Aqui está ela, de novo
lavadinha e com o casaquinho pelos ombros, já que o tempo ainda não pede lãs.
Como se pode ver pela marca
nas costas, é uma boneca SCHILDKRÖTE [i.e. tartaruga], muito em voga na minha
infância. O catálogo actual da marca ainda vende esta “colecção clássica”, como
lhe chamam, dando um nome específico a cada criatura.
A minha boneca sobrevivente,
T 40, i.e. de 40 cm. de altura e de nome Ursel, terá surgido pelo final da
década de cinquenta do século passado. A data até condiz com a altura em que
julgo ter-me sido oferecida.
De muitos banhos que lhe dei,
porque os cuidados diários faziam parte das brincadeiras, ficou com as pernas
um pouco bambas e a cabeça menos firme do que gostava que tivesse. Assim,
resolvi, há algum tempo, perguntar o que se poderia fazer às maleitas da boneca
no Hospital das Bonecas, na Praça da Figueira, em Lisboa.
Confesso que não gostei do
atendimento. Comprei apenas umas cuecas novas – produto fraco e caríssimo. Os
vestidos, que ainda apreciei, eram e são muito pouco airosos, muito antiquados,
caríssimos. Parecem de feira, sem gosto, nada do que fala a Paula Lima,
roupinha feita com dedicação, estilo e saber.
Assim, sentei-me um dia e fiz
eu a roupinha. [ver “posts”: Da janela do aposento 16 e Os trabalhos e os dias
(5)].
O casaquinho comprei-o numa
loja que, por vezes, frequento, com porta aberta para o Largo de S. Carlos.
Post de HMJ, dedicado às minhas leitoras do "post" anterior