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domingo, 17 de setembro de 2023

Retratos (30)



É frequente os historiadores e pintores darem dos reis e retratados imagens que os favoreçam ou, ao menos, lhes diminuam as imperfeições físicas. Há dias, em leitura da obra Algumas notas para a história da alimentação em Portugal (2008), de José Pedro de Lima-Reis (1942), dei por um retrato desapiedado e realista de D. Sebastião (1554-1578), ao contrário do que é habitual, que eu faço aqui acompanhar também de um quadro de Alonso Sanches Coelho (1531-1588) que, em 1562, pintou o rei ainda jovem. Coincidem, creio.
Segue, da página 127, um extracto da obra referida acima:

"Não por culpa da diabetes paterna (D. João de Portugal), mas talvez pela consanguinidade dos progenitores terá D. Sebastião nascido com alguns desarranjos morfológicos que os mestres pintores da época não representaram para não cair em desgraça. (...) Entre eles o rei teria o lábio superior grosso, o braço, a perna e o pé direitos de dimensões superiores aos seus homólogos do lado esquerdo - o que o obrigava a coxear - pés pequenos, cavos, com os dedos iguais - mais um supranumerário no mínimo do pé direito - pernas arqueadas e, como se não bastasse, o tronco tão curto «que o seu gibão não pode servir a outra pessoa mesmo que da sua estatura.»"

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Curiosidades 96



Filipe II de Espanha, I de Portugal, permaneceu no nosso país entre Dezembro de 1580 e Março de 1583. Com ele veio e o acompanhou uma luzida corte, em que se incluía, curiosamente, uma anã, Magdalena Ruiz, muito da predilecção do monarca espanhol, mas também das suas filhas, que se tinham conservado por Aranjuez. Da anã Magdalena dava o rei notícia para as duas filhas, com frequência (Magdalena ha estado muy enfadada conmigo desde que os escribí..), na correspondência enviada.
Da importância da boba, na corte espanhola, que era considerada louca, dão notícia alguns retratos que a incluem. Talvez o mais interessante seja o do pintor Sanches Coelho, de 1580, em que aparece a filha mais velha de Filipe II, Isabel Clara Eugénia, e a anã Magdalena Ruiz, a seu lado, quadro que encima este poste.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Bibliografia sebastiânica


O TLS (nº 5744) noticia, de forma positiva, a saída de The Baker who pretend to be king of Portugal, de Ruth MacKay, editado recentemente pela University of Chicago Press. Detalhado e fundamentado estudo, de 300 páginas, historiando a figura de Gabriel de Espinosa (?-1595), mais conhecido por Pasteleiro de Madrigal, que se fez passar por D. Sebastião, depois de Alcácer Quibir. A corrente sebastiânica, pelos vistos, também terá os seus cultores estrangeiros e motiva a investigação. A recensão ao livro anota mais duas obras estrangeiras sobre o Desejado: de Mary Brooks, A King for Portugal: The Madrigal Conspiracy (1964) e Le Roi caché (1990), de Yves-Marie Bercé.
Registe-se que a tramóia de Espinosa só foi possível através do apoio crédulo de Ana de Áustria, filha ilegítima de D. Juan de Áustria, e de um capelão português de apelido Santos. Bem como do incentivo dos inimigos de Castela, interessados em pôr em causa a legitimidade de Filipe II, ao trono português. O caso foi tratado drasticamente pela corte espanhola, e o ambicioso pasteleiro acabou por ser enforcado.