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sábado, 14 de novembro de 2015

Citações CCLXVII


O ódio é a cólera dos fracos.

Alphonse Daudet

...

Basta que um homem odeie outro, para que o ódio ganhe, de próximo em próximo, a humanidade inteira.

Jean-Paul Sartre

domingo, 28 de abril de 2013

Os ventos e o moinho de Alphonse Daudet


A região de Fontvieille (França), aldeia de 3.600 habitantes, que está intimamente associada ao escritor Alphonse Daudet (1840-1897), é muito ventosa. Os seus naturais, e os das cercanias, conseguem distinguir e apelidar cerca de 30 tipos de ventos, dando-lhes nomes muito peculiares, tais como: Manjo Fango, Marin Miéjour, ou o Damo que é uma brisa suave, mas persistente, que faz levantar as saias das senhoras...
Na pequena aldeia existem 4 moinhos, sendo que um deles foi o que inspirou a escrita de "Lettres de mon moulin", e que é uma atracção turística para quem leu e gostou da obra de Daudet. Que ainda hoje é um livro muito apreciado pela juventude francesa. Bastará dizer que, em 2012, no quadro da operação "Un livre pour l'été" foram distribuídos, gratuitamente, 800.000 exemplares da obra, entre a população escolar, por iniciativa governamental.
Ora, e disto nos dá conta e notícia o "Obs.", o moinho de Daudet, construído em 1814, e que laborou incansavelmente até 1915, por dissídio entre o seu legítimo proprietário e a Câmara de Fontvieille, que o explorava turisticamente, encontra-se encerrado desde Dezembro de 2011. O dono alegou, ao tomar posse compulsiva do imóvel, a degradação a que a edilidade o deixou chegar; por sua vez, a Câmara acusa o proprietário de propósitos inconfessáveis...
Quem sofre são os entusiastas da obra de Daudet, que já não podem visitar o célebre moinho, por dentro.

domingo, 25 de julho de 2010

Curiosidades 12 : Coimbra, Daudet e a ataxia




Quando por Coimbra andei, no início dos anos 60, a pequena cidade grande era muito provinciana nos tiques das suas gentes - e não se julgue que é má vontade minha : nasci lá, muito embora tenha passado a minha infância e adolescência no Minho. Quando lá voltei para estudar na Universidade, cedo me apercebi do conservadorismo e da pequenez de horizontes mentais da urbe. Mesmo na Universidade. Embora houvesse "malgré tout" uma interessante vida cultural devida ao esforço incessante da Associação Académica que foi ferida, cobardemente, na sua autonomia, pelo decreto-lei 40.900, de Lopes de Almeida, ministro da Educação na altura, e que fora lente em Coimbra.
As livrarias da Lusa Atenas não eram muitas e limitavam o seu acervo, pragmaticamente, a livros escolares e colaterais. Não havia ousadia na oferta, mas conservadorismo e oportunidade. Alfarrabistas, nem se fala: havia um, próximo dos Gerais, no caminho para o C. A. D. C., com umas pequenas estantes, na exígua loja, e duas ou três centenas de livros, a maioria escolares. Mas a meio da Rua da Sofia, e onde menos se esperava, havia uma loja poeirenta, de móveis usados, que tinha, quase sempre, alguns livros em segunda mão, e revistas. Foi lá que comprei a 1ª edição ( hoje com mais de 50 edições ) de "A Ceia dos Cardeais"( 1902 ), de Júlio Dantas, que terá pertencido a uma senhora, de nome Emília da Camara Leite, e que foi comprada, pelo carimbo, na Teves Adam, de Ponta Delgada, Rua do Conselheiro Hintze Ribeiro, 38. Como teria chegada o livro a Coimbra, não sei. Nessa loja de móveis usados, da Rua da Sofia, comprei também, talvez em 1962, três exemplares de "La Petite Illustration", de 1930, revista que se dedicava, como se diz na capa, a publicar novas peças de teatro, romances, poemas, etc. O nº473 é dedicado a Alphonse Daudet ( 1840-1897 ): "Pages Inconnues". Do escritor francês, eu tinha lido "Lettres de mon moulin" e acompanhara, em " O Cavaleiro Andante", as "Aventuras de Tartarin de Tarascon". Não sabia é que Daudet tinha sofrido, a partir de 1884, de ataxia, doença que se caracteriza pela gradual falta de coordenação de movimentos que afecta a força muscular e o equilíbrio. O escritor teve a coragem de descrever o progresso da doença em " La Doulou" ( A Dor), referindo: "Ma douleur tient l'horizon, emplit tout...". Foi isso que aprendi em "La Petite Illustration" que comprei no adelo da Baixa coimbrã.