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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Ideias fixas 98

 

Tenho sempre alguma dificuldade em escolher um vinho para acompanhar pratos em que entra pato. Se assado não duvido, será tinto, mas outras variações criam-me dúvidas, optando, quase sempre, por um vinho branco. Da última vez acamaradei o Arroz de Pato com um Encostas do Tua 2024, da Adega Cooperativa de Pinhel, lotado com Síria e Fonte da Cal (13º), e que está a um preço risível à venda numa das grandes superfícies. E é bom.
Cumulativamente, ninguém me tira da ideia que as castas de vinho têm um lugar ideal geográfico preferencial insubstituível, onde produzem de forma exemplar ou melhor. Não falo sequer da Baga, na Bairrada, do Alvarinho e do seu Monção e redondezas naturais, embora haja alguns produtores e enólogos novos ricos de cabeça que o plantem no Alentejo (com resultados mediocres, aliás, quanto a mim).
O Arinto alcança o seu pleno em Bucelas, insisto. Tenho só algumas dúvidas quanto ao Roupeiro que assim se chama no Alentejo e, nas Beiras, é Síria, mais mineral nestas bandas do que a Sul, onde madura de forma mais suave, normalmente. E em qualquer dos terroirs, embora diferenciado, dá vinhos de muito boa qualidade.


quarta-feira, 9 de julho de 2025

Memória 153

 

Desta última exposição de Pedro Chorão (1945), na galeria Sá da Costa, em Maio de 2025, ficou-nos este magnífico catálogo ilustrado, com o título homónimo da mostra - Diálogos Sensíveis.
Pena que o original acervo fotográfico sobre o Alentejo, nas mãos do Pintor, que esteve para ser publicado pela IN-CM, não o tenha sido por vicissitudes várias, alheias ao artista.

sábado, 11 de novembro de 2023

Despropósitos



De há muito que o Alentejo primava pela singularidade dos seus apelidos, muitas vezes oriundos de alcunhas que acabaram por se integrar nos próprios nomes, às vezes por distracção de quem os apontava no registo do cartório, aquando do baptismo, como foi o que aconteceu com José Saramago (1922-2010). Assim Catapan e Futre, também.
Mas hoje em dia os despropósitos acabam por ser mais amplos, abrangendo nomes de lojas que quase deixaram de ter nomes portugueses, ou, por exemplo, nomes de ruas (Estrada da Algazarra), de livrarias (Gato Vadio) ou até de vinhos (Abelharuco e Assobio, curiosamente ambos da região demarcada do Alentejo). Mas cuja marca e rótulo não têm nada a ver com o conteúdo.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Mostra de Pedro Chorão



Com escassa duração (11 a 31 de Outubro de 2023, das 14h30 às 19h30)) e ainda com mais rara, ou nula, divulgação, está ainda aberta até amanhã um exposição do pintor Pedro Chorão (1945) na Galeria Sá da Costa, ao Chiado, em Lisboa. 
Fotografias que deram origem a quadros, de à volta de 1988, as obras resultam de uma bolsa que o artista teve, tempo que passou a percorrer o Alentejo e a fixar* singularidades de paredes, casas, monumentos, a gosto da sua estética pessoal. Algumas das quais se metamorfoseariam, mais tarde, em telas.
Para quem ainda puder, a não perder.

* inicialmente o portefólio era para integrar uma edição da IN-CM, que entretanto se gorou.



segunda-feira, 17 de julho de 2023

Divagações 188


Não terá sido há muito que me deparei num livro com três palavras, cujo significado eu desconhecia. Duas delas eram: canevada (aguaceiro...) e estrezilhado (apertado...).
Não tenho grandes dúvidas que, nos últimos tempos, o léxico português, no seu uso do dia a dia, se foi reduzindo substancialmente. Não chegamos ainda aos 50 vocábulos por que se expressa a média dos adolescentes norte-americanos, por entre vários grunhos... mas, porventura, com o tempo, talvez o consigamos. Diminuinará assim grandemente o nosso horizonte cognitivo mental e cultural. Mas já hoje, por vezes, temos dificuldade em identificar, por uma só palavra, alguns objectos ou actos, utilizando para o efeito paráfrases para os nomear.



E assim chegamos à terceira palavra que eu desconhecia e que dá pelo nome de asseio, pelo menos, em Castelo de Vide, ilustrada pela imagem acima. Pois trata-se de um pequeno receptáculo, para servir azeitonas, com um espaço junto para depositar os caroços. Este nosso asseio terá sido comprado em Estremoz ou em Reguengos de Monsaraz, há um bom par de anos. E tem tido bom uso.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Minimalistas


Algures no Alentejo. E matinalmente.


sábado, 23 de março de 2019

Mercearias Finas 144


Pão de Rala, Encharcada, Sericaia, Rançoso de Mourão. Estes nomes enchem-me de doçura a memória gustativa, não preciso de ir ao estrangeiro para me babar de sobremesas finas. E são todas originais do Alentejo, terra que sempre pensámos pobre e amarga.
Doçaria conventual, convenhamos, que não era do povo, que labutava de sol a sol. Esse fazia uso inteligente até das ervinhas que cresciam nos campos, como as beldroegas, para a sua essencial e parca alimentação de todos os dias difíceis.
Perguntarão porque falo, hoje e aqui, destas sobremesas tão finas.
É simples a resposta: porque, na passada Quinta-feira (21/3/2019), provei, num modesto e improvável restaurante de Évora, a melhor Encharcada de toda a minha vida.
Juro!

domingo, 1 de julho de 2018

Adagiário CCLXXXIII


Não é por um alho que se desmancha uma açorda.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Um simples painel de 4 azulejos


Pelo nome, iriamos dar a Queluz e ao conhecido e primoroso restaurante, e assim faria todo o sentido que os azulejos tenham sido confeccionados em Sintra, que lhe fica próxima. Desiludam-se, porém. Porque o painel foi colocado no pátio interior de uma nobre mansão, ao fundo da rua do Raimundo, em Évora. Talvez para lembrar que, no Alentejo, também se podem degustar magníficos pratos de caça, em estação propícia. Como perdizes, por exemplo.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Humor negro (9)


O ditado é dado como originário do Alentejo e referir-se-á a alguém que se exalta sem motivo.

Reza assim: 
Baixa a bolinha que o guarda-redes é anão.
Assim seja...

segunda-feira, 4 de junho de 2018

3 quadras (populares e bem dispostas), que trouxe do Alentejo


Assenti-me em cima dum tojo,
aquela porra picou-me.
Emborqui um madronho,
não é que aquilo passou-me!?

...
Eu vi-te no teu jardim,
andavas apanhando hortelã.
Eu gosto de ti.
E tu, ãh?

...
Gostava de ser vestido,
vestido que tu vestisses.
Para onde quer que tu fosses.
Eu isses.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Pequena história (45)


Na verdade, era apenas uma aguadilha turva, onde boiavam uns filamentos esbranquiçados, um pouco mais consistentes. Mas quando o Engenheiro recebia, do seu amigo Palma, o cestinho alentejano de primores, era o almece que ele procurava e, encontrando-o, se enchia de prazer. Foi assim, uma vez, em casa do Engenheiro, que às Paiolas rotundas e às Mouras, passando pelas alongadas linguiças, pelos enchidos e queijos de Serpa recebidos, ele preferia e procurava, afanosamente na cordial encomenda, esse sub-produto do leite, sobremesa de pobres, com que eu tomei contacto, pela vez primeira, denominado almece (alentejano).
Recorra-se a José Quitério (1942), para melhor o caracterizar: "...Quando se julga já escorrido todo o soro (com o qual se fará «almece», comido com açúcar amarelo e sopas de pão, ou requeijão) e se dá por terminada esta fase, coloca-se sobre cada queijo..."
A fazer fé, ainda, na sabedoria livresca, chama-se Barriga de Almece ao indivíduo de ventre proeminente que se péla pelo dito. E era assim que o Engenheiro era crismado, pelos detractores, lá nesse Escritório lisboeta.

sábado, 23 de abril de 2016

Por ser Sábado...


Não tem sido apanágio do Arpose, e muito menos preocupação, a inclusão de anedotas no Blogue. Não é que eu as desconsidere ou não leve em conta para a animação da vida. Um dos grãos de sal que lhe dá gosto e descompressão saudável. Simplesmente não tem calhado, até porque recebo muitas, através de e-mails amigos. Por esse mundo de Palopes, os blogues andam cheios de anedotas, sobretudo brasileiras, e os bloggers, muitas vezes por preguiça, nem sequer se dão ao trabalho de as transcrever para português de lei, de forma gramatical correcta e escorreita. Assim se nota, muitas vezes, a sua origem...
Acontece que recebi, da parte de um dos meus mais antigos amigos, e dos mais estimados, uma enorme quantidade de anedotas sobre alentejanos. Por outro lado, regressei há pouco do Alentejo, província portuguesa de que gosto muito, assim como dos seus habitantes. Ora seria pena que eu não partilhasse, aqui, alguns momentos de bom humor, que sempre ajudam a viver melhor. Aqui fica, por isso e porque hoje é Sábado, um pequena antologia das anedotas que achei mais bem esgalhadas. Seguem:

1. Um dia, um alentejano diz, prazenteiro, para a mulher:
- Maria, põe a mesa no quintal, que hoje vamos comer fora.

2. Por que é que, no Alentejo, é proibido vender carros com limpa-vidros na retaguarda?
Porque foram apanhados alguns alentejanos a conduzir ao contrário.

3. O que é que os alentejanos fazem ao fim de um dia de trabalho?
Tiram as mãos dos bolsos.

4. Por que é que os alentejanos semeiam alhos na berma das estradas?
Porque o alho faz bem à circulação.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Adriano Correia de Oliveira / Conde de Monsaraz / José Niza


Vi muitos morzelos, mas nenhum morgado latifundiário. É certo que estava muita chuva, pelo Alentejo, donde vim. E os morgados são muito mimosos com a sua saúde. Mas que eles existem, existem, ainda hoje...

domingo, 17 de abril de 2016

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Regionalismos alentejanos


Da leitura da Revista Lusitana (vol. 34, 1936), que foi dirigida por J. Leite de Vasconcellos, deparei com parte de um trabalho de J. A. Pombinho Júnior, sobre regionalismos alentejanos, que abarcava as palavras começadas pela letra E. Dessas, seleccionei 6 regionalismos que aqui deixo:

1. Émbeque - coisa pouca, pequena porção, sobretudo referindo restos de comida.
2. Empata-caminhos - o mesmo que lobo (colhido nas zonas de Mértola e de Serpa).
3. Enchaboucado - diz-se de pessoa que tem a fala rouca, presa.
4. Enganido - tolhido, arrepiado com frio.
5. Engorvinhar - enrugar, envelhecer, especialmente referido a mulheres.
6. Entoirar - zangar-se, amuar, embezerrar; encamelar.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Da metafísica e da estatística dos blogues


Claro que podemos reflectir sobre ninharias - é essa a liberdade dos blogues, sobretudo, os nossos...
Dos últimos 100 postes, colocados no Arpose, o mais frequentado foi "Uma coutada, na Faculdade de Direito de Lisboa" (24/1/2016). Teve nada menos do que 71 visitas, até agora.
Entretanto, num espaço de pouco mais de uma semana, houve 2 postes com quadras populares: "Femininas e alentejanas" (3/2/16) e, ontem, "Mais 2 quadras populares alentejanas". Enquanto o primeiro teve apenas 16 visitantes, o que coloquei na quinta-feira (11/2/16) já soma 25 visitas, em apenas um dia.
Se o mais antigo foi ilustrado com uma bonita aguarela de Alberto de Souza, o de ontem contou com uma interessante fotografia da planície alentejana (com um monte e um sobreiro, ao longe). E digo isto, porque as imagens - já me habituei - têm uma importância e atracção, fundamentais, sobre os visitantes...
Como interpretar esta discrepância no número de visitas, sendo o tema, exactamente, o mesmo? Não sei. Só me ocorre um provérbio popular: "Mais vale cair em graça, do que ser engraçado"...
E vou à vida!...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mais 2 quadras populares alentejanas


As moças do Sagraçal
todas são sagraçaleiras,
são bonitas, bailam bem,
prestam-se para as brincadeiras.

...

Não há amor como o primeiro,
nem lenha como o azinho,
nem filhos como os do padre
que chamam ao pai padrinho.


Nota: uma vez mais, as quadras foram colhidas na obra "A sul do Tejo", de Manuel Mendes (1906-1969).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Femininas e alentejanas


Se fores ao Alentejo,
trazei-me uma alentejana,
pequenina e bem feita,
que caiba na minha cama.

...

Todas me lavam a cara
do meu amor ser ganhão.
É bonito, gosto dele,
é honrado e ganha pão.


Nota: as quadras populares foram recolhidas da obra "A sul do Tejo" (1965), de Manuel Mendes.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Comic Relief (112)


Algures, na planície alentejana, no interior dum café...

com agradecimentos a C. S. .