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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Citações DXXXV

 

A minha tristeza é no fundo religiosa. É por isso que ela é incurável.

E. M. Cioran (1911-1995), in Cahiers / 1957-1972 (pg. 250).

sexta-feira, 1 de maio de 2026

1 poema, em versão portuguesa

 



I, 2

A morte, às vezes, toca-nos os cabelos,
até nos despenteia
mas não entra.

É  um grande pensamento que a faz parar?
Ou talvez sejamos nós que pensamos
algo maior do que o próprio pensamento?


Roberto Juarroz (1925-1995), in Poesía Vertical.


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Comic Relief (167)

 


Traduzindo o início do artigo (TLS nº6378): "Uma velha piada soviética diz assim: « Somente o futuro é certo: o passado é imprevisível»."

quinta-feira, 23 de abril de 2026

No Dia Mundial de Poesia

 

At 3 a. m.

No aposento não há sons
a não ser o tic tac do relógio
que começou a entrar em pânico
como se fosse um insecto que caiu
na armadilha de uma enorme caixa.

Livros estão pousados e abertos na carpete.

Algures estás
dormindo
e ao lado está uma mulher
que chora, discreta,
para não te acordar.



Wendy Cope (1945), in Collected Poems (2024).

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Citações DXXXI



O casamento mais feliz que eu posso descrever ou imaginar, para mim mesmo, seria a união de um homem surdo com uma mulher cega.

Samuel Taylor Colleridge (1772-1834), in Recollections (1836), de T. Allsop.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Citações DXXVII

 


Depois de uma noite em branco, o cigarro tem um sabor fúnebre.

E. M. Cioran (1911-1995), in Cahiers 1957-1972.

sábado, 6 de dezembro de 2025

De Weendy Cope (1945)

 


Sunset at Widemouth Bay

Fogo
por detrás do mar.
O céu está cheio de anjos
de longas asas
a arder.


Wendy Cope, in Uncollected Poems (pg. 71)

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Citações DXXIII

 

A juventude é um tempo durante o qual as convenções são, e devem ser, mal compreendidas: ou cegamente combatidas, ou cegamente obedecidas.

Paul Valéry (1871-1945), in Monsieur Teste.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

2 pequenos textos (poéticos) de Antonio Gamoneda


Algumas tardes o crepúsculo não incendeia os teus cabelos;
não estás em nenhum lugar e falas com palavras cujo significado ignoras.
É assim também o meu pensamento.
...

Nos teus lábios formam-se palavras desconhecidas
e o invisível gira em redor de ti suavemente.


Antonio Gamoneda (Oviedo, 1931)
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

De Wendy Cope



Haikai de Outono

Folhas. Folhas por todo o lado:
no jardim, até dentro de casa.
Marido, vê se limpas os pés.


Wendy Cope (1945), in Uncollected Poems (1992-2000).

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Da leitura 62


Por aqui se hão-de ver algumas diferenças de dois celebrados realizadores do cinema italiano:

 


" A 9 de Maio de 1962 iniciam-se em Roma as filmagens de 8 e 1/2 de Federico Fellini (1929 -1993). Cinco dias mais tarde começam na Sicília as de O Leopardo, de Luchino Visconti (1906-1976). Ambos os filmes se acabam em Outubro desse ano. (...) Visconti programou tudo. Fellini deixa-se levar pelas circunstâncias. Tudo opõe Luchino Visconti e Federico Fellini. (...) No cenário de Fellini reina a confusão. Sem ruido este último perde a sua calma e a sua inspiração. Com Visconti, o silêncio é de rigor, e a sua equipa vive no temor de o pertubar."

Samuel Blumenfeld, in En 1962, l'apogée du cinema italien (Le Monde, 11 de Julho de 2025).

segunda-feira, 7 de julho de 2025

3 perspectivas sobre a tradução

 "... ou o tradutor deixa o autor em paz... e traz o leitor até si; ou ele deixa o leitor em sossego e leva o autor até ele."  Friedrich Schleiermacher (1768-1834).

...

" A tradução é uma espécie de leitura. "  Maurice Merleau-Ponty (1908-1961).

...

" A tradução é totalmente um género próprio, mas por alguma razão permanece como uma tendência para explicar por analogia. Um tradutor é como um actor desempenhando um papel, um músico interpretando uma peça musical, um mensageiro que, algumas vezes, deturpa a mensagem. " Eliot Weinberger (1949).

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Citações DXV



Dever da lucidez: conseguir chegar a um desespero correcto, a uma ferocidade olímpica.

E. M. Cioran (1911-1995), in Syllogismes de l'amertume  (1952).

domingo, 15 de junho de 2025

2 poemas de Dorothy Wellesley (1889-1956), em versão poruguesa



Moon

Ah, quem consegue esquecer  sua primeira noite?
Por onde a lua carnal há-de nascer?
A terrena, a  luz mais sensual
que no céu do planeta havia de brilhar.


Godparents

A divina Imaginação veio até mim,
Para acender a candeia da cabana.
A doce Filosofia abriu a porta 
E a sublime Razão veio com ela.


Dorothy Wellesley (1889-1956), in Lost Planet and other poems (1942).





terça-feira, 27 de maio de 2025

Antologia 24



 " Em Gaza, os pais decidiram escrever o nome dos seus filhos nas pernas deles, com tinta preta e assim, se a família for separada durante um bombardeamento israelita, eles terão alguma esperança de vir a encontrá-los de novo; ou pelo menos terem a possibilidade de identificar os seus corpos."

TLS (nº 6358), in We are the news (pg. 8).

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Do que fui lendo por aí... 68



"Todos os franceses leram Maupassant, muitas vezes na sua adolescência. (...) Considerado como um clássico, ainda em vida, Maupassant é, com Dumas, um dos raros autores do século XIX que os jovens leitores podem devorar para seu próprio prazer." 

Alexis Brocas, in Édito (Les Classiques de Lire Magazine, nº 14).

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Jeffrey Wainwright (1944), um poema

 

Um final

Mais uma vez olho pela janela, 
através das teias de aranha, vasos e árvores,
à procura de alguma coisa que faça
ou comece um poema, algo significativo
como eu acho que possa ser,
um pensamento, ao menos, uma ideia
que rompa do ninho exterior,
não um lugar comum
mas alguma coisa que remate um poema
de forma inesperada, satisfatória.




terça-feira, 25 de março de 2025

Últimas aquisições (59)

 

Saída recentemente, esta edição dos poemas completos da inglesa Wendy Cope (1945) não é bem uma aquisisição, antes uma estimada oferta que muito apreciei e irei ler, com atenção.

( E aqui fica um poema que traduzi:

Leaving

for Dick and Afkham  


Já no próximo verão? No verão seguinte?
Teremos sorte se houver mais alguns anos
De sol, bebida e gargalhadas,
Aeroportos e adeuses, lágrimas.

[pg. 171] )

quinta-feira, 6 de março de 2025

Versão para português de um poema de Derek Mahon (Belfast, 1939-2020)

 

The Snow Party

for Louis Asekoff


Bashô, vindo
Para a cidade de Nagoya
É convidado para uma festa de neve.

Ouve-se um tilintar de loiça
Da China, com chá;
Há as apresentações.

Então, todos se chegam
E comprimem à janela
Para ver a neve cair.

A neve cai em Nagoya
E mais a sul
Nas tílias de Quioto.

A leste, para lá de Irago,
Está a cair como folhas
Sobre o mar gelado.

Algures estão a queimar
Feiticeiras e heréticos
Em praças fumegantes,

Milhares morreram
Desde a manhã ao serviço
De reis bárbaros;

Mas há silêncio
Nas casas de Nagoya
E pelas colinas de Ise.



Derek Mahon, in Snow Party (1975)



quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Ultimas aquisições (57)

 



É um livrinho simpático publicado (2023) pela editora inglesa Faber, este que julgo ser a penúltima obra da poetisa britânica Wendy Cope (1945), de que traduzi, em poste, recentemente um poema muito simples e interessante.
O voluminho (42 pgs.) acabou de me chegar pelo correio, vindo do norte.

Aqui fica mais um pequeno poema, vertido para português:

Haiku

Um vinho branco perfeito
é vivo, doce e fresco como este:
Canção de pássaro no inverno.