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quinta-feira, 22 de março de 2012

A estética do passado



As imagens não carecem de legendas. Pertencem a capas de livros dos finais do séc. XIX e início do séc. XX, e do mais fino gosto, para a época. Algumas são de Alfredo de Morais e, outras, de Alberto de Sousa. Pertencem a uma colecção de postais, em estojo de cartão, que a BNP editou sob o título "Antes das Playstations - 200 anos do romance de aventura em Portugal". A qualidade do grafismo português manteve-se, progrediu e aperfeiçoou-se até aos anos 70 do século passado. Depois, e até hoje, foi um fartar vilanagem de mau gosto quitche, quase generalizado, a puxar para o chinelo da indigência estética ou da nula criatividade.

com os melhores agradecimentos à estimada ofertante.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Alberto de Sousa / Costumes Portugueses


Os dois postais, em imagem, pertencem a um conjunto de 39, emitidos pelos CTT, em 1941, reproduzindo aguarelas de Alberto de Sousa. O Pauliteiro de Miranda do Douro era o nº 1 da série, e a Ceifeira do Alentejo o nº 33. Os postais tiveram circulação até 1945.   

domingo, 8 de maio de 2011

Leituras Antigas XXXII : Clássicos para crianças


Leitores de hoje foram-no, ontem, na maior parte dos casos, também (ainda crianças ou adolescentes), leitores destas adaptações de grandes obras clássicas, publicadas pela Livraria Sá da Costa. As novelizações ou adaptações em prosa foram feitas por António Sérgio, Aquilino Ribeiro, João de Barros e Marques Braga. As capas e ilustrações nas páginas interiores pertenciam a Alberto de Sousa, Emérico Nunes, Martins Barata, J. Pedro Barata, e eram muito sugestivas. Os livros começaram a ser publicados nos anos 40 do século passado, mas ainda hoje são reeditados pela Sá da Costa, onde se podem comprar. Eram um óptimo veículo intermédio para uma criança, quando já adulto, vir a interessar-se e aceder aos textos clássicos originais.

sábado, 12 de março de 2011

Raul Brandão: alguns livros e capas





Raul Brandão nasceu na Foz (Porto), a 12 de Março de 1867, e faleceu em 1930. É um escritor de minha particular estima, pese embora o tom pesado e lúgubre de algumas das suas páginas. Conhecida é a sua relação de amizade com Columbano que o pintou, pelo menos duas vezes. Numa delas, ainda jovem; outra, já no limiar da velhice, com a esposa, Maria Angelina. Mas as capas dos seus livros atestam o bom gosto estético e demonstram as boas relações que teria tido com outros pintores e desenhadores. Assim, cronologicamente, aqui vai a indicação gráfica dos autores, em relação às capas dos livros de Raul Brandão em imagem:
- "Os Pobres", 3ª edição, 1925, com desenho, na capa, de Stuart Carvalhais.
- "A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore", 1ª edição, 1926, ilustrado por Martinho da Fonseca.
- "A Farsa", 3ª edição, 1926, capa de Stuart Carvalhais.
- "Portugal Pequenino", em colaboração com Maria Angelina Brandão, 1ª edição, 1930, com capa de Alberto de Sousa e desenhos, no interior, de Carlos Carneiro.
- "O Pobre de Pedir" (livro póstumo), 1ª edição, 1931, desenho de capa de autor desconhecido.

terça-feira, 8 de março de 2011

Leituras Antigas XXVIII : Os Grandes Amores de Portugal



Estes fascículos com cerca de 60 páginas terão sido publicados por volta dos anos 30 do século passado. O texto era de Rocha Martins e os desenhos das capas de Alberto de Sousa, e têm a indicação de Rua do Alecrim, nº 61, em Lisboa. Pertencem à denominada "Coleção História" e, uma vez completos, eram encadernados com capas vermelhas do editor. Li-os à volta dos 10 anos, de uma biblioteca familiar. E vim a comprá-los, posteriormente, em 1988, por recordação, entre Esc. 100$00 ou 125$00, cada um, num alfarrabista da Calçada do Carmo. As histórias narradas por Rocha Martins estão bem enquadradas no seu tempo respectivo e lêem-se sem fastio, e com agrado. Reproduzem-se as capas dos amores e desamores do infante D. João por Maria Teles (irmã de Leonor Teles) que acabou assassinada, às mãos do marido, que depois fugiu para Espanha; a paixão de D. Manuel I por D. Leonor que era para casar com D. João III, mas acabou por ser a última esposa do rei venturoso, que tinha 48 anos, na altura. E os amores de D. Afonso VI por D. Feliciana de Milão, filha de pais incógnitos, e freira de Odivelas. E por aqui me fico, nas descrições.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

D. João V, piedoso e pecador



D. João V (1689-1750) começou a reinar em 9 de Dezembro de 1706, muito embora a sua proclamação só tivesse tido lugar em Janeiro de 1707. O seu nome lembra-me sempre duas coisas: a construção do Convento de Mafra e uma saborosa quadra de gosto popular. Que diz:

Flor da murta,
Raminho de freixo;
Deixar de amar-te
É que eu não deixo.

Pelo menos os versos são atribuidos ao Rei, e a história conta-se em duas penadas. D. João V tinha entrado já na "perigosa curva dos quarenta" (Drummond dixit), e enamorou-se de Luísa Clara de Portugal, mulher de D. Jorge de Menezes. Declarou-se através do madrigal e as coisas avançaram. Nasceu uma filha: Maria Rita de Portugal. O marido da adúltera afastou-se da mulher e foi para longe, com os três filhos anteriores ( António, Bernardo e José). Flor da Murta, que deveria ser uma mulher apaixonada, viria ainda a enamorar-se do Duque de Lafões.