Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto de Oliveira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto de Oliveira. Mostrar todas as mensagens

domingo, 29 de dezembro de 2013

Bibliofilia 94


A tarefa morosa de rearrumar livros - para quem tenha muitos, sobretudo - traz algumas surpresas e compensações generosas. Foi o caso de um livro de Paul Fort (1872-1960), poeta simbolista francês, que redescobri ontem, numa prateleira e em segunda fila, recuada, e de que já não me lembrava. Terá sido comprado nos anos 80, em Lisboa, por Esc. 200$00.
De uma tiragem de 1.300 exemplares, L'Arbre A Poèmes, com 75 (o meu tem o número 69) em edição numerada e em papel especial, tem dedicatória ao poeta português Alberto de Oliveira (1873-1940), grande amigo que foi de António Nobre. É da edição primeira e original e foi publicado no ano de 1922, em Paris.
Em rápida pesquisa por alfarrabistas, na Net, encontrei mais dois exemplares à venda, ambos em França. Um, por 56,63 dólares e outro por 134,50, mas da tiragem normal e sem dedicatórias.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O francês e a sua perda de influência


Do século XVII e até à primeira metade do século XX, o francês era, por excelência, a língua usada na diplomacia, como língua franca entre os diplomatas dos diversos países. Mas não só, e, em Portugal, era o segundo idioma, a partir do séc. XVIII, falado pelas famílias de mais posses e pelas elites cultas do país. Em Coimbra, Alberto de Oliveira, grande amigo de António Nobre, comprava, no próprio ano de saída, as obras poéticas de Verlaine, vindas de França.
E sempre foi assim, quase até aos anos 80 do século passado, quando, inexplicavelmente, a sua influência começou a declinar, ano após ano. O inglês(-americano) absorveu, por inteiro, o espaço criado. Hoje em dia, são raros os portugueses, com menos de 40 anos, que saibam falar e ler francês.
Deixo, por curiosidade e em imagem, um livro do poeta francês Guilevic, saído em 1949, que Alexandre O'Neill terá lido em 1953, pela sua marca de posse, manuscrita. E que faz parte da minha biblioteca, desde Julho de 2008. Comprado num alfarrabista de Lisboa, o livro foi baratíssimo, porque os livreiros, nos nossos dias, têm já alguma dificuldade em vender livros em francês, usados. E põem-nos, frequentemente, a baixo preço.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bibliofilia 44 : Tarcísio Trindade


Morreu há dias, pouco depois dos idos de Março, com quase 80 anos, em Lisboa, mas era natural de Alcobaça. Era um homem que cultivava alguma distância, na sua extrema afabilidade educada. Profundo conhecedor dos mistérios e meandros da bibliofilia, Tarcísio Campos Trindade (1931-2011) desencantou das traças da antiguidade, em 1965, o primeiro incunábulo escrito em português (Tratado da Confisson, 1489) que manteve a sua posição primeva até que, em 1996, João Alves Dias nos deu a conhecer o "Sumario das Graças", impresso por volta de 10 de Abril de 1488. Desde os anos 70 que Tarcísio Trindade tinha casa aberta (até tarde, normalmente) na Rua do Alecrim, nº44, em Lisboa. Era um local de encantamento e descoberta para quem gostasse de livros. Lá conheci António Valdemar e Joaquim Braga, por lá passou, muitas vezes, Pina Martins, lá aparecia, e cavaqueava, Artur Anselmo. Os preços dos alfarrábios eram justos, daí que, frequentemente, alguns colegas de profissão lá fossem, para comprar obras que revenderiam, mais caras, depois, nas suas lojas. Era preciso passar todos os dias, porque, normalmente, todos os dias havia novidades expostas para venda. Lá comprei um folheto raro de Mariana de Luna, de 1641, uma primeira edição de Rubén Darío, com dedicatória, que pertencera a Alberto de Oliveira, a "Clepsydra" (1920) de Camilo Pessanha, na sua edição original, e tantas outras obras raras ou preciosas. Havia sempre uma pequena informação ou nota útil de Tarcísio Trindade, quando se fechava a transação, sobre o livro em causa. Passou o ofício ao filho, Bernardo Trindade, que herdou a amabilidade do Pai, e grande parte dos conhecimentos, mantendo a actividade, no mesmo local, com os mesmos princípios.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bibliofilia 7 : Rubén Darío






Rubén Darío (1867-1916), nascido na Nicarágua, foi um poeta importante e influente nos países de língua castelhana, nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX. Viajante infatigável na América e Europa, desempenhou funções consulares e de embaixador em Espanha; ao mesmo tempo, foi um dos mentores do "modernismo" e da "Geração 98".


"Prosas Profanas y otros poemas", cujo rosto da primeira edição se reproduz, de 1896, foi editado em Buenos Aires na Imprenta de Pablo E. Coni ( Palau, 68469), e teve uma segunda edição, de Paris, acrescentada de cerca de uma dezena de poemas, em 1901. O meu exemplar foi comprado, em 1991, por Esc. 8.500$00 (cca. euros 42,50), em Lisboa. Tem uma dedicatória, de Janeiro de 1897, manuscrita por Darío, oferecendo o livro a José Chocano (1875-1934), poeta peruano e aventureiro. O seu segundo proprietário terá sido Juan Bautista de Lavalle (1862-1933), diplomata. Deste passou para o grande amigo de António Nobre (1867-1900), Alberto de Oliveira (1873-1940) que também foi embaixador. Finalmente, veio parar às minhas mãos.


Na livraria "Buenos Aires Libros" (Argentina) vem anunciado um exemplar da 1ª edição, igual ao meu, também encadernado, mas sem dedicatória. O preço indicado é de : euros 3.784,20 ( ou US$ 5.000,00) - o que, manifestamente, considero um exagero.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Bibliofilia 4 : Paul Verlaine



Nos anos oitenta do século passado, comprei, num alfarrabista de Lisboa, um voluminho - em bom estado de conservação - de poesias do poeta simbolista francês Paul Verlaine (1844-1896). A obra foi das últimas publicadas, em vida, do autor. Tratava-se de "Liturgies Intimes", impresso em 1892. Custou-me, na altura, Esc.2.200$00 (cca. Euros 11,00).
O pequeno livro tinha pertencido, inicialmente, a Alberto de Oliveira (1873-1940), poeta e grande amigo, que fora, de António Nobre (1867-1900), e tinha, na capa, marca de posse manuscrita: "Coimbra 1892 / Alberto d'Oliveira". O que quer dizer que os nossos poetas estavam actualizados na leitura dos seus congéneres estrangeiros.
Em Novembro de 2008, esta mesma edição, mas na sua vertente especial (de apenas 375 exemplares), estava à venda, por $654 dólares (cca. Euros 939,00), na "Libraire Laurent Coulet" e uma outra, edição normal, mas 2ª edição (1893), vendia-se por Euros 200,00, na "Libraire La Monne".
P. S.: para MR, que aprecia esta rubrica.