Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto Manguel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto Manguel. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Debates

 


Ontem, resolvi dar uma hipótese a cada um dos onze magníficos e putativos candidatos a PR. Quando os vi, na RTP 1, apercebi-me que um deles devia ser discípulo ou seguidor do Manguel, pois usava chapéu em recinto coberto - como não manda a boa educação. Afinal a criatura Vieira é apenas do mesmo signo astrológico do pastor actual do falecido Borges... O que talvez explique a anomalia exótica.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

O chapéu de Alberto Manguel

 

Falava eu, no poste anterior, da dificuldade de comunicação, a que poderia acrescentar e falar, hoje, da diminuição na transmissão de saberes, competências e regras, de uma para a geração seguinte. Assim se vão perdendo regras de conduta, experiências. Perderam-se quase por completo as normas de tratamento, os pais deixaram de intervir na educação e birras dos filhos pequenos, etc...
E até um homem de três mundos, Alberto Manguel (1948), que era suposto conhecer as regras mínimas de boa educação, nem sequer tira o chapéu, quando em presença de outro(a) ser humano, no interior de edifícios, em salas onde perora ou dá entrevistas...
(Será que tem muito frio, ou está careca de todo?! Mesmo assim...)

domingo, 30 de abril de 2023

Chapéus há muitos...


Os últimos a aderirem ou converterem-se foram Manguel e Zimler. Nos anos 60, eram os cachimbos os adereços preferidos para as poses mais foleiras.

sábado, 8 de outubro de 2022

Errâncias



Deu-me para associar naturalmente e sem motivo aparente os itinerários de 3 escritores que me são caros e, depois, tentar perceber a razão dos seus percursos de vida.
De J. M. Coetzee (1940), sul-africano, que foi para os Estados Unidos, regressou à Africa do Sul e finalmente se fixou na Austrália. Talvez em busca de sossego e paz. W. G. Sebald (1944-2001) oriundo da Baviera (Alemanha), que estudou na Suiça, vindo a falecer na Inglaterra onde vivia, provavelmente para esquecer o passado recente germânico. Finalmente, o último errante, de ascendência judaica, Alberto Manguel (1948), argentino, que andou pelo Canadá, residiu uns anos em França e radicou-se, há pouco, em Lisboa, com apoios camarários. Neste último caso, ouso arriscar dizer que as razões terão sido um pouco mais prosaicas...

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Mitologias...



Fenómeno curioso este em que a mistificação e a importância, de um facto ou de alguém, desaparecem ou dissolvem-se no espaço ou em nada, com a excessiva proximidade da criatura ou do objecto.
Assim, Alberto Manguel (1948) e os seus chapéus recorrentes, banalíssimos embora de gosto, que ele, nos últimos tempos, nunca tira da cabeça. Quem sabe se ostensiva ou malcriadamente...

sábado, 5 de setembro de 2020

Uma louvável iniciativa 58


A boa notícia vem hoje no jornal Público, mas já ontem, na televisão, tive oportunidade de ver uma interessante entrevista com Alberto Manguel (1948), a propósito do assunto: o escritor vem viver para Lisboa. E traz consigo a sua biblioteca que oferece à CML. O acervo, de cerca de 40.000 volmes, instalado em edifício próprio, às Janelas Verdes, constituirá um centro cultural com biblioteca e virá a ser dirigido pelo próprio Manguel. Lembremos que o escritor e também bibliófilo já foi director da Biblioteca Nacional da Argentina.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Da leitura (32)


Terminei a leitura do quinto livro de W. G. Sebald (1944-2001), com a profunda convicção que se trata de um grande escritor, a cujo estilo me fui habituando, assim como se entrasse em casa conhecida, ao lá voltar... Pratico uma certa usura pragmática, talvez pela idade, frequentando, ao invés de tudo que aparece e é moda, 5 ou 6 autores de minha predilecção e reconhecida qualidade. O uso que Sebald faz da fotografia, como suporte para as suas efabulações, permite-nos até dispensar de todo a suspension of desbelief, tão necessária, quase sempre, à leitura de outras ficções mais pobres e banais.
Sinto-me bem a lê-lo e isso para mim, de momento, é o mais importante.


De tarde, ontem, aproveitando este Verão residual, ou de S. Martinho, na varanda a leste, dei início ao mais recente livro, editado em Portugal, de Alberto Manguel (1948), obra que o TLS aprova, mas condicionadamente. A ver vamos, com o avançar da leitura, se estarei de acordo com Emma Smith na sua recensão muito prudente.


sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Do que fui lendo por aí... 30


Em 2018, Alberto Manguel (1948) foi agraciado com o Prémio Gutenberg. Recentemente saído, o Gutenberg-Jahrbuch de 2019 transcreve o discurso de aceitação do escritor argentino em que ele refere, naturalmente, Jorge Luis Borges, mas também Franz Kafka e a Bíblia. Despertaram-me a atenção algumas considerações que Manguel tece a propósito de leituras, de que vou transcrever um pequeno extracto que me pareceu curioso e mais significativo. Segue:

O ofício da leitura é misterioso. Ninguém sabe (certamente nem os próprios leitores) como é que as palavras da página, captadas pelo olhar, se transformam em experiência, reflexão, memória e, algumas vezes, até em novas criações. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Sonhos aristocráticos


Sonhei há dias com um nobre plebeu, que conheci num passado recente. Outorgava-se ele,  na circunstância, de descender de fidalgos transalpinos, mas os seus apelidos eram um pouco rasteiros, denunciando ascendentes de profissões mecânicas ou meros comerciantes.
Pois, no sonho, eu vi-o, com algum desembaraço financeiro, adquirir uma pequena catedral(?) em ruínas ou um mosteiro decadente (andará Manguel, por aqui?), só porque assim herdava os apelidos dos nobres que lá estavam enterrados.
Se os ingleses sepultaram o grande actor David Garrick, em Westminster, aos pés do cenotáfio de William Shakespeare (no Poet's Corner), parece-me justo que este plebeu luso se quisesse ornamentar de azúis sanguíneos que a sua família, provavelmente, não teve de todo.
Será que este meu sonho não daria uma fábula moderna?

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Da leitura (24)


Há um friínho na manhã que tolhe os pardais nos ninhos e as andorinhas que se aventuram a sair dos beirais aconchegados, mas a chuva pré-anunciada, para hoje, não fez ainda a sua aparição, apesar do céu azul-cinzento carregado.
Ando em itinerário feliz de leituras, depois de três livros de poesia que não me deixaram saudades. Acabado Magris (Instantâneos), sempre compensador, seguiu-se-lhe Manguel (Embalando a Minha Biblioteca) que, apesar de algumas gralhas que não chegam para desfeitear a limpa tradução de Rita Almeida Simões, me deu grande prazer de leitura. Acabei o livro ontem.
Como se diz, por troca de sujeitos, que o pão é guloso, assim diria eu da prosa de Alberto Manguel (1948), amena e afável, corredia e culturalmente informativa. Recém-nomeado director da Biblioteca Nacional da Argentina, o escritor que a si próprio se denomina de "judeu errante", narra em prosa simples, mas elegante, o que foi o desmantelamento da sua biblioteca (mais de 30.000 livros), em França, e o seu envio para lugar incerto (Canadá?). Cada um dos 10 capítulos da obra inspira-lhe uma série efabulada de reflexões culturais de inegável interesse para o leitor.
Retenho, da leitura finda, uma frase estimulante de Alberto Manguel: Os pecados antigos projectam sombras longas (pg. 124).
Recomenda-se a obra a quem gosta de livros.

Nota pessoal: com envoi e estima para a Isabel, no seu "Palavras daqui e dali", que, gentilmente, primeiro me deu notícia da saída deste livro de Alberto Manguel.

terça-feira, 3 de abril de 2018

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Divagações 118


Li algures, mas não há muito tempo, que as relações dos vivos com os seus mortos estão sujeitas a variações. Sou levado a crer, pela minha própria experiência, que a afirmação tem o seu quê de verdadeiro.
Por outro lado, há muito que não tinha o gosto de ler dois livros seguidos, e em sequência, que tanto me agradassem. Acabei de ler A Biblioteca à Noite, de Alberto Manguel, e encetei, da Guerra e Paz, "Jorge de Sena / Eugénio de Andrade - Correspondência..." (2016) , situando-me, de momento, na página 52. O agrado é talvez ainda maior, que o do livro anterior, na leitura desta troca de correspondência entre dois bons amigos.
Por mero acaso, fui, hoje, dar ao blogue de J. Rentes de Carvalho (Tempo Contado), em que ele faz uma apreciação sucinta sobre este mesmo livro que acabou de ler. Rematando assim: "A vaidade de Eugénio de Andrade enfastia."
Muito francamente, pelo menos até à página 51 não dei por nada.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Da leitura (13)


Acabado o livro, pouso-o sobre a mesa. Pouco depois, reabro-o nas páginas onde deixei ficar 4 pequenos pedaços de papel, a marcar frases, textos ou ideias de que me achei mais próximo ou que me estimularam num monólogo interior mais intenso. Quantas  mais são as pequenas marcas de papel, mais os encontros... Sinais, como se numa viagem tivéssemos marcado, no mapa, as localidades principais, a revisitar. Releio essas linhas e retiro os pequenos papéis. Sem colinas, o livro readquire o seu horizonte raso de integridade e vai repousar na prateleira, vertical, junto dos outros volumes do mesmo autor. Num resumido perfil de lombada, pouco visível.
Para sempre?

para MR, em troca de W. B..

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Na varanda a Leste


Há que procurar outra música, porque as que trago comigo parecem já cansadas de si mesmas, na sua perpétua multiplicação. E a luz ainda há-de crescer para iluminar os dias de Junho, por mais de duas semanas. Depois, será a vez da noite, que irá, pouco a pouco, ganhando mais espaço. Num ciclo natural limitado que, ciclicamente, se repete, sempre.
Poucas aves, defronte no meu ângulo de visão, mas sempre o costumeiro casal de rolas tímidas, rotineiras, que não voam nunca mais alto que os 30/40 metros de altura, num circuito de horizonte cerrado. Morreu a melhor roseira e o ano não tem sido bom para os limoeiros. A safra vai ser diminuta. Valha-nos a pequena oliveira, floridíssima.
Dizia, há pouco, Manguel, quando o li na página 314 (Uma História da Curiosidade, 2015): "...Além de nos ser impossível apreender a nossa própria morte, à medida que envelhecemos tornamo-nos mais conscientes da progressiva ausência dos outros. É-nos difícil dizer adeus. Cada despedida assombra-nos com a secreta suspeita de que poderá ser a última; tentamos continuar a acenar à porta durante o máximo de tempo possível. ..."
Um poema pode muito bem ser uma espécie de adivinha. Porque não responde, nem se clarifica por si, antes pergunta quase sempre, e restitui às palavras - quando de verdadeira poesia se trata - uma força antiga, inicial que, muitas vezes, já não conseguimos entender completamente.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Uma definição excêntrica de G. K. Chesterton (1874-1936)


Uma cadeira é um dispositivo de quatro pernas de pau para um aleijado de duas.

citado por Alberto Manguel em "Uma história da curiosidade".

sábado, 30 de janeiro de 2016

Da leitura (9)


Esta fase da minha vida, no que diz respeito a leituras, tem-se caracterizado por um grande fastio em relação à ficção. Para ser exacto, no entanto, terei de dizer que encetei, há dias, com agrado a novela O Cisne Negro (Estúdios Cor, 1957), de Thomas Mann. Não sei se o interesse se irá manter até ao fim, veremos.
Alberto Manguel, em Uma História da Curiosidade (Tinta da China, 2015), usa, para itinerário dos seus discursos capitulares, passagens de A Divina Comédia, de Dante. O livro parece-me irregular: capítulos interessantes alternam com outros menos agradáveis, talvez demasiado prosaicos, eruditos e com abundantes citações. Num dos capítulos, de que gostei particularmente, o escritor argentino fala de um professor (Lerner) que teve um efeito benéfico e influência grande, no aconselhamento de obras e autores que ainda hoje o fascinam. Vou transcrever uma pequena parte desse capítulo:
"...Quando somos adolescentes, somos únicos; quando crescemos, percebemos que o ser singular é, na verdade, um mosaico composto por outros seres que, em maior ou menor medida, nos definem. Reconhecer essas identidades espelhadas ou aprendidas é uma das consolações da velhice: saber que certas pessoas há muito transformadas em pó continuam a viver em nós, tal como nós viveremos em alguém cuja existência talvez nem conheçamos. Compreendo agora com 66 anos, que Lerner é um desses seres imortais. ..." (pg. 61)

Ao longo da minha vida, tive também pessoas que me aconselharam livros e leituras. Recordo duas, especialmente. A primeira foi um professor de Inglês, de nome Fabião, no meu 4º ano de Liceu, que me abriu caminho para Somerset Maugham, aconselhando-me a ler The Moon and Sixpence. Vim a encontrá-lo mais tarde, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde era leitor de neerlandês. O segundo conselheiro foi Eugénio de Andrade que me recomendou João Guimarães Rosa, na altura da minha ida para a tropa. E, porque falava muito de Juan Ramón Jiménez, acabei por vir a ler, também, o poeta do Moguer, com grande entusiasmo. São três autores recomendados que ainda hoje me dão prazer de leitura.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Citações CCLXXV


Arte é a iminência de uma revelação que não se produz.

Jorge Luis Borges (1899-1986) citado por Alberto Manguel.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Livros, Bibliotecas e comportamento humano


Foi há pouco a leilão (5/12/15), na Sotheby's, uma boa parte do melhor da magnífica biblioteca que pertenceu ao advogado norte-americano Robert S. Pirie (1934-2015). O seu ex-libris, ou lema "I want, I want", ilustra bem a difícil fronteira entre o bibliófilo ponderado e o guloso comprador e coleccionador de livros, dominado por um desejo imoderado de aquisição.
No mesmo registo, mas em tom distinto, o último TLS (nº 5879) traz, a propósito da recensão do livro The Meaning of the Library, de Alice Crawford, algumas considerações muito interessantes de Alberto Manguel sobre o comportamento humano, no que diz respeito a bibliotecas e aos livros. Pela qualidade do texto, resolvi traduzir o seu início. Como se segue:
"Somos, intrinsecamente, animais nostálgicos para quem o luto é um sinal de reconhecimento. O nosso tom preferido é a elegia. Enquanto alguém ou alguma coisa está presente, prestamos-lhe pouca atenção, mas quando pressentimos que vai desaparecer, sentimo-nos irresistivelmente atraídos para as suas ruínas. Os exemplos são muitos. Quando, em meados do século XX, o automóvel se tornou o principal meio de transporte humano, Bill Bowerman, um instrutor de Educação Física da Universidade de Oregon, publicou Jogging, o primeiro livro que celebrava a benéfica utilização dos nossos próprios pés e andamento. Algumas, poucas, décadas depois do cinema se ter tornado o entertenimento favorito do ser humano, o teatro, considerado moribundo, foi reactivado, reexaminado e redefinido por Stanislavski, Brecht e Artaud. E, em finais do século XV, quando a recente invenção da Imprensa parecia ameaçar a sobrevivência do manuscrito, manuais de caligrafia começaram a pulular, colecções de cartas (como as de Cícero) tornaram-se best-sellers, e os escribas produziram manuscritos inúmeros, copiando, para ávidos coleccionadores, os textos de livros recentemente publicados. ..."

segunda-feira, 30 de março de 2015

A prima de Alberto Manguel


As duas mais frequentes posições para leitura são: sentada e deitada, como se imagina. Embora, raramente, eu leia de pé, pequenos textos, prefiro a posição reclinada ou deitada. Mas não na situação, algo incómoda, da fotografia de André Kertész (1894-1985), onde uma anciã, do Hospício de Beaune, lê, concentrada, amparada por grandes almofadas.
Quanto a ler em viagem, já fui mais ambicioso do que hoje. Tentei, durante muito tempo, ler livros de ficção (a poesia, guardo-me para a ler em casa), sem grande sucesso. Ainda cheguei aos policiais, mas a falta da devida concentração continuava a ser a mesma, e acabei por desistir. Restaram os jornais e revistas, que ainda costumo levar, para viagens.
Alberto Manguel (1948) na sua Uma História da Leitura (Presença, 1998) fala-nos duma sua prima e das suas opções de leitura, em viagem. Assim:
"Uma prima minha de Buenos Aires, como tinha consciência clara de que os livros podiam funcionar como emblema, um sinal de aliança, escolhia sempre o livro que levava em viagem com o mesmo cuidado com que escolhia a mala de mão. Não viajava com Romain Rolland, porque achava que lhe daria um ar excessivamente pretensioso, nem com Agatha Christie, porque a faria parecer demasiado vulgar. Camus era próprio para uma viagem curta, Cronin para uma mais longa; uma história policial por Vera Caspary ou Ellery Queen era aceitável para um fim-de-semana no campo; um romance de Graham Greene era adequado para viagens de barco ou de avião."