Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto Pimentel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto Pimentel. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Bibliofilia 207

 


Escritor prolífico e de temáticas muito diversificadas (da poesia ao romance histórico, passando pelo ensaio), grande amigo de Camilo, de quem foi um dos primeiros biógrafos, Alberto Pimentel nasceu no Porto, em 1849, e viria a falecer em Queluz, no mês de Julho de 1925. Ao longo da sua vida editou mais de uma centena de títulos, muitos deles com interesse indiscutível.



Este Diccionario de Invenções (Lisboa, 1876), de ambição enciclopédica, foi pena que se tivesse ficado pelo volume inicial, ainda assim com 524 páginas, e inacabado pela palavra litúrgica "Extrema-unção", bem explicada, aliás como todas as outras contidas na obra.




Adquiri este meu exemplar, que se encontra em boas condições e encadernado, no início do século XXI, na rua do Alecrim (Lisboa). Custou-me 22 euros.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Atracções fatais


O título é uma pequena ironia ou uma ligeira provocação de alerta. Mas é certo que, atingida a maturidade, quase todos nós cultivamos alguns ódios de estimação, bem como algumas fiéis adorações que, haja o que houver, sempre mantemos.
No que à arte diz respeito, Alberto Pimentel (1849-1925), no seu estudo sobre o Poeta Chiado, tem algumas palavras lúcidas e esclarecedoras sobre esta matéria, que vou, em parte, transcrever:
"...Affeiçôa-se a gente a um escriptor, a um maestro, a um pintor ou a um estatuário, que morreu ha muitos annos ou ha longos  seculos, e não deixamos apagar nunca a lampada do seu culto: colleccionamos-lhe as obras sem olhar a dinheiro, por mais raras que sejam; conservamol-as em grande veneração como thesouros que um avarento aferrolha a sete chaves; e estamos sempre promptos a combater de ponto em branco pela gloria e beleza das suas producções, quando apparece algum zoilo a menosprezal-as com azedume.
(...)
O meu fallecido amigo visconde de Alemquer, que era um gentleman distinctissimo, primoroso em maneiras e acções, além de ser um biblióphilo digno de apreço e consulta, tomou tanto gosto pelas obras do padre José Agostinho Macedo, que passou a maior parte da existencia a colleccional-as por bom preço e a muito custo.
Comtudo, havia tanta disparidade entre o caracter de um e do outro, porque o auctor dos Burros foi o mais attrabiliario, inconstante e perigoso homem de letras de todo o nosso Portugal, que o visconde de Alemquer, se houvesse sido contemporaneo do padre José Agostinho, nunca teria podido ser seu amigo, nem seu defensor, nem jámais o quereria vêr em intimidade de portas a dentro. ..."

E, ora aí está, porque, ao contrário do visconde de Alenquer, eu quase tenho um desamor de estimação pelo padre Macedo, e se possuo os Burros, porque integrados no Parnasso Lusitano, coligido por Garrett, não lhe aprecio a obra, nem nunca comprei nenhuma das suas numerosas publicações, embora tivesse tido várias oportunidades de o fazer. E a bom preço, que algumas são bem raras.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

De três palavras que aprendi hoje


Os últimos raios de sol marmoream de branco, ao longe, o casario do Seixal, em contraste com o azul quase cinzento, ao fundo, da Arrábida. O Tejo vai de verde, para o mar.
E eu aprendi hoje o significado de mais três palavras, que encontrei pela leitura de Histórias de Reis e Príncipes, de Alberto Pimentel. Como as não conhecia, foi ao dicionário saber-lhes o significado. Assim:
- Barjoleta - bolsa grande ou mochila;
- Alcoveta - alcoviteira (desta suspeitei o significado);
- Apolegar - premir com os dedos, palpar. 
Não se pode dizer que delapidei o meu tempo, por inteiro...

terça-feira, 15 de julho de 2014

Bibliofilia 106


Não creio que este livro de Alberto Pimentel (1849-1925), com assinatura de posse manuscrita de Nuno Rodrigues dos Santos (1910-1984), lhe tenha sido oferecido pela Companhia do Caminho de Ferro de Benguela, cujo cartão achei entre as páginas 202 e 203. Mas vai-me fazer jeito e servir de marcador, quando o começar a ler... E o índice dos capítulos de Histórias de Reis e Príncipes, que não serão bem histórias de fadas, promete. A obra foi impressa no Porto, em 1890, pela Livraria Gutenberg-Editora (Cancella Velha, 66).
E um dos factores, apesar do seu estado, que me fez comprar este livro usado, é que tem na capa o dístico da Livraria Académica (Porto) que me traz maravilhosas recordações, mas do tempo em que era gerida pela Família Guedes. Agora, não. Que os brilhos das encadernações flamejantes de dourados, aqui há uns anos, quase me cegaram a vista. E os preços, o raciocínio. Para paz do meu espírito, terá sido o simpático e sabedor livreiro sr. Guedes que recomendou e vendeu o livro ao sr. Santos, talvez em meados do séc. XX.
Esta manhã, adquiri a obra por 6 euros. E estou seguro de que não me vou arrepender, quando a ler.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Civilidade (31)


O cerimonial das refeições da corte portuguesa proporcionava, a alguns representantes das casas nobres lusitanas, ocupações que, hoje, consideraríamos insólitas ou difíceis de entender. Vamo-nos socorrer de Alberto Pimentel (Diccionario de Invenções..., Lisboa, 1876) para melhor as caracterizar e definir as suas atribuições. Assim:
"A côrte portuguesa costumava comer em publico, e com deslumbrante apparato desde o tempo de D. Affonso V. Assistia á mesa um trinchante, que cortava as viandas, até ao reinado de D. João III. D'ahi por diante os trinchantes foram dois, e no reinado de D. João IV eram três, escolhidos em outras tantas cazas nobres.
Á direita do trinchante ficava o uchão, e ao pé o servidor da toalha; á esquerda o mantieiro. Os moços de camara, precedidos habitualmente pelo prestes da cosinha e nas grandes festas pelo mestre-sala, traziam as iguarias. O servidor da toalha recebia os pratos, que punha na meza; o uchão chegava-os ao trinchante, que, depois de trinchados, os servia a el-rei, até que o mantieiro os tirava, e punha outros. O copeiro-mór era o fidalgo que chegava o pucaro de agua a el-rei. Quando el-rei fazia signal de querer beber, o copeiro-mór recebia do copeiro-menor o pucaro, e ambos se aproximavam acompanhados de dois porteiros da cana, que faziam cortezias, e ajoelhavam. El-rei bebia inclinado sobre a meza, e dava depois o pucaro ao copeiro-mór, que lh'o havia entregado. Nos grandes banquetes era ainda mais luzido o cerimonial. ..."

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Citações CXXXII : Alberto Pimentel


"As relações de amizade entre os vivos e os mortos são menos quebradiças e ephémeras do que as dos vivos uns com os outros.
E a razão é facil de explicar: quem vai, não volta.
Os mortos não falam, não intrigam, não atraiçôam, não desmerecem, por isso, da estima e consideração em que uma vez os tomamos. ..."

Alberto Pimentel (1849-1925), in O Poeta Chiado (1901).

sábado, 14 de abril de 2012

Divulgadores culturais


No tempo da minha juventude, eram inúmeros e de saberes variados os livros de autoria de escritores, jornalistas, autodidactas e até académicos que pretendiam tornar acessíveis, aos mais novos, temas de cultura sobre história, linguagem, ciências... Dos mais antigos, já falecidos, recordo-me de Rocha Martins, Eduardo de Noronha, Costa Brochado; dos vivos, na minha adolescência, lembro Américo Faria, Agostinho da Silva, Mário Domingues, Gentil Marques, José Pedro Machado, e sei que estou a esquecer, injustamente, muitos outros. Creio que as novas gerações desconhecem a maioria destes nomes, até porque muitas das suas obras nunca mais foram reeditadas. E compreende-se, em parte, já que as tendências culturais, agora, vão mais no sentido da especialização do que do enciclopedismo, que predominava anteriormente.
Passa, hoje, mais um aniversário do nascimento de Alberto Pimentel (1849-1925), escritor e jornalista portuense, que veio a morrer em Queluz. Era um homem de grande cultura em vários temas e a sua bibliografia é extensíssima. Abarca romances, biografias, memórias, teatro e até poesia, além de obras políticas, crónicas, livros de viagens e algumas traduções. Só sobre Camilo Castelo Branco, Alberto Pimentel escreveu cerca de 10 livros. Uma das suas obras mais interessantes, que deixou incompleta, é o "Diccionario de Invenções, Origens..." (1876) de que já aqui falei, no Blogue. Apreciador de poemas herói-cómicos, especialmente de "O Hissope" de Cruz e Silva, tem sobre este género literário um trabalho bibliográfico e descritivo incontornável e, ainda hoje, inultrapassado: "Poemas Herói-Cómicos Portugueses (Verbêtes e Apostilas)", editado pela Renascença Portuguesa, no Porto, em 1922. Aqui deixo, pois, esta breve evocação de Alberto Pimentel, um dos grandes divulgadores da cultura portuguesa. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Razões

"O editor d'este livro manifestou-me desejos de que o meu prefacio fosse escripto na orthographia do tempo de Camillo.
Aquiesci sem constrangimento, porque essa orthographia foi a da minha mocidade e só a abandonei por disciplina burocratica. Depois ficou-me o habito; eis tudo. Nunca preconizei este ou aquelle systema graphico."
Alberto Pimentel (1849-1884), in prefácio ao livro "Camillo" (1921) de Santos Quintella.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um poeta satírico vimaranense



É uma bonita edição, esta de 1904, com 40 gravuras, que Alberto Pimentel dedicou a efabular a vida do poeta vimaranense António Lobo de Carvalho que nasceu por volta de 1730 e veio a morrer em Lisboa, a 26 de Outubro de 1787. Chamavam-lhe o "Lobo da Madragoa", por lá viver, e Castilho disse dele: "... o Lobo / sem capa, bolsa, ou lar, mordendo em todos."
Para o lembrar aqui fica um soneto e uma décima, não tão "contundentes" como grande parte da sua obra.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Curiosidades 41 : religiosas


Do livro "Diccionario de Invenções, Origens..." (1876), já aqui referido e da autoria de Alberto Pimentel (1849-1925), transcrevemos:
"Eminencia (Vossa). - Foi o papa Urbano VIII que concedeu aos cardeaes o tratamento de eminencia, a 10 de Janeiro de 1631; até então tratavam-se por illustrissimos. Ao depois o mesmo tratamento foi estensivo aos eleitores ecclesiasticos e ao gran-mestre de Malta.
Extrema-unção. - A instituição do quinto dos sete sacramentos da nova lei é mencionada em S. Marcos, Acto VI, vers. 13, em S. Thiago, Acto V, vers. 14. Na egreja grega, os padres simplesmente benziam do mesmo modo que os bispos, o oleo empregado na extrema-unção. No Oriente é necessaria assistência de 7 padres para que a administração d'este sacramente seja legal. A egreja latina reccomenda cinco unções para os cinco sentidos; mas uma só feita à cabeça basta para a validade do sacramento."

Aditamento (pessoal): ao contrário do que se julga, o mais curto papado não foi o de João Paulo I (1912-1978), que durou cerca de um mês; mas o do papa Urbano VII (1521-1590) antecessor, em nome, do papa referido na primeira curiosidade, e representado na imagem deste poste. O pontificado de Urbano VII durou apenas 12 dias, após ter sido eleito em conclave. Morreu de malária.

domingo, 31 de julho de 2011

Curiosidades 40 : origens, invenções e descobertas


Do livro "Diccionario de Invenções, Origens..." (1876), de Alberto Pimentel (1849-1925), respigamos algumas curiosidades que nos pareceram mais interessantes (com actualização ortográfica):
1. Agulhas - "As agulhas cuja invenção os gregos e os romanos atribuem a uma mulher, estiveram longo tempo sem ser aperfeiçoadas, porque eram feitas geralmente de espinhas de peixe, como os alfinetes. Parece ter sido no século XIV que se começou a empregar o arame nas agulhas e aí pelo século XVII que o arame foi substituído pelo aço."
2. Anspeçada - " Este posto hoje introduzido nos corpos de todas as armas do exército, no seu princípio pertencia só à Infantaria. O seu nome provém de duas palavras italianas lancia spezzata, lança quebrada, de que os franceses tiraram o seu lanspessada, e nós daí o nosso anspeçada. Chamavam-lhe assim, porque este posto era dado aos velhos gendarmes, que não podendo já servir na Cavalaria (cuja arma principal era a lança) os agregavam, como por uma espécie de reforma, aos corpos da Infantaria;..."
3. Bambochata - "Tem esta denominação um género de quadros ou desenhos que representam cenas populares, facetas e grotescas. Esta palavra deriva d'um pintor flamengo, Pedro van Loor, nascido em 1613, alcunhado Bamboccio, porque tinha defeituosa configuração. Como ele fosse o maior pintor d'este género, deu-se por analogia o nome de bambochatas às suas composições e às dos seus imitadores. ..."

Notas: a) o termo "anspeçada", no meu tempo de tropa (1968-1971), creio que já não era usado.
           b) existe um poema herói-cómico intitulado " A Lusa Bambochata" (1885) de Joannico C. Mila.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Curiosidades 36 : a palavra "cartel"


Hoje em dia, a palavra cartel tem um significado próprio de: grupo de pessoas ou conjunto de empresas que exercem determinada actividade e se concertam para aplicar preços de um produto, no mercado, de forma a evitar ou anular o efeito da concorrência, e não permitindo, assim, uma opção mais benéfica aos clientes ou utilizadores. Mas, ao que parece, nem sempre foi este o significado da palavra cartel.
Em 1876 ("Diccionario de Invenções, origens..."), Alberto Pimentel (1849-1925) diz-nos que cartel era uma "carta ou bilhete de desafio, pelo qual se provoca alguém a combate singular. O uso do cartel era muito comum entre os gregos e entre os romanos: há muitos exemplos em Homero, em Virgilio e outros poetas gregos e latinos. Plutarco refere que Antonio succumbindo ao peso do infortunio, enviara um cartel, a Augusto, o qual respondeu que tinha muitos meios de morrer e que portanto não precisava de mais esse."
Como se vê, as palavras têm vida própria, com evoluções muito diversas, e metamorfoses.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Bibliofilia 22 : um poeta pouco recomendável...



De António Lobo de Carvalho (1730-1787), poeta de origem vimaranense, sabe-se pouco. Seria bacharel em Direito e viveu grande parte da sua vida em Lisboa, onde era conhecido por Lobo da Madragoa, por lá viver. Era grande amigo de João Xavier de Matos. Os seus poemas, em grande parte, são fesceninos ou mordazes. Alberto Pimentel romanceou-lhe a vida no livro "O Lobo da Madragôa" (1904) que se lê sem fastio.
As suas obras saíram, postumamente, em 1852 ("Poesias Joviaes e Satyricas"), de forma quase clandestina pelo seu conteúdo, e com falso lugar de impressão - Cadix. Na verdade, terão sido impressas em Lisboa. O livro tem prefácio e uns "Apontamentos para a Biographia do Auctor", mas não refere quem os escreveu. O volume é muito raro aparecer à venda. O meu exemplar, encadernado e em razoável estado, foi comprado em Lisboa, em meados dos anos 80, por Esc. 2.500$00 (cca. euros 12,50). Em Outubro/Novembro de 1989, num leilão da Soares & Mendonça (lote 2166), um volume semelhante ao meu vendeu-se por Esc. 17.000$00.
Nota: já depois de colocado este poste, tive oportunidade de confirmar que o prefácio do livro acima referido se deve a Inocêncio Francisco da Silva. O que indicia que, possivelmente, os apontamentos biográficos e a edição do livro se lhe devem, também.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Camilo Castelo Branco



"...Foi na tarde de domingo 1 de Junho de 1890, pelas três horas e um quarto, que Camilo Castelo Branco atentou contra a existência com um tiro de revólver, na sua casa de S. Miguel de Seide, vindo a falecer às cinco horas."
Alberto Pimentel, in "O Romance do Romancista".

"...Não há senão um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio. Avaliar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida, é responder à questão fundamental da filosofia."
Albert Camus, in "Le Mythe de Sisyphe".