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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Recuperado de um moleskine (49)

 


Inha

Vem de longe o cheiro
de casas campestres e nogueiras altas,
o aroma limpo da aguardente branca
misturado com maçãs no cimo
de roupeiros velhos, o perfume todo
de coisas sem idade ou da infância
sumida lá no fundo
e sussurrando.

Qlz.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Marcadores 37

 

Não sendo a junção exacta, o conjunto serve o objectivo de lembrar uma escritora polifacetada, que nem sempre é lembrada por quem gosta de ler - Ilse Losa (1913-2006).



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

arte menor (45)

 
post-scriptum 


Não nos avisaram, os antigos, que a velhice
era uma pátria exausta sem boas
notícias, os horizontes trémulos
e frios. E que alguns amigos
de lá saiam, sem dizer adeus.

Há que apontar no livro
que não há histórias cor de rosa,
nem anjos ou fadas,
e raras são as damas
de companhia.


Sb., 25/2/2026.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Recuperado de um moleskine (48)


 
O poema tem sempre de nos convencer primeiro, para gostarmos dele e o incorporarmos no nosso entendimento. Ainda que as palavras não nos sejam próximas. Pode até acontecer que desconheçamos o significado de uma ou outra palavra e que os possíveis sinónimos nos levem a dispersos e inconclusivos caminhos e motivos. Um esforço que teremos de fazer pela compreensão do todo, de forma a que o sentido ganhe uma dimensão pacífica de leitura pessoal ou subjectiva.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

arte menor (44)



Alguma coisa lhes trago
de limpo e natural.
De longe, lembro
coisas extintas,
afagos de memória.

A ternura é porém de outrora
- e já não volta.


Sb., 13/11/2025

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Divagações 209


Ou se escreve a pertença, no verso, ou se perde a origem da fotografia. Depois, só apenas a arqueologia especializada poderá permitir situar aquilo que terá sido nosso, ou contemporâneo. Se for útil ao futuro. O que é altamente duvidoso. Embora muita gente pense que tudo o que viveu é importante. E assim vão sendo felizes pela vida.

domingo, 20 de julho de 2025

Osmose 145

 
Compreendo perfeitamente os abusos que se fazem sobre alguns verbos, de natureza afectiva, por parte de uma grande parte da gentinha que polui a blogosfera. Adorar, amar, por exemplo, são usados, indistintamente, por quem não sabe usar a medida e o grau. Volúveis, quando não irracionais, estas criaturas levezinhas de cabeça são capazes de incensar um amigo recente de que muito pouco conhecem, esquecendo, com leviandade, os antigos companheiros. 
Gente pouco fiável, que eu gostaria de lembrar neste vago Dia Internacional da Amizade.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Recuperado de um moleskine (47)

 

Há improváveis filhos pródigos que regressam de obscuros lugares, inesperadamente. Ignoro quase sempre o motivo da partida. Não sei por onde andaram, desconheço a razão por que voltaram, mas alegro-me um pouco, ainda que de guarda, precavido. Cuido-me, apenas, pelo incerto futuro que pode vir, outra vez desregulado e sem aviso prévio.
Há impulsos, arrependimentos, remorsos da razão irreprimíveis que desconhecem a lógica humana. Movimentos  erráticos como a arritmia do nosso imprevisível coração.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Divagações 203

 

O facto de termos conhecido pessoas da vida real, permite-nos avaliar a autenticidade próxima da reprodução pictórica, feita por desenhadores ou pintores, dessas figuras públicas.
Ao escolher, para encimar o poste anterior sobre Eugénio de Andrade (1923-2005), um desenho do murciano José Antonio Molina Sánchez (1918-2009), fi-lo pela semelhança indiscutível com o Poeta.
Imensamente retratado, Eugénio tem reproduções que são autênticos mamarrachos, ainda que, muitas vezes, sejam de autoria de artistas consagrados. Nem todos os pintores, porém, são bons retratistas...
Da galeria dos retratos, como os melhores pela semelhança, eu distinguiria mais cinco nomes, por ordem alfabética: Angelo de Sousa, Armando Alves, Augusto Gomes, Carlos Carneiro e Dordio Gomes.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

arte menor (43)

Epitáfio


Do silêncio geral
vim à terra colher alguns frutos
discretos, amigos simples no tempo
vieram comigo por acaso feliz.

Depois voltei à terra
esquecida do nunca 
mais e sempre.


Sb., 3/1/2025

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

arte menor (42)

 

Memória


Os anos vão ficando cada vez mais velhos,
a sua idade no tempo afasta-se
demais do que é presente,
apenas por instantes.

Perdem a verdade
do que foi. Parecem
ficção ou fantasia.


Sb., 25/11/24




domingo, 20 de outubro de 2024

arte menor (41)

 


A princípio, o movimento
que cessa quando o limite
excede a vontade interna
do corpo. Alguma coisa se passa
para além do que é possível.

O fim é um mero acidente
em direcção ao silêncio
do absurdo, no desconto
de outros sobreviventes.

Só parecemos ignorar
que a morte é uma cilada
paciente e eterna, 
silenciosa a esperar.




Sb., 25-26-5/ 17-7, 3/6/ 18-24/8/2024.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

A querer ser máxima...



A beleza não cansa. Mas pode habituar-nos, infelizmente. 

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Osmose 136

 

Costumo arrumar os livros nas prateleiras da biblioteca por afinidades subjectivas, ou em sequência cronológica. Os do António estão junto aos meus. Torga é vizinho de Régio. Mas vi-me aflito para descobrir o único livro de Casimiro de Brito (1938-2024), Corpo Sitiado (Iniciativas Editorias, 1976), que tinha, para além da plaquete canto adolescente inserta no conjunto poesia 61, que abordei no Arpose, em Bibliofilia 36 (2/9/2010). Casimiro de Brito (recentemente falecido) estava arrumado, mal, junto a Pedro Tamen. Rectifiquei: pu-lo ao lado de Gastão Cruz (1941-2022), outro dos 5 poetas que, com Luiza Neto Jorge (1939-1989), eu privilegio desse grupo geracional.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

A ter em atenção

 
 Quando o movimento cessa de todo, a memória pode sempre socorrer-se da nitidez estática da fotografia.

domingo, 24 de março de 2024

Vontade

 
Sempre quis que o Arpose não fosse um blogue demasiado fútil, repetitivo e desmiolado, nem excessivamente sério e grave, ou seja, que também se pudesse rir, de forma saudável, de si mesmo...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

arte menor (40)



Depois

Não sei se alguma vez em Londres
me chegaram versos. Os Kew Gardens
poderiam ser motivo ou cenário suficiente, 
os imensos relvados de Greenwich a perder
de vista talvez me trouxessem as palavras
esquecidas, de longe. Mas recolho, já noite,
de Inverness Terrace, por Outubro a memória,
dos meus passos húmidos, pensados, talvez
de um sentimento vago, estranho caminhante
que me encontra agora, por aqui, outra vez,
sem lhe saber o nome, origem ou razão 
de ser. Mas que me acompanha bem
tê-lo por perto e amigo concordante.


Sb., 12/7/22 - 6 e 30/8/23 - 26/11/23.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Osmose 134


Às vezes, as coisas boas de que gostamos vêm ter connosco, inesperadamente. Assim pensava também, a propósito de livros raros, um catedrático português bibliófilo, já falecido.
Pelos vistos, o filme na RTP 2, que apanhei a meio (acabei por o vê-lo todo através do Replay), estaria à minha espera, pois foi um gosto entrar nele. E assim ficar, por lá, deliciado.
Realizado por Claudio Rossi Massimi (1950) e muito bem desempenhado por Remo Girone (1948). O filme ialiano é de 2021 e bem merece ser visto. Aqui fica o conselho.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

A caminho de ser máxima

 

Para uma boa amizade é sempre vantajoso criar o lastro comum de algumas aventuras no passado.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Osmose 133



Que o mundo anda imensamente desarrumado e agressivo, já eu sabia. 
Que há falta de médicos, camionistas, professores, canalizadores e enfermeiros também tinha conhecimento.
Agora que escasseiam medicamentos, é que eu desconhecia de todo. Em busca desta mezinha (em imagem), que devo tomar semanalmente, fui a 6 farmácias, nos últimos 4 dias para a comprar - debalde! "Que está esgotada!" Seja o original, sejam os genéricos. E as senhoras farmacêuticas nem sequer têm previsão de reposição do ácido alendrónico...
(Ah mundo, ao que chegaste!)
E que dirão, sobre isto, a ANF e o Infarmed, habitualmente tão zelosos e palradores?