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domingo, 19 de março de 2017

Mercearias Finas 120


Alheira, pensava eu que provinha do uso do alho, nos seus temperos. Mas também é de tradição que terá sido uma criação engenhosa dos antigos cristãos novos portugueses para iludir os velhos cristãos e a Inquisição, fazendo-os acreditar que não evitavam a carne de porco, às refeições, e eram, por isso, católicos cumpridores.
A esta, que era de caça, e ainda estava na incubadora, na altura da foto, com os macios espinafres, a abeberar, havia que juntar-lhe batatas cozidas ou fritas, à escolha, um ovo estrelado, dos de pica-no-chão. E arroz branco, uma forma maneirinha, para quem for arrozeiro. Eu havia de sugerir um simples Duque de Viseu tinto, do Dão, da Quinta dos Carvalhais, que é sempre uma escolha que não nos deixa ficar mal, não fora ele da Sogrape, que tem pergaminhos velhos, de sangue limpo, a defender...

domingo, 25 de outubro de 2015

Mercearias Finas 106


Vai de vento em popa e de feição, a apetência para pratos de maior substância e, sobretudo, para tintos, que os vinhos brancos já os passei para a segunda fila, na garrafeira. Muito embora, a meio da semana, que hoje termina, ainda nos tivessemos despedido das caldeiradas de peixe (essa, de cação e raia), em muito boa e amiga companhia. Que trouxera consigo, para nos ofertar um elegante Ponte Pedrinha, Dão branco, que nos ficou na memória.

Mas com o vento e a chuva, os tintos chegaram-se à frente, e fazem-se desejar. A alheira de caça do almoço, de hoje, era muito boa, e o desconhecido Fráguas 2012, uma incógnita. Dão tinto e reserva, de bom preço e bom lote (Touriga, Tinta Roriz e Jaen), nos seus 13,5º, mostrou uns taninos ainda não domados, que lhe asseguram boa longevidade. Acompanhou muito bem, na sua irrequieta juventude, a dita alheira transmontana. Mas o melhor ainda estava para vir:


AVP deixara-nos por encetar um queijo de Caldas da Felgueira, porque, depois da caldeirada da semana que passou, tínhamos saboreado um de Azeitão. Hoje, foi a altura do Seia, magnífico. Que se bateu, lindamente, com o Fráguas tinto, em pé de igualdade e galhardia cavalheirosa.
Ah! terras do Dão, que vos falta ainda um Fernando Nicolau de Almeida (1913-1998) para criar um segundo Barca Velha! Matéria prima não vos escasseia, porém!...

com os melhores agradecimentos, renovados, a AVP.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Regionalismos transmontanos (40)


1. Fatinário - patife, maroto, tratante, desavergonhado.
2. Favaleiro - vendedor ambulante de peixe.
3. Fazenda Miúda - porcos, galinhas e crias de vacas.
4. Felistreca - mulher feia e mal arranjada.
5. Fengir - tender a massa do pão.
6. Ferronha - diz-se da noz cujo miolo está muito agarrado à casca.

terça-feira, 25 de março de 2014

Produtos nacionais 15


Não será uma afirmação gratuita, eu dizer que Portugal é um dos países europeus que, proporcionalmente ao seu território, tem uma maior gama de diversidade e boa qualidade no que toca a enchidos e/ou produtos de fumeiro. Talvez a Espanha nos esteja próxima mas, mesmo assim, fica longe...
De há muito que a indústria de Panificação portuguesa tem três formas de aproveitar as sobras da sua produção: o chamado pão duro. A maior parte, é transformada em pão ralado, outra, em tostas; o restante, por vezes, é adquirido por fabricantes de alheiras, que se dedicam a comercializá-las.
A sua origem, no interior de Portugal (Trás-os-Montes, inicialmente), radica nos conversos ou cristãos-novos (ex-judeus) que queriam dar a ideia à vizinhança que comiam carne de porco. Muito embora apenas acrescentassem à massa de pão, das alheiras, carne de aves (galinha e pato) e, eventualmente, caça (coelho bravo, perdiz...). O azeite era também utilizado, bem como sal, pimenta, alho e, por vezes, colorau.
O que foi um pequeno nicho regional de produção artesanal, com o tempo, veio a transformar-se em indústria florescente, de agrado nacional e preferência. E, se algumas marcas vendem gato desenxabido por lebre, com recheio constituído quase só por pão desfeito, tempêro, alguns ossinhos e uns fiapos de carne de frango, a EuroFumeiro (passe a publicidade...), de Mirandela, distribui umas magníficas alheiras de caça, bem fornidas de coelho, porco, pato, galinha e, talvez, perdiz. Com grelos, batata frita e um ovo estrelado, são uma reconfortante refeição.