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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Um poeta quase centenário, vivo


Até hoje, creio, nunca tinha ouvido falar do poeta brasileiro Manoel de Barros, nascido em Dezembro de 1916. E, se não fosse o meu amigo A. G. de Sousa, o escritor continuaria a ser, para mim, desconhecido.
Mas o meu Amigo fez-lhe um rasgado elogio, como Drummond de Andrade fez, ao considerá-lo o maior poeta brasileiro, e de qualidade superior à dele. Convenhamos que não é pouco, entre pares.
Isso me basta. Na breve busca a que procedi, encontrei um poema em que Manoel de Barros fala de Lisboa, indirectamente (Alfama). Pertence ao livro "O Guardador das Águas" e é a quarta estância do poema intitulado Retrato quase apagado em que se pode ver perfeitamente nada. Aqui vai o poema:

IV

Alfama é uma palavra obscura de olhos baixos.
Ela pode ser o germe de uma apagada existência.
Só trolhas e andarilhos poderão achá-la.
Palavras têm espessuras várias: vou-lhes ao nu, ao
fóssil, ao ouro que trazem da boca ao chão.
Andei nas pedras negras de Alfama.
Errante e preso por uma fonte recôndita.
Sob aqueles sobrados sujos vi os arcanos em flor.