eleitoral para as legislativas. Os remoques de tasca, à altura dos diálogos em táxis, são constantes e pobretes. Porque, no meio dos ecos sucessivos, raramente sai uma questão essencial e nova, uma ideia original, uma causa por que valha a pena lutar.
A minha decisão já foi tomada, há meses, e, quando muito, apenas procuro robustecê-la ainda mais.
Um artista autêntico e válido terá, da sua passagem por este mundo, três ou quatro mensagens a deixar, que testemunhem a sua visão e integridade original e própria. Admito que, se for um génio, possa deixar um pouco mais, mas não muito. É por isso que penso que o estimado poeta Ramos Rosa teria ganho em não ter sido tão perdulário...
Quanto à arte da política, como em Portugal e na Europa não vislumbro nenhuma luminária genial, era tão bom que eles (políticos) falassem menos (já nos bastam os comentadores barrocos)! Cultivando uma usura prudente e uma concisão que nos poupasse os ouvidos saturados e fartos de tanto lugar comum.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Arte e ciência, segundo Steiner


De modo elíptico, por meio de analogias inatas difíceis de elucidar por completo, há transformações tangíveis na arte que reflectem as da ciência. Mondrian é provavelmente o último dos cartesianos. Os espaços mutantes, múltiplos e provisórios de Klee, os campos de forças e os "organogramas" de Pollock, as pulsações da luz de Rothko, não são simples metáforas do que sucede na lógica das ciências. Fazem também com que o observador aceda ao núcleo axial activo e instável da energia.

George Steiner, in Extraterritorial (pg. 194).

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Nada se perde, tudo se transforma


Com uma restrospectiva, no Whitney Museum, que seguirá depois para o Centre Pompidou, Jeff Koons (1955) soma e segue... Em imagem, Split-Rocker, uma espécie de escultura-brinquedo gigantesca, composta de cinquenta mil flores.
A aceitarmos Koons, teremos que ser complacentes para com Joana Vasconcelos (1971).

sábado, 5 de abril de 2014

Sobre Arte


Os excertos, que traduzi do francês e irei transcrever, pertencem a uma entrevista que Nathalie Heinich (Marselha, 1955) concedeu ao "Obs." (nº 2577), a propósito do lançamento do seu recente livro "Le Paradigme de l'art contemporain" (Gallimard, 2014). A socióloga francesa e estudiosa de Arte, que tem um trabalho anterior, de referência, sobre a pintura de van Gogh, dá-nos a perceber, de forma simples mas evidente, algumas questões essenciais que estão ligadas à Arte, actualmente.
Não é difícil associar, quando ela refere "as várias dezenas de pessoas que realizam as suas obras", repito, associar e pensar, por exemplo, nas instalações da artista portuguesa Joana Vasconcelos; ou, quando fala do "simulacionismo", nos lembrarmos dos trabalhos do norte-americano Andy Wahrol.
Porque me parecem reflexões importantes e pertinentes sobre a Arte actual, julgo útil partilhá-las e fazê-las constar do arquivo do nosso Blogue. Seguem:

"Temos tendência a usar «arte moderna» e «arte contemporânea» como termos equivalentes, cuja única diferença seria cronológica. É um erro: há tantas diferenças entre a arte contemporânea e a arte moderna como aquelas que existem entre a arte moderna e a arte clássica. Cada uma distingue-se pelas regras de jogo implícitas, que formam aquilo que Thomas Kuhn chamava um «paradigma». Assim, a arte moderna baseia-se na transgressão das regras da figuração clássica (impressionismo, cubismo, surrealismo...). A arte contemporânea, essa, transgride a própria noção de obra de arte tal como ela é normalmente reconhecida. Por exemplo, a obra não será mais feita pela mão do artista mas fabricada por terceiros. O acto artístico não reside já na manufactura do objecto mas na sua concepção, no discurso que o acompanha, nas reacções que suscita... A obra pode ser efémera, evolutiva, biodegradável, blasfematória, indecente. Uma corrente surgida nos anos 80, o simulacionismo propunha até fazer desaparecer toda a ideia de originalidade, porque se tratava de reproduzir com maior exactidão obras já existentes. A arte contemporânea é uma invenção permanente dos modos de experimentar os limites ontológicos (a noção de obra) e morais (a maneira de ser artista). Donde as reacções que suscita."
"...Jeff Koons é um velho comerciante e veste-se com fatos completos e clássicos, contrastando com as calças já coçadas do artista boémio. Ele e Hirst não escondem que ganham muito dinheiro e que também gastam imenso. São empreendedores, com ateliês de várias dezenas de pessoas que realizam as suas obras, e tão depressa encontramos esses dois artistas nas páginas cor de rosa, como nas páginas de revistas culturais. As suas obras situam-se no cruzamento do sensacionalismo com a cultura popular: Hirst expõe uma vitela cortada em duas e conservada em formol, Koons fabrica peluches monumentais. Esta tendência corresponde à chegada ao mercado da arte de novos compradores ligados à financiarização da economia mundial (negociantes, burguesia dos países emergentes). Desde há uma quinzena de anos que se formou uma bolha artístico-financeira que fez com que algumas obras atingissem preços exorbitantes, o que repercute o próprio espírito dessas obras - o quitche, o cinismo, o espectacular. ..."
"... Na arte contemporânea, a personagem central é, com o crítico, o comissário da exposição, uma profissão relativamente recente. O comissário opera para um organismo público - museu, bienal, centro de arte - e as suas escolhas vão permitir que a cotação de um artista cresça exponencialmente." (...) "Os intermediários procuram promover artistas sempre mais jovens, e vêem-se artistas que tiveram desde cedo a sua hora de glória, regressar brutal e rapidamente ao anonimato. (...) Para alguns, a arte contemporânea é uma decepção desoladora e uma caricatura pungente dos caprichos mais pueris da época. Para outros, é, pelo contrário, um instrumento de reflexão fascinante e até mesmo uma catarse saudável e desejável. Quanto à minha opinião pessoal, ela é das mais banais: certas propostas da arte contemporânea parecem-me excelentes, outras, sem qualquer interesse. De resto, é uma das grandes características da arte contemporânea, que é a de obrigar a ter uma opinião, de ser provocadora de opinião. E, isto, é também apanágio da nossa época."


domingo, 24 de novembro de 2013

Arte


Criado em 1984, para dar conta das novas tendências artísticas, o Tate Turner Prize é um dos mais conceituados certames ingleses da actualidade. O montante do prémio é de 40.000 libras, sendo que o vencedor ganhará 25.000, e os restantes três finalistas, 5.000, cada um deles. A mostra, este ano, decorre em Londonderry (Irlanda do Norte), Cidade Capital Europeia de Cultura 2013, e o vencedor será anunciado em 2 de Dezembro próximo. Os 4 finalistas são: David Shrigley, Laure Prouvost, Lynette Yadom-Boakye e Tino Sehgal. As obras vão desde a fotografia (Shrigley, "I'm Dead") e vídeo (Laure Prouvost), até à escultura, instalação e pintura (Lynette Y.-B., com 3 quadros, em imagem no poste). À entrada, os visitantes são desafiados a desenharem uma estátua-modelo, de Shrigley.
A crítica especializada apoia, entusiasticamente, as escolhas dos seleccionados, este ano. E há quem afirme que, desde 1989 (em que foram seleccionados: Lucian Freud, Richard Long, Paula Rego e Sean Scully), nunca houve finalistas de tão grande qualidade artística.

domingo, 1 de setembro de 2013

Escultura post-socialismo, a Leste


A queda do Muro de Berlim e o afundamento dos regimes comunistas, na Europa de Leste, desencadearam uma liberdade criativa e anárquica na Arte, até aí, obediente, estandardizada e conservadora que caracterizava as obras dos artistas nos regimes socialistas. O pôr em questão dos dogmas, a provocação (a última manifestação das Pussy Riot é um bom exemplo), mas também a recusa maniqueista entre as opções políticas possíveis (a escultura de Alexander Kosolapov exemplifica, com ironia, a trindade santíssima da escolha: Lenine, Cristo e o rato Mickey) são algumas das temáticas prevalecentes.
Deixo, em imagem, três exemplos significativos de esculturas recentes, pela ordem cronológica de nascimento dos artistas de Leste, representados:
- O russo Alexander Kosolapov (1943).
- David Cerny (1967), checo.
- A polaca Dorota Nieznalska (1973).