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terça-feira, 23 de setembro de 2025

Memória 155

 

Por onde passámos, vagas recordações nos ficam, quando ficam. Outras vezes, permanece o sabor de um ambiente, positivo ou negativo da atmosfera que ali, então, respirámos.
Recentemente, em sonho, veio-me à tona o Museu de Ixelles (Bélgica) que, há muito, descobrimos por feliz acaso nas nossas deambulações pedestres por Bruxelas.



Ficou-me a memória de que o museu da comuna de Ixelles, não sendo excessivamente grande, o que foi bom, continha resumidamente uma selecção original e singular englobando arte ocidental que ia dos séculos XVI ao XX, com obras de Dürer a Magritte, passando por Toulouse-Lautrec.



domingo, 1 de outubro de 2023

Adagiário CCCLVII



Quando Adão cavava e Eva fiava, a fidalguia onde estava? 

sábado, 27 de abril de 2019

Retratos (22)


Chamemos-lhe Columbina S., embora ela se assemelhasse mais a uma coruja e tivesse, de rosto, uma assimetria de faces morenas muito pronunciada. De altura bastante baixa, o tom de voz era bem colocado, forte, e dava-lhe vulto, logo no início das conversas. E, apesar de feia, era uma sedutora de simpatias, pelo menos. Cordata, habitualmente, tinha porém um grande sentido de humor - muitas vezes, e com vontade, me ri com ela, às bandeiras despregadas, de coisas que ela me contava ou comentava, num agudo sentido de humor, que possuía intrinsecamente. Sexagenária, era também solteira, mas nunca me pareceu infeliz. No fundo, sempre achei que ela estava de bem com a vida que levava.
Não lhe sabia a profissão, nem o Manuel, meu subordinado, que ma tinha apresentado, mas sei que se dedicava a alguns serviços burocráticos que ia prestando com gentileza a alguns amigos e conhecidos: certidões, preenchimento e entrega de IRS, procurações e quejandos. Nunca cobrava contas nem facturas, mas todos a recompensavam do seu trabalho, naturalmente e bem. Creio que era disso que vivia e das rendas de umas duas ou três casas modestas que possuía na linha de Sintra. Foi assim que uma parte do meu grupo de trabalho foi entregando a Columbina os seus papéis e documentos do IRS, para ela os ir levar às Finanças. Eu próprio também o fiz, durante 3 ou 4 anos.
Não me recordo já dos pormenores, mas sei que a dada altura o Pinheiro recebeu, em casa dele, uma multa do Fisco, por falta de declaração do IRS. E a multa não era pequena. Sucessivamente, mais multas foram chegando a mais 4 ou 5 elementos da empresa que tiveram de pagar coimas elevadas, para a época. Preocupadíssimo, dirigi-me às Finanças, mas, felizmente, tudo estava em ordem quanto a mim. Columbina S. tinha entregado a minha documentação e a do Manuel, apenas. O resto levou descaminho total. E a senhora nunca mais apareceu pela zona - não mais soubemos dela.
Plagiando Eça, eu comentaria para concluir: singularidades duma sexagenária morena... 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

A propósito de uma gravura de Dürer


Acédia, melancolia, spleen, tédio - diferentes palavras para expressar um quase igual sentimento. O rigor da caracterização pode, no entanto, identificar melhor a riqueza do sujeito que a utiliza, pela variante que preferiu. Baudelaire abusou do spleen, Cioran optou por acédia. Albrecht Dürer (1471-1528), talvez mais complexo, criou, em gravura, a imagem que quase todos nós conhecemos, em 1514. E, com simplicidade clássica, deu-lhe o nome de melancolia.



Das gravuras do grande pintor alemão, é talvez a mais difícil de descriptar, pelos inúmeros motivos circundantes que envolvem o anjo melancólico, à direita. Desde os símbolos geométricos, ao relógio, ao sino inesperado, ao vago Sol distante, com arco-íris circundante. O quadrado mágico de 16 números é, porém, o elemento que mais tinta fez correr, porque somados na horizontal ou na vertical, bem como em diagonal, os algarismos somam sempre 34. Na última linha, ao centro, a data de execução da gravura: 1514.



De tal modo famoso este seu trabalho, acabou por inspirar vários artistas vindouros, que, apesar de tudo, não atingiram a perfeição de Dürer. Mas Cranach, o Velho, no quadro homónimo, andou lá  por perto.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pinacoteca Pessoal 118


A meio caminho entre a Renascença e o Barroco, quanto à expressão pictórica, o artista flamengo Jan Gossart (1478-1532), também conhecido por Jan Mabuse (da sua terra natal), deixou-nos uma obra pessoalíssima de ressonâncias difíceis de classificar. Do Auto-retrato (1515-20) que faz lembrar Dürer, aliás seu contemporâneo, até ao singular Neptuno e Anfitrite, de 1516, passando por Danae (1527) fecundada pela pródiga poalha divina de Zeus, o seu exercício criativo marca um percurso charneira muito singular nos primórdios da melhor pintura do século XVI.

Nota: Jan Gossart está representado na Fundação Medeiros e Almeida (Lisboa) por um quadro intitulado "Cristo coroado de espinhos".



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

domingo, 17 de novembro de 2013

Pinacoteca Pessoal 63 : Otto Dix


Otto Dix (1891-1969) é, muito justamente, considerado um dos grandes pintores do Expressionismo alemão. A intensidade, quase agressiva, do seu traço, entre o dramático e o satírico, contribuíu para que nos deixasse uma obra impressiva e carregada, que retrata impiedosamente a sociedade alemã entre as duas Grandes Guerras. Combatente da Primeira, a sua obra sequente é um manifesto pacifista e anti-bélico. É ambigua, no entanto, a sua tomada de atitude em relação ao nazismo que, inicialmente, integrou, canonicamente, as suas pinturas na chamada "Arte degenerada". Algumas cedências (só pintar paisagens, por exemplo) permitiram-lhe a sobrevivência financeira, e chegou mesmo a combater no final da II Grande Guerra. Por isso, esteve preso até 1946. A partir daqui, a temática religiosa é predominante, na sua obra.
O "Auto-retrato com cravo", em imagem, pintado por Otto Dix, quando contava apenas 21 anos, pertence ao acervo do Detroit Institute of Arts (U. S. A.). Não posso deixar de associar este quadro, embora não o consiga explicar, ao "Auto-retrato com flor de cardo", de Albrecht Dürer (1471-1528), pintado pelo Artista, aos 23 anos, e aqui reproduzido (Pinacoteca Pessoal 9, de 6/4/11). De comum, talvez, a firmeza do olhar, em ambos os quadros, embora em Dürer seja mais suave. E a flor, na mão...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Divagações 45 : pintura, arte e fotografia


Precisamente, 11 dias antes do nosso rei D. Manuel I completar 46 anos, chegou a Lisboa, a 20 de Maio de 1515, e pela primeira vez, à Europa, um rinoceronte. O animal causou enorme curiosidade e admiração. De tal modo a notícia se divulgou, pelo Continente, que, nesse mesmo ano, e através de uma descrição escrita, Albrecht Dürer (1471-1528) representou, por gravura, este rinoceronte indiano. O desenho está longe de ser uma cópia fiel do animal, mas a culpa não terá sido do grande Pintor alemão, mas sim da descrição incorrecta que lhe fizeram.
É minha convicção que o advento e aperfeiçoamento da fotografia, no séc. XIX, terá contribuído, de algum modo para o despontar da pintura abstracta e para o abandono, parcialmente, da transcrição pictórica literal de paisagens e retratos, com maior ou menor fidelidade, em relação aos modelos reais. A imitação objectiva perfeita através dos novos meios (fotográficos), terá ditado a procura de novos caminhos na Arte da Pintura. A pintura abstracta permitiu também, por outro lado, transmitir estados de alma que, até aí, estavam reservados apenas aos escritores e aos músicos.

Obsv.: o rinoceronte branco do postal é oriundo da África do Sul.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pinacoteca Pessoal 45 : Hans Baldung


Caberia o quadro melhor na Quarta-feira de Cinzas, mas também não será obrigatório, aqui no Blogue, falar-se no Carnaval, sobretudo nos tempos que correm.
A Morte com a sua clépsidra, na mão, encerra as três idades do homem, que Hans Baldung (1484-1545), gráfico e pintor alemão, personificou através do recém-nascido (Infância), da jovem semi-nua (Juventude) e da idosa mulher (Velhice), a que a prudente coruja, na paisagem despida, assinala o destino.
O quadro terá sido pintado no ano de 1539. Baldung foi aluno de Dürer, mas o tratamentos dos corpos lembra, também, o traço de Lucas Cranach, o Velho. A obra integra o acervo do Museu do Prado, em Madrid.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Coruja ou Mocho?


Em bom rigor, não sei se será uma coruja ou um mocho, mas inclino-me para a primeira opção. Embora não seja tão interessante quanto a de Albrecht Dürer, esta ave de Johan Andreas Naumann (1780-1857), aguarelada em finais do séc. XVIII ou início do séc. XIX, tem, para mim, um encanto especial, pelo seu olhar estremunhado e fixo. Mas para quem quiser comprá-la, tem um preço arrebatador: 17.000,00 euros!
E aqui fica, para dar os bons dias, a quem vier visitar o Blogue.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Adagiário XCVIII : temática Justiça


1. Ladrão endinheirado, nunca morre enforcado.
2. Prendeu-me o alcaide, soltou-me o meirinho.
3. Deus te guarde de parágrafo de legista, de infra de canonista, de et coetera de escrivão e de récipe de    mata-são.

sábado, 26 de maio de 2012

Para agradecer aos que se lembraram


Quando a 21 de Maio passado, alguém, estimado, me perguntou se eu me tinha esquecido do "amigo Dürer", eu respondi que não. Mas que, como já havia muito de Albrecht Dürer (1471-1528) no Blogue, preferia lembrar o Douanier Rousseau que também nascera no mesmo dia do mês, embora num ano diferente.
Ora, hoje, entre várias coisas que me vieram à mão, surgiu também a reprodução de uma gravura do Pintor alemão, que ele fizera em 1513, intitulada "Cavaleiro, Morte e Diabo" que dizem ser inspirada pelo Salmo 23 do rei David. E que não é muito frequente ver-se. A Christie's leiloou um exemplar, em Dezembro de 1985. E, em Hamburgo, no ano de 2007, apareceu outra à venda - que não sei se seria a mesma.
Aqui fica, em imagem, a encimar o poste.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

As andanças de Dürer


A saída definitiva de uma casa, para outra porventura mais pequena, pressupõe uma concentração de afectos, opções difíceis, o adeus final a coisas que, por atavismo, fomos conservando e nos foram companhia durante anos. Finalmente, por detrás das prateleiras e armários da velha casa, há sempre algum objecto ou livro perdido que aparece, por ter caído e estar escondido em recôndito lugar esconso. E, isso, no meio da taciturnidade do acto das mudanças, pode vir a ser um raro e pequeno momento de alegria.
As duas pequenas aguarelas de amador estavam na sala de jantar: um nu discreto, branco, castanho e ocre, e uma cópia sugerida do coelho (1502) de Dürer. Na parede, onde se suspendiam, não batia o sol e, por isso, as aguarelas mantinham ainda uma frescura tenra. Na nova e pequena morada, apanham agora luz, logo pela manhã, viradas como estão, a nascente. E o pequeno coelho inspirado por Dürer, que retouça a erva verde aguarelada, embora tímido, parece agora mais feliz. 

para HMJ.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Metamorfoses: em geminação com o Prosimetron


As metamorfoses do Tempo. No intermédio, pode ver-se, no Prosimetron, S. Pedro e S. Paulo, de El Greco, num astigmatismo mais pronunciado de que, as bem-pensâncias, dizem que o pintor grego sofria. Será?, ou seria um estilo já moderno, para a época? A Igreja católica celebra, hoje, os 2 Santos: a Pedra e a Fénix. As crenças têm sempre a sua própria mitologia e, normalmente, também respeitam a tradição.

para LB.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Melancolia e "Spleen"


Às vezes, ao ler algumas "search words" que, via Google, acabaram por vir ter ao Arpose, em busca de resposta, fico possuído de um estranho spleen, alguma melancolia inesperada, quase tristeza. Por trás dessas perguntas, porventura, desesperadas ou "search words" tão desconexas e tolas (: "porque razão a uniao europeia ainda não adotou uma lingua comum" (sic), "ainda há juízes em berlim lenda" (sic), "ranking cabra ri hugo michaelis sequeira santos" (sic)) escondem-se, talvez, preocupações existencialistas, metafísicas sofredoras, angústias filosóficas tremendas... Mas penso que, também, aí coexiste a iliteracia, a preguiça corporal e mental, a ignorância, a incapacidade de raciocinar, alguma leveza adolescente, a cabeça desarrumada de tanta gente, neste mundo...
E dá-me para a melancolia, para o spleen, até para me lembrar, com alguma tristeza, dos últimos versos de "A Tabacaria" de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos): "...e o universo / Reconstruiu-se sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu."

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pinacoteca Pessoal 9 : Albrecht Dürer



Sendo, como é, um dos meus pintores favoritos da Renascença, torna-se difícil escolher, da sua vasta obra, a preferida. Optei pelo belíssimo "Auto-retrato com flor de cardo" de 1493 (tinha ele 23 anos, apenas), que tem a inscrição «My sach di gat / Als oben schtat» (As coisas acontecem-me / Como foi fixado lá no alto). Albrecht Dürer nasceu a 21 de Maio de 1471, em Nuremberga, e na mesma cidade veio a morrer, a 6 de Abril de 1528. É considerado, pelas suas singulares aguarelas, um dos primeiros pintores paisagistas europeus. A aguarela reproduzida, que se encontra no Louvre, intitula-se "Moínhos nas margens do Pegnitz", e data de 1498.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pinacoteca Pessoal 8 : Lucas Cranach, o Velho


É um dos pintores renascentistas alemães preferidos por mim. Nascido por volta de 1470 (1472?), Lucas Sonder ou Lucas Cranach, o Velho, veio a falecer em 1553. Pertencia a uma família de pintores e o seu filho veio, também, a seguir a mesma carreira. Lucas Cranach passou grande parte da sua vida em Wittenberg sobre o Elba, mas o seu apelido (Cranach) terá vindo provavelmente, por deturpação, do local de nascimento: Kronach. Foi pintor oficial da corte do Eleitor da Saxónia, e amigo de Lutero, de quem fez vários retratos.

A sua pintura alguma coisa deve a Dürer e Grünewald. Mas o traço das suas mulheres jovens, esguias e elegantes, é inconfundível. A pele evanescente, os olhos amendoados, os rostos cuja expressão espelha malícia, se não perversidade, ou determinação, são a sua marca de água mais evidente.

Talvez a "Salomé" das Janelas Verdes (MNAA), seja o quadro que prefiro, de Lucas Cranach, mas já consta do arquivo do Arpose (19/7/2010). Por isso optei por esta "Vénus e Cupido" que se guarda num Museu de Berlim.

para H. N., pela atenta Amizade, e com gratidão.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Osmose (10)


O frágil fio de voz, que vai e vem, como se fora um murmúrio - tanta vez ininteligível. O corpo débil como um vime, ou vegetação flébil espontânea, frágil e abandonada às oscilações do vento. Onde a mudança das estações, cruelmente, se inscreve. E destrói, quase, a ligação à Terra.
O dia parece uma noite ininterrupta, com brevíssimos clarões de luz, que não de tempestade.
E, depois, há uma outra voz que a chama à Vida. Que se debruça, persistente, e lhe fala. Ciclicamente, num dever amoroso, sem pedir recompensa, senão ouvir o seu próprio nome vindo das trevas. Num afecto despojado e fiel que não procura nada, senão que a ligação não se perca. Que se mantenha esse cá e esse lá, ainda que silencioso. Antes da Morte.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Do Cancioneiro Geral (IV) : Conde de Vimioso


Cantiga sua


Se alguém deseja prazer,
viva em no esperar,
que tudo o mais é achar
maneira de o perder.

Diga-me quem alcançou
bem algum que desejasse,
se nunca tanto folgou
que disso se contentasse.
E pois se acaba o prazer,
que se espera em alcançar,
quem esperar de o ter
não ouse de o tomar.

sábado, 12 de junho de 2010

Do Cancioneiro Geral (I)



Do coudel-mor de Loulé a uma moça que lhe pediu uns socos...


Por serdes melhor servida
pois a perna tendes grossa,
mandai-me vós a medida,
eu farei tudo o que possa.

E logo começareis
a medir pelo artelho,
e daí para o joelho
e na coxa acabareis.
E também quanto é comprida,
e o pé quanto ser possa
me amostres a medida
da perna galante vossa.