Mostrar mensagens com a etiqueta Apontamentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Apontamentos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Apontamentos 19: Coincidências




Num dia em que circulava pelas luminosas avenidas de Lisboa, apreensiva com as últimas façanhas que os “Helderzinhos” da nossa praça andam a congeminar, cruzei-me com um antigo ministro das finanças – efémero e transmigra – embora ostentando mais “gordura de estado”, como o outro nogueira “saltitão”, andava cabisbaixo, tentando, porventura, esconder a face para não ser reconhecido.
A triste figura deu para eu pensar na minha suposta ignorância “económica” – ou economicista – perante o “vulto” com que me cruzei. Confesso que o inesperado encontro não deu para afastar as minhas últimas suspeitas, declarando que não sou propícia a “universo de conspiração”. Mas, como diz o ditado: “Que as há, há”, e grandes.
Ora, vejamos. No dia em que chegaram os “troikanos”, disfarçados em simples ouvintes, porque não “tinham tido tempo para se prepararem” (!) – diriam, de nós, INCOMPETENTES, caso fôssemos para um centro de decisão sem preparação – uma “agência de ratos” ameaça Portugal com uma descida de “rating” numa óbvia tentativa de subjugar a vontade e determinação de uma nação independente. Curiosamente, o suposto “presidente de todos os Portugueses” já se tinha adiantado ao repto de se declarar indigente perante as altas “sumidades” internacionais.
Mais surpreendente, ainda, que vários jornais, duvidosamente neoliberais alemães, enalteciam, hoje, a recuperação da zona euro, com especial destaque para a Irlanda e, com reservas, para a Grécia. O partido da Senhora Merkel precisa, com certeza, de algum conforto para as eleições de Domingo. Escolheram-se, à sorte, os dois países no “ranking” positivo, em detrimento de Portugal e silenciando a Espanha e o escândalo da “figura de cera” italiano.
As “altas instâncias internacionais” enganaram-se novamente, porque não sabem avaliar as consequências das suas medidas na destruição da paz na Europa e perante o avanço das forças neo-nazis, na Grécia e na Alemanha.
Não sou, de facto, formada em Economia, mas acredito na Ciência – com maiúsculas – seja qual for o seu ramo e desde que se centre no essencial, i.e., o bem-estar e a paz da Humanidade.


Post de HMJ

domingo, 16 de junho de 2013

Apontamentos 15: Fraternidade científica



O vídeo serve para recordar o incêndio que ocorreu, em 2004, numa biblioteca especializada em literatura e cultura, de um período multifacetado de 1800, a chamada "Herzogin Anna Amalia Bibliothek (HAAB)", de Weimar.
Lembro-me, perfeitamente, do enorme empenho da "sociedade civil" logo a seguir ao incêndio no sentido de contribuir, humana e financeiramente, para a recuperação do edifício e do espólio ardido.
E como há "males que vêm por bem", parece que houve também muitas contribuições que permitiram aperfeiçoar, do ponto de vista científico e técnico, todo o processo de recuperação dos livros afectados, prevendo-se a conclusão da intervenção para o ano de 2015.
De uma última iniciativa tive conhecimento através de um artigo publicado no "Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ)", enviado através de Coblença, de que se reproduzem as seguintes imagens:



Sucede que a Biblioteca de Anna Amalia (HAAB) digitalizou todas as obras em fase de restauro, colocando-as na sua página electrónica e solicitando, à sociedade civil e científica, a colaboração na identificação de exemplares truncados e "comidos" pelas chamas. O artigo do referido jornal permitiu, entre Maio e Junho do presente ano, a atribuição de 19 de 25 obras publicitadas e que, pelos danos causados, tinham perdido as partes mais importantes para a sua identificação, a saber, a portada e o cólofon, sobrevivendo, apenas, uma parte do miolo das edições.
Pois, não é apenas o ser humano que se reconhece pelo rosto ou "frontispício".

Post de HMJ

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Apontamentos 14: A peça que faltava


Na sequência do post, publicado, hoje, no ARPOSE, sobre "Os defensores do Templo" faltava uma peça que se revelou essencial, i.e., o texto de Vasco Graça Moura, em formato electrónico, da edição de 12.6.2013 do Diário de Notícias.


Não é este o lugar, nem o momento oportuno, para esclarecer os leitores sobre a importância cultural da descoberta de variantes, ou estados de impressão, de textos dados à estampa no passado. Porque "versões" existem para todos os feitios. Apenas julgo saber que não existem "versões" para a identidade das pessoas. E, ao que consta, não se poderá confundir Garcia de Orta, autor dos Colóquios dos simples (...), com Garcia de Resende, e por três vezes (!).
Quanto à confusão de VGM sobre a identidade de Garcia de Resende, volto a insistir numa máxima pessoal: "nem toda a criação tem o selo da inocência".

Post de HMJ

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Apontamentos 13: A Força da Natureza



O ser humano, no seu afã de subjugar a natureza em suposto proveito próprio, esquece que as leis naturais são mais fortes e imprevisíveis do que a ciência e a técnica que pretendem dominar o universo.
Por razões de ordem familiar assisti, no passado e num lugar sabiamente denominado Confluentia pela confluência dos rios Reno e Mosela, à força das águas do Reno a  reconquistar, de forma repentina,  um espaço que sempre fora seu e que, actualmente, se encontra ocupado pela acção humana.
De um primeiro andar olhava-se para a invasão das águas do rio no pátio traseiro que, felizmente, se encontra bastante abaixo da implantação do edifício, afectando, em primeiro lugar, a cave. O desnível permitiu que  saíssemos pelo próprio pé em vez de saltar para um bote dos bombeiros.
Numa outra ocasião, e porque a ameaça de cheias em Coblença é permanente e anual, acompanhei a fase pós-inundação. Junto das habitações encontravam-se os haveres estragados, como corpos desventrados. Aproximei-me, com profunda tristeza, de um monte de livros, empapados. 


Ainda hoje guardo, como memória, algumas edições clássicas de Schiller, resgatadas no meio de um entulho  que, dantes, fazia parte de um universo humano, familiar e cultural dos seus habitantes e que, infelizmente, se vieram a instalar, embora num lugar muito aprazível, em domínios que o rio reclama como seus.

Post de HMJ

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Apontamentos 8: A imigração vista pela Senhora Merkel


[Imigração para a Alemanha - 2012]


O gráfico que encima o “post” foi publicado pelo jornal DIE WELT, na sua linha editorial da “voz do dono”, para acompanhar as recentes declarações da Senhora Merkel sobre imigração, proferidas no âmbito de uma conferência sobre demografia. Perante a conhecida falta de “trabalhadores qualificados” para a indústria alemã, a “excelsa senhora” afirmou que a Alemanha tem boas condições de “acolhimento, mas com uma má imagem” lá fora. Sendo o sublinhado nosso, uma máxima deste calibre, da boca de uma pobre figura, merece um apontamento mais desenvolvido.
Existe uma categoria de alemães, de difícil transposição linguística para o espaço das línguas românicas, os chamados “Spiesser” ou “Biedermänner” – de notação depreciativa – que os ingleses designam como “narrow-minded”, o que me parece mais apropriado do que o simples “burguês atrasado” que consta do dicionário Langenscheidt. E como demonstra a máxima proferida, os “Biedermänner” não se apercebem do ridículo das suas pobres figuras, nem assumem a responsabilidade pela “má imagem” que espalham.
O que parece óbvio é que a “crise” nos países do Sul da Europa já está a servir, na perfeição, a indústria alemã, fornecendo-a com “trabalhadores qualificados”, a custo zero para o estado alemão. Certamente, as entidades alemãs dispensavam a “mobilidade indesejada” dos Romenos e Búlgaros e, por isso, andam todos preocupados. Como se vê, não é qualquer “mobilidade” que serve, apenas a “mão-de-obra qualificada” para compensar os problemas da demografia alemã.
No entanto, as declarações da Senhora Merkel fizeram-me lembrar uma peça de teatro que Max Frisch publicou em 1948, intitulado Biedermann und die Brandstifter, que os franceses traduzem como Monsieur Bonhomme et les incendiaires. Pela explicação que dei acima, a tradução francesa é demasiado lisonjeira para com os “Biedermänner”, porque lhes retira o carácter negativo de reduzidas qualificações humanas que lhes é próprio. E nada melhor do que ler a peça de Max Frisch para o confirmar. Em resumo, um “Biedermann” despede, de forma desumana, um empregado seu. Pouco depois, ele acolhe, em sua casa, primeiro um vadio, e depois outros dois, se não me engano, porventura como remissão do pecado. Rapidamente se arrepende do seu gesto, sem conseguir despachá-los. Os vadios preparam, entretanto, no sótão da casa, tudo para incendiar a casa, o que acontece no final da peça.
Ora, foi a lição que me veio à cabeça. Há por aí muitos “Biedermänner” que estão a “acolher” uns incendiários, infelizmente não na sua própria casa apenas, mas na nossa casa comum, a Europa.

Post de HMJ

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Apontamentos 4: Responsabilidade e Incompetência





O presente “post” devia ter surgido ontem, porque se insere numa preocupação maior de cidadania do que o recente testemunho nacional do Tribunal Constitucional. Seria, porventura, útil que os Tribunais Europeus se pronunciassem, em tempo útil, sobre matérias tão relevantes como a defesa do cidadão comum, perante uma economia sem regras para o criador da riqueza, i.e., o trabalhador – manual ou intelectual – sustentada por um “mundo financeiro de casino” que, sem refreios pelos responsáveis pela UE, manipulam os dados, atormentam a vida dos cidadãos e demonstram, a cada dia que passa, a sua incompetência e/ou irresponsabilidade.
Sucede que circula, desde ontem, uma investigação empreendida por diversos jornalistas, denunciando os “esquemas” de esconder fortunas, em “offshores e quejandos”, tudo à margem e sem intervenção dos responsáveis nacionais e europeus tão empenhados em “arranjar um Plano B” para salvar os diversos países, mais ou menos próximos do abismo.
Perante tamanha evidência, parece caricato o testemunho do “nosso Zé Manel”, alertando os incumpridores para as suas responsabilidades, sem assumir as suas – no país e na Europa – como a solicitação do “papão” Schäuble, pedindo aos jornalistas a cedência dos dados apurados sobre os “fugitivos ao fisco” quando, durante a investigação, nunca acedeu a nenhuma colaboração. É o supino da ironia ou, mais propriamente, a estratégia alemã com eleições à vista !


O que me preocupa, no fundo, é o projecto de uma Europa de Humanidade, de Paz e de Progresso, contra esta vertigem de populismo, irresponsabilidade e incompetência. Os receios de Jean-Claude Juncker têm razões profundas e históricas, mas também responsabilidades. Tal como o Luxemburgo, e quejandos, não haverá países europeus que, com regimes especiais, contribuam com a sua “quota parte” para a desigualdade do cidadão comum, facilitando  o “aposento dourado” àqueles que vivem do esforço de outrem ?
Embora de formação em Humanidades, cedo aprendi que as ciências exactas, como a Matemática e, sobretudo, a Estatística, têm o seu “quê” de manipulação dos dados. Este jogo entre “média e mediana”, o deve e haver dos políticos, sem nenhuma entidade capaz de assumir, com responsabilidade e isenção, a sua cidadania é que mina o nosso quotidiano, se não tivermos “valores mais altos que se alevantem”.

Post de HMJ

domingo, 31 de março de 2013

Apontamentos 3: A Vida Portuguesa



A imagem reproduzida de Catarina Portas, que responde pelo conceito e a gestão de diversos projectos, entre eles as lojas A Vida Portuguesa, consta da edição, de hoje, do jornal DIE ZEIT. O semanário em apreço tem dedicado a Lisboa e a Portugal alguns artigos que demonstram, não apenas bom gosto nas escolhas, como preocupação na diversidade e riqueza da cultura europeia e portuguesa.
Nesse sentido, o jornal demarca-se, sem dúvida, de outros "pasquins" - dos mais rasteiros, como o DIE WELT, ou "manhosos", como os restantes do grupo Springer - que insistem, até à exaustão, nos esteriótipos do português "manhoso, corrupto, preguiçoso, etc.". Por cá, esses "pasquins" têm, também, os seus seguidores, em "blogues" e quejandos. Costumam calçar sapatos acima da sua medida, avançando para apreciações culturais e históricas para as quais não têm a mínima preparação, para não falar da falta de sensibilidade para conviver com a "alteridade".
Recomendo, pois, a leitura do artigo.  É uma lufada de ar fresco na "bambochata" dos discursos apoucados de Merkel's e Schäuble's que, na sua ignorância cultural, "nasceram  para cinco, mas não chegam a dez" (!).
E, em dia de Páscoa, que a Europa de Cultura e de Paz tenha compaixão para com estes criados menores !

Post de HMJ

quarta-feira, 20 de março de 2013

Apontamentos 2: O desconcerto



Há jornais nacionais e europeus, como o DIE WELT, que, na ânsia de modelarem a cabeça dos cidadãos à semelhança dos políticos de 3ª escolha, que nos governam, evidenciam as flagrantes contradições do sistema financeiro e político.
Com efeito, depois do "tiro nos pés" com o congelamento dos depósitos na Ilha de Chipre, parece que nenhum político, participante em semelhante façanha, quer assumir as suas responsabilidades. 
Ora, segundo consta, não foram os "anõezinhos de Colónia" que andaram a cozinhar tamanho desaguisado durante a noite.
Depois, no mesmo jornal alemão, falava-se, embora num lugar meio escondido, das semelhanças entre a Ilha de Chipre e o Luxemburgo, com um modelo de negócios a ultrapassar em muito a capacidade económica do país. Como vem sendo costume, os jornalistas do DIE WELT esqueceram-se de um pormenor importante, i.e., o facto de serem cidadãos da Alemanha que carregam os seus depósitos para o Luxemburgo. A proximidade geográfica deve ser o único motivo, certamente.
Num lugar ainda mais escondido, e em flagrante contradição com a "lenga-lenga" habitual dos prevaricadores dos Sul, surgia a imagem acima - W. Schäuble no seu maior - e a noticia de que "graças à crise da dívida, Schäuble poupa" pelo menos 15 biliões de euros. 
Grande negócios à custa dos preguiçosos !
Por cá, não podia faltar a cereja no bolo, pela mão do Diário Económico, a citar um conselheiro sinistro. Parece, então, que Nogueira Leite chegou à brilhante conclusão de que "o povo se sente engando" (!)
Como dizia F. Assis Pacheco: "Não posso com tanta ironia".

Post de HMJ 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Apontamentos 1: Atlas dos Preconceitos



Há dias falou-se, no PROSIMETRON, dos preconceitos mútuos dos povos europeus. Considero que a alteridade implica um elevado grau de elaboração mental. Aliás, os dois mapas demonstram, se aceitarmos a visão irónica subjacente, que a capacidade intelectual de encarar o outro não está bem ao alcance de todos.
Do mapa acima, Portugal passou do País das Especiarias, em 1555, para a Oceania, em 2009.


Salto mortal !

Post de HMJ