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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Últimas aquisições (34)




Li muito Júlio Dantas (1876-1962) durante a minha juventude, pelo menos até conhecer o Manifesto do Almada que me pareceu expurgatório. Mais tarde, vencidos os pruridos adolescentes e o politicamente correcto, voltei-lhe à carga nas leituras, porque o seu estilo sempre me pareceu pitoresco e a escrita, elegante.
Ontem, reincidi mais uma vez e por bem. Num dos já raros alfarrabistas lisboetas adquiri, usado e por 4 euros, o póstumo Páginas de Memórias (Portugália, 1968). E já vou na página 97...

Adenda temporal: bem vistas as coisas, Júlio Dantas não era mais nem menos do que um artista do regime, tal como hoje, a Joana Vasconcelos, salvo as devidas proporções estéticas. Embora o escritor trabalhasse sozinho. Ou mesmo Almada Negreiros, que se academizou nos últimos anos da sua vida.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Mercearias Finas 153



Não fora a propósito, falávamos que, às vezes, perante uma enorme qualidade artística se perdoa ou esquecem proselitismos políticos demasiado indesculpáveis. Em grau muito diferente citáramos Céline, em grau mais brando, Almada...
Eu abancava frente a três bons nacos de Leitão morno, com o competente acompanhamento e meia de Dão Cabriz, tinto (2016). Do meu lado direito, e noutra mesa também acompanhado, estava o dono da Herdade do Rico Homem e que já foi  senhor da PT. Também começara como empregado de Eanes. Achei-o macilento.
Entrou depois, com a mulher, a segunda figura da nação, desempenado e sorridente. Cruzámo-nos à saída, com simpatia. Campo de Ourique é um mundo...

domingo, 1 de setembro de 2019

Deus seja louvado!


Júlio Dantas (1876-1962) está de parabéns.
A sua obra A Ceia dos Cardeais (1902) já tem um elenco suficiente para poder ser representada, no Vaticano, por actores profissionais e autênticos.
Almada deve estar a morder-se de raiva, no Inferno, ao saber disso...

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Lembrete 64


Plagiando Almada, ao falar do génio de Pessoa, e a propósito do eclipse da Lua que, hoje, ocorrerá, eu diria que ele: "manifesta-se em não se manifestar." Ou seja, quando nascer (20h47), a Lua Cheia já estará oculta. O eclipse lunar durará cerca de 1h45. É de aproveitar, porque o próximo grande eclipse ocorrerá apenas daqui por 82 anos - altura em que, só por um improvável milagre, algum de nós ainda andará por cá...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

8 versos de Pessoa, num eco de Blake


O que o seu jeito revela
sabe à vista como um gomo,
e a vida tem fome dela
nos dentes do seu assomo.

E nêle mesmo, vibrante,
a êsse corpo de amor,
espreita próximo e distante,
o seu tigre interior.

(1932)


Fernando Pessoa - Obra Poética ( Ed. Aguilar, 1960).

sábado, 16 de janeiro de 2016

Filatelia CX


Vê-se, pela forma atabalhoada, como os selos foram colados sobre os envelopes que, quem disso se encarregou, não seria, decerto, pessoa muito arrumada e, com certeza, não era um filatelista...
Uma das temáticas iniciais da Filatelia foi a do Correio Aéreo. Creio que ainda hoje terá muitos cultores fervorosos. Porém, em Portugal, só em 1936(-1941) foi emitida a primeira série inclusivamente dedicada ao correio aéreo: com desenho alusivo e estilizado (os chamados selos tipo "Hélice") de Almada Negreiros e gravura executada por Guilherme Santos.

Voltando aos envelopes circulados da primeira imagem, há que referir que o que foi enviado do Porto para Birmingham, em 1941 e durante a II Grande Guerra, foi aberto pela Censura britânica, tendo no seu canto superior esquerdo o rótulo identificativo do facto. Da Administração do Concelho de Chibia (Angola) veio para Lisboa, em 14/1/1947 (há 69 anos, portanto), por via aérea, uma carta dirigida a um Professor do Instituto Superior Técnico. Acresce o carimbo losangonal e a indicação de que seguiu no primeiro voo (inaugural) da Linha Aérea Imperial Luanda-Lisboa.

domingo, 26 de abril de 2015

Faça, você, a sua!


Não consigo descortinar o que leva um escritor ou um artista, até mesmo, um simples ser humano a elaborar listas de preferências ou de gosto. Alberto Manguel tem, por exemplo, várias. Listas que, por sua vez, exercem uma certa atracção e curiosidade nos outros e que são, muitas vezes, um estímulo para que eles formulem as suas, também, mesmo que silenciosa e intimamente. Talvez num esforço ou para proclamarem a sua identidade e diferença.
Marcello Duarte Mathias (1938), embaixador aposentado, não foge à regra, na sua obra Diário de Paris/2001-2003 (Oceanos, 2006).
A sua lista de "Perfis marcantes da história de Portugal" contém, entre outras, as seguintes personagens:
o mais temível: o marquês de Pombal;
o mais desprezível: Cristóvão de Moura;
o mais cativante: Luís de Camões;
o mais espalhafatoso: o duque de Saldanha;
o mais vaidoso: António Spínola;
o mais lúdico: António Botto;
o mais pessimista: Oliveira Martins;
o mais poliédrico: Almada Negreiros;
o mais triste: D. Manuel II;
o mais enigmático: Fernando Pessoa;
o mais senhoril: Óscar Carmona.
Partindo do princípio que tudo isto é uma espécie de jogo e que pode servir para ocupar tempos livres, posso concordar e imaginar o apodo do marechal Carmona, mas tenho uma extrema dificuldade em entender o lúdico colado a António Botto...

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pequena história (31)


Tendo, ambos os livros, um cenário natural poderoso, e Blaise Cendrars (1887-1961) ter sido tradutor, para francês, de Ferreira de Castro (1898-1974), sempre pensei, até há pouco tempo, que "A Selva" (1930) tivesse sido escrito antes de "L'Or" (1925). Estava enganado. Esta ideia radicava, fundamentalmente, em eu saber que Cendrars tinha feito uma excelente tradução da obra-prima do escritor português, em 1938, para a Grasset. De tal modo a versão era primorosa que, com a sua crua mordacidade habitual, Almada Negreiros teria dito, ao ler a tradução de Cendrars, que seria óptimo que um bom tradutor pusesse em português a versão do escritor suiço, naturalizado francês... Um exagero, de facto!
Quer "O Ouro", de Blaise Cendrars, quer "A Selva", de Ferreira de Castro, são momentos altos da literatura universal.

Nota: o livrinho, em imagem, é o número 71 da Colecção Miniatura, traduzido por Freitas Leça (Mécia de Sena?), com capa de Bernardo Marques. O retrato de Blaise Cendrars é, visivelmente, de Modigliani.

domingo, 27 de abril de 2014

Marcadores 21


Uma iniciativa do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, estes marcadores têm como motivos desenhos de Almada Negreiros, que apareceram, previamente, no jornal Diário de Lisboa (1928 e 1935) e no Nuevo Mundo ( Madrid,1928).

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Leituras e memória


Há leituras que nos ficam associadas para sempre a determinados lugares. Sei que o primeiro contacto que tive com haiku, foi na pequena mas bem escolhida biblioteca da embaixada do Japão, em Lisboa. As obras menos acessíveis de Shakespeare, li-as na Biblioteca de Galveias, ao Campo Pequeno. E os futuristas ou modernistas portugueses (prosa de Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro, principalmente) foi na Biblioteca da Universidade de Coimbra, que primeiro tive contacto com eles, nos anos 60. Porque as obras estavam esgotadas, não havia ainda reedições e eram de difícil acesso, por outras vias.
E, por isso, acho curioso que vá ler, pela segunda vez, o Nome de Guerra, de Almada Negreiros,  por uma cópia fac-similada do original (provavelmente) que li, em Coimbra, há tantos anos atrás. Porque adquiri um exemplar, que vem hoje com o jornal Público, pelo preço habitual e módico de 5,95 euros.
Aqui fica a lembrança para quem o queira também comprar.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Civilidade (28)


No prefácio "Às Leitoras" e, no recuado ano de 1898, Beatriz Nazareth, logo no início do seu "Manual de Civilidade e Etiqueta", referia: "Tudo muda com o tempo, mas muito mais na apparencia que na realidade, pelas formas mais que pelo fundo..."
O último TLS (nº 5761) informa que, ainda há 60 anos, escritores como Norman Mailer, Henry Miller e James Jones eram alertados para não usar, em obras a publicar, aquilo que, eufemisticamente, era referido como "the F-word" ou "a four letter word" (que não era love, com certeza).
Mas - e digo eu - a partir dos anos 60/70, a cartografia escatológica norte-americana, apesar de todo o puritanismo farisaico de fachada, começou a entrar em força, sobretudo através do cinema, no dia a dia europeu. E até Philip Larkin, um comedido poeta britânico laureado, utilizou a palavra proscrita num poema - para escândalo, ainda, de alguns ingleses serôdios e vitorianos...
Cá, pela terrinha, depois das diatribes desbragadas de Raul Leal, da fulgurância exclamativa de "A Cena de Ódio" de Almada (que não tem só versos para criancinhas...) e do célebre "merda, estou lúcido!" de Pessoa, o consulado salazarista foi reconstruindo a moral. Mas com a Liberdade, alguns ganapos atrevidos, mais para ganhar fama rapidamente, e proveito, por via dos pacóvios saloios, começaram, a torto e a direito, a usar a palavra proibida, até no título dos livros. E até cantores fizeram bom uso financeiro dela... numa forma básica de exibicionismo infantil. 
Perdeu-se o efeito. Hoje, o "F...-.." é perfeitamente banal ou vulgar em livros e apenas televisivamente, talvez para não chocar famílias reunidas, a expressão é substituida por um silvo casto e desagradável, que todos sabemos o que significa.
"Tudo muda com o tempo", dizia, com toda a razão, a excelsa senhora Beatriz Nazareth...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Alguns títulos da Província


Por justificadas razões de proximidade, sempre os Municípios estiveram mais perto da realidade social, cultural e política dos seus cidadãos, do que, ao longo da História portuguesa, os sucessivos  governos que ocuparam o Terreiro do Paço.
De uma forma quase anónima, a nível de expressão nacional, a Província ainda mexe, apesar dos condicionalismos e apertos orçamentais, que raramente permitem exorbitar muito para além das festas tradicionais que já existiam.
Pergunto-me, às vezes, se o presente Governo teria necessidade de manter a ficção de uma Secretaria da Cultura que, como dizia Almada, "se manifesta em não se manifestar". O seu tom mate, ou escuro de penumbra, que talvez se quadre bem com o presente e pequenino ocupante do Palácio da Ajuda, não justifica a sua existência. Ao menos, que tivessem a coragem de "acabar de vez com a Cultura", passando do romantismo da hipocrisia ao realismo e "nudez da verdade" crua.
No entretanto, autárquicos, há pequenos oásis ou pequenos sítios onde a Cultura e a preocupação social ainda ocupa espaço e lugar. Deixo em imagem, e da região outrabandista, alguns sinais.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Osmose (42)


Dezenas de carruagens passam. Centenas ou milhares de troncos nus ou decepados - como se fosse o cortejo e funeral absurdo de uma floresta -, transformados, talvez mais tarde, em alvíssimas folhas A4, ou no cheiro insuportável à volta de Cacia.
A curiosidade é, por vezes, tão premente e obsessiva que nos faz perder de vista o essencial, inquinando, de forma cega e quase absoluta, o rumo natural da imaginação.
É sempre salutar e vantajoso, em função dos mistérios, convocar o bom senso de Maigret, ou o exemplo das deduções inteligentes de Sherlock Holmes, perante a morte incompreensível dos outros. Júlio Dantas não nos servirá de nada, porque será uma mera redundância, mesmo com o cruel Pim! de Almada.
É importante guardar uma lágrima cativa para o essencial. Às almas simples convém nunca perderem de vista a realidade, a crueza dos números, a eternidade da morte.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Superstições


Costuma o povo dizer que "no melhor pano, cai a nódoa" e, na verdade, até nas pessoas em que prima a inteligência, cultura e racionalidade, se podem encontrar pequenos tiques instintivos, ou mesmo irracionais, que contrariam essas faculdades. O caso mais flagrante, porventura, é o das superstições. Vão assim três exemplos, para comprovar o facto:
Fernando Pessoa (1888-1935) considerava que o ganir dos cães era de mau agoiro. Por outro lado, congratulava-se por ter nascido em dia diferente da sua namorada Ophélia (ele, a 13 de Junho; ela a 14 do mesmo mês). E acrescentava que, quando as datas coincidiam, era prenúncio fatídico, numa provável alusão à mesma data de nascimento (28 de Setembro) do rei D. Carlos e da raínha D. Amélia.
Hans Christian Andersen (1805-1875) tinha medo de vir a ser enterrado vivo e, por precaução, dormia sempre com um bilhete, à cabeceira da cama, que dizia: "Pareço morto, mas não estou."
Eurico Caruso (1873-1921) nunca viajava à sexta-feira e estava convencido que podia proteger a sua saúde se mantivesse uma anchova seca suspensa sobre o peito, pendurada num colar.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Oração fúnebre


Herdado familiarmente de quem já o achava obsoleto ou com pequenas deficiências - imperceptíveis, para mim, que sou um ignorante e rude informático - o meu computador Sony lisboeta deu o berro. Quero eu dizer, morreu-me nos dedos, estava eu a ouvir, via Youtube, um concerto de Natal, em Viena, superiormente dirigido por Karajan. Fez um relâmpago silencioso, mas verde, começou a mostrar traços verdes finos e verticais, depois pequenas rectas negras intercaladas, e foi-se... Deu a alma ao criador. Ignorantemente esperançado, religuei-o quatro ou cinco vezes, e nada. Ecran absolutamente negro, vazio, obscuro como um buraco negro do Universo.
A Sony sabe-a toda. Faz os computadores com prazo de validade, mas não avisa os utentes. Este feneceu no último dia do ano de 2012. O número redondo deixa-me altamente desconfiado e faz-me pensar que, quem faz isto, tem um espírito matemático, doméstico, de horizontes limitados: deve ser infeliz. Ao menos, os frigoríficos que, hoje, no máximo duram 15 anos, avariam definitivamente em meses aleatórios do ano - o acaso, assim, é mais credível. A Sony é mais chapa zero: morra, pim! , como dizia o Almada, do Dantas.

Nota: esclareço que estou a usar o computador lisboeta e pessoal de HMJ. O meu acabou, de vez.

domingo, 1 de abril de 2012

Lembrar Mário Viegas, e não só


Mário Viegas (1948-1996) morreu, precisamente, há 16 anos. Recorda-se este grande actor português através de uma das suas muitas intervenções cívicas. Neste caso, glosando um texto célebre de Almada Negreiros.

domingo, 23 de outubro de 2011

Valores em Arte


Serão poucos os pintores portugueses do séc. XX que, no Estrangeiro, tenham cotação equivalente ou superior à que as suas obras alcançam em Portugal. Há pouco tempo, foi uma pintura de Paula Rego que atingiu um recorde de venda, em Londres - falamos disso, aqui, no Arpose. Congratulámo-nos agora com o justo reconhecimento, comprovado pelo preço recorde que "Saint Fargeau" (1965), de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), atingiu em Paris, num leilão da leiloeira Tajan. A notícia vem hoje, no "Público". O quadro, que pertencera à colecção reunida por Jorge de Brito (1927-2006), alcançou o elevado preço de um milhão e cinquenta e quatro mil euros. O mais alto preço atingido, até hoje, por uma obra da Pintora de origem portuguesa. E o mais elevado preço alcançado por uma pintura nacional, desde sempre. Ou seja, em moeda antiga: Esc. 210.800.000$00. Longe vai o tempo em que o retrato de Fernando Pessoa, pintado por Almada Negreiros, no início dos anos 70, do século passado, foi vendido por Esc. 1.100.000$00, num leilão em Lisboa. E que causou sensação pelo valor recorde atingido.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Salão de Recusados XXXIV : José Mário Branco (não aconselhável a orelhas sensíveis)




Este "F. M. I.", de José Mário Branco, tem a força e rudeza de um libelo acusatório e a veemência arrebatada e escatológica de um exorcismo. Neste registo, lembro-me apenas de "A Cena do Ódio" de Almada Negreiros, sendo que este último é bastante mais subjectivo e egocêntrico, e não político. Esta "gaguez furiosa" (para usar palavras de Jorge de Lima) tem, no entanto, dois andamentos: o primeiro é um esconjuro violento de sarcasmo irado; a segunda parte tem um lirismo inesperado onde, também, habita a ternura. É uma canção de intervenção esquecida, este "F. M. I." de José Mário Branco, que as ironias e repetições da História (tragédia/ farsa) voltaram a tornar actual e presente. Justificado, e português. Embora, como o disse, a princípio, e repito: não seja para ser ouvido por orelhas sensíveis, dado o seu tom de violência e o uso de um vocabulário que remete para as cantigas de "maldizer" medievais.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

De Almada ao Rio Letes


Com agradecimentos a ms, este tal rio que não era do esquecimento, nem da morte. Em vez de Letes, era apenas Lima. Como Almada Negreiros o concebeu.

sábado, 12 de junho de 2010

A ressaca de Pessoa



Amanhã completar-se-ão 122 anos sobre o nascimento de Fernando Pessoa (1888-1935) que, parei de reler, quando o começaram de novo a "matar por entusiasmo" os estudiosos, as escolas, os políticos... Sobrou-me Ricardo Reis e, mais recentemente, li, pela primeira vez as "Novas Poesias Inéditas", da Ática, em Julho de 2009.
Por outro lado constato que a estátua mais fotografada de Portugal é, com toda a certeza, a de Lagoa Henriques, no Chiado, onde portugueses e estrangeiros não resistem a sentar-se ao lado de Pessoa, para tirar o retrato. Mas também penso que, muito provavelmente, a esmagadora maioria dos retratados não faz a mínima ideia de quem foi o Poeta - "sic transit..."
Este Gémeos /Escorpião dispensaria, certamente, estas familiaridades, mas nada pode fazer, ali sentado em bronze, à frente da "Brasileira". Vou lembrá-lo através de um dos poemas, que mais gosto, do heterónimo que mais aprecio: Ricardo Reis.

Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afectos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses.