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segunda-feira, 5 de março de 2018

Do que fui lendo por aí... 18


Por razões muito exteriores, principalmente, tenho sido disciplinadíssimo em leituras, nos últimos meses. Perante esta singularidade, acabei até por fazer um tosco apontamento (em imagem) dos livros que principiei e acabei de ler, nos mais recentes 4 meses e meio. E cheguei ao bonito número redondo de uma dúzia, fora dois ou três folhetos pequenos, oitocentistas.
O facto de ter estado fora (Inglaterra e Alemanha) e com limitadas provisões de leitura, contribuiu, espartanamente, para o facto. Até porque não me pude, quase, reabastecer lá fora. Ou muito limitadamente, pelo menos. Dos autores, bisei, com proveito, Alec Guinness e W. G. Sebald. Das más experiências e perdas de tempo, destacaria John Fante e James Baldwin.
De qualquer forma, o balancete de leituras, que fiz, não me desagrada, sobretudo pelo aspecto disciplinado de ter lido, em tempo prático e continuado, estes 12 livros, do princípio até ao fim. A ver vamos se o método se irá manter...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Uma vida em cena


Se Mémoires (1985), de Alec Guinness (1914-2000), é reordenado por grandes temáticas, que definem os capítulos (Chère Martita, Vers le Rivage...), o diário My Name Escapes Me (1996), com prefácio de John Le Carré, é menos ambicioso, dando conta, dia a dia, de deslocações e viagens, de jantares amigáveis, de questões de saúde em que, apesar de tudo, o registo nunca perde um tom de optimismo mitigado e de humor sibilino, ou de ironia, que vai fazendo companhia à imparável velhice.
E se o último capítulo de Mémoires, é todo ele inconclusivo, pela tentiva de Alec Guinness tentar descobrir, em vão, a identidade do seu anónimo pai, o diário, de 1996, conclui-se na data em que o seu único filho, Matthew, completa 50 anos. Para trás, ficam esboços de retratos, humaníssimos ou pitorescos, de Gielgud, Edith Sitwell, Ralph Richardson, Peter Glenville, Hemingway e outros, numa galeria de afectos e de cordialidade de que, talvez, só Alec Guinness, apesar de actor, fosse capaz.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Memórias de 39, por Lisboa



Em Janeiro de 1939, a companhia inglesa de teatro do Old Vic iniciou, de barco (paquete Alcantara), uma tournée que a haveria de levar por alguns países da Europa (Portugal incluído), e até ao Egipto, representando, entre outras peças do seu repertório, o Hamlet, de William Shakespeare.
Alec Guinness, nas suas Mémoires (pgs. 35/6), dá conta das suas impressões, bem como do ambiente que se vivia, em Lisboa, por esses dias. Vou, por isso, traduzir e transcrever um pequeno excerto mais significativo:

Chegámos a Lisboa a 23 pela manhã, e vimos com horror, na descarga (do navio), a carga dos nossos cenários mergulhar majestosamente nas águas do Tejo. Ela desapareceu, depois emergiu e, por um triz, que os adereços não se inutilizaram de todo. Provavelmente, teria sido um erro involuntário do manobrador da grua do cais, mas convém não esquecer que, à época, os ingleses estavam longe de serem populares em Portugal. A guerra civil de Espanha estava para acabar, e a tomada de Barcelona pelas tropas franquistas estava iminente. Quando aconteceu, três dias mais tarde, houve uma explosão de alegria em Lisboa. E isso pareceu-nos deprimente. E ainda mais deprimente, para nós, ao vermos, lado a lado, pelas ruas, luxuosas viaturas britânicas arvorando a União Jack, com carros embandeirados com a cruz gamada, com o sol nascente japonês, bem como as cores nacionalistas espanholas e portuguesas. A maior parte de nós, penso, sentia-se diminuída, estrangeira, isolada, ameaçada - muito temerosos pelos nossos compatriotas em Lisboa. Setembro de 1939 não estava assim tão longe, afinal de contas.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Representar


Com o tempo fui cada vez mais apreciando desempenhos (em teatro ou cinema) neutros e/ou naturais, sem excessos nem esgares, sem gesticulação desarticulada, num registo equilibrado que se aproxima muito da escola de representação britânica: Guinness, Jacobi, frequentemente Finney, mas nem sempre...
Por razões muito secundárias pesquisei, recentemente, a biografia do actor norte-americano, já centenário, Kirk Douglas (2016). A Wikipédia derrama-se-lhe em elogios, quanto a mim infundados: "(Kirk) Douglas é amplamente considerado um dos melhores atores da história do cinema. ..."
Se ainda hoje suporto o cabotinismo (cínico) de Jack Nicholson, porque me compensa de outras formas, e já me entusiasmei, na adolescência, pelos desempenhos de Ulisses, Spartacus e de Van Gogh, personificados por Kirk Douglas, hoje, dificilmente os toleraria, pelo seu registo primário.
Mas até sou capaz de perceber a simpatia e caridade palavrosa da Wikipédia, que ainda vai na juventude (com os seus 17 aninhos), e ainda não desenvolveu, convenientemente, o seu sentido crítico. E louvo o seu respeito e veneração pela velhice consagrada...

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Tempo frio


Tempos de recolhimento, estes em que o frio intenso empurra para o ameno morno das casas, a quem não tem de sair, já não trabalha ou chegou à idade em que dispensa os cortejos carnavalescos.
Sob a sombra tutelar de Alec Guinness (1914-2000) me correu o dia de hoje. Um bom amigo tinha-me emprestado as Mémoires do actor britânico, assim como O Peregrino Secreto, de John Le Carré, que este dedica: "Para Alec Guiness com afecto e gratidão".
E como não há duas sem três, acabei por ver, no Youtube, um filme brando de Ronald Neame (1911-2010), intitulado The Card (1952), com um bom desempenho de Alec Guiness e uma inesperada e jovem Petula Clark. Tempo que dei por muito bem empregado... Embora o frio continue. Lá por fora.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Revivalismo Ligeiro CXXIX


Acontece que, por escassez televisiva de qualidade fílmica, tenho vindo a ver, no Youtube, a interessante série Smiley's People (1982), da BBC, baseada na obra homónima de John Le Carré. A temática e o ambiente, por associação, além da magnífica interpretação de Alec Guinness, levaram-me a folhear a tradução portuguesa de O Terceiro Homem (nº 6 da celebrada colecção Miniatura, da Livros do Brasil), de Graham Greene. Daí foi um passo até me lembrar do sucesso que o tema musical (criado e interpretado pelo austríaco Anton Karas) da película teve, em anos já  recuados do século XX. A utilização da cítara, pelo seu tom exótico, terá também contribuído decerto para a sua divulgação muito popular. Aqui deixo essa música original, em evocação saudosa.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O Cinema em Casa III



Após o Cine-Romance, a Agência Portuguesa de Revistas começou a publicar A "Colecção Cinema", com capa e contracapa a cores, semanalmente às quintas-feiras, ao preço de Esc. 1$50. A edição foi bem recebida e, creio, que teve vida longa, nos anos 50 do séc. XX. Dos vários fascículos que tive, restam muito poucos. Em imagem, por agora, deixo dois. O filme "O Quinteto era de Cordas" contava, no elenco, com Alec Guinness e o jovem Peter Selers (o filme é de 1956), e foi estreado no Cinema S. Jorge. Quanto ao "Fúria de Viver", de Nicholas Ray, os actores principais eram James Dean e Natalie Wood. E é também do ano de 1956. Na contracapa o bónus colorido de Ava Gardner e a nossa "azougada" (como se dizia na época) Laura Alves.