Na verdade, era apenas uma aguadilha turva, onde boiavam uns filamentos esbranquiçados, um pouco mais consistentes. Mas quando o Engenheiro recebia, do seu amigo Palma, o cestinho alentejano de primores, era o almece que ele procurava e, encontrando-o, se enchia de prazer. Foi assim, uma vez, em casa do Engenheiro, que às Paiolas rotundas e às Mouras, passando pelas alongadas linguiças, pelos enchidos e queijos de Serpa recebidos, ele preferia e procurava, afanosamente na cordial encomenda, esse sub-produto do leite, sobremesa de pobres, com que eu tomei contacto, pela vez primeira, denominado almece (alentejano).
Recorra-se a José Quitério (1942), para melhor o caracterizar: "...Quando se julga já escorrido todo o soro (com o qual se fará «almece», comido com açúcar amarelo e sopas de pão, ou requeijão) e se dá por terminada esta fase, coloca-se sobre cada queijo..."
A fazer fé, ainda, na sabedoria livresca, chama-se Barriga de Almece ao indivíduo de ventre proeminente que se péla pelo dito. E era assim que o Engenheiro era crismado, pelos detractores, lá nesse Escritório lisboeta.