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domingo, 5 de maio de 2019

Osmose 105


Talvez porque assisti a algumas coisas grandes demais, na minha infância e juventude, ou talvez excessivamente pesadas e impressivas para a idade, embotou-se-me cedo a capacidade de admiração e deslumbramento. Fui fechando capítulos, arrumando puerilidades que outros conservam até o círculo se repetir, intenso, na senilidade final. Talvez seja um defeito humano pessoal de cepticismo ontológico, que se me acentuou com a idade, mas que me foi poupando a alguns "assassinatos por entusiasmo" (E. M. Cioran), a deslumbramentos pacóvios e a muitas desilusões que é habitual acontecerem, sobretudo na idade madura. E não me arrependo. Até porque me ficou ainda espaço para viver a alegria, mas de forma inteira, pura e essencial.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Alegria, segundo Cioran


A alegria não é um mistério: é simplesmente uma sensação pura - que não se experimenta senão em raros momentos em que desaparece a obsessão de sermos vítima, em que não invejamos ninguém, ou perdoamos a todos, ou em que somos invejados por um deus.
A alegria: nada me diz respeito daquilo que me acontece, e além disso nada acontece ou pode vir a acontecer. É uma luz que se devora em si mesma, inesgotavelmente: é o sol nos seus inícios.

E. M. Cioran, in Cahiers / 1957-1972 (pg. 775).

quinta-feira, 6 de março de 2014

Fisionomias e feitios


Andam-nos a prometer bom tempo e Primavera, mas eles nunca mais aparecem... Daí este ar melancólico, que vemos nas pessoas, pelas ruas de Lisboa. No entanto, os turistas já andam de calções, sorridentes, de mangas arregaçadas, só porque não há chuva, aproveitando a menor réstia de Sol.
Já aqui falei (Imagens de Alegria, 28/11/2010) da circunspecta iconografia religiosa portuguesa, a propósito da Virgem Maria que, por exemplo, em imagens de Coblença e da Catalunha, apresenta, pelo contrário, um ar feliz e sorridente.
O mesmo se passa com o Menino Jesus. Até mesmo o celebrado Menino Jesus da Cartolinha (Miranda do Douro) apresenta um semblante neutro, como se temesse sorrir, embora o seu ar não seja carrancudo.
Compare-se, no entanto, a neutralidade fisionómica lusitana, com a sorridente alegria deste Menino Jesus de Rostock ( de cerca de 1500), que se guarda no convento de Santa Cruz, da cidade alemã, para perceber a diferença de atitude.